Escolas viram abrigo para invasores expulsos de terreno da Petrobras

Reintegração de posse do espaço que abrigava 1500 pessoa em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, foi marcada por confronto

atualizado 02/07/2021 9:07

Reprodução TV Globo

Rio de Janeiro – Foi uma noite longa e de muita preocupação para as 400 famílias retiradas do terreno da Petrobras, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, durante ação de reintegração de posse, determinada pela Justiça. O grupo passou a noite desta quinta-feira (1º) em duas escolas no município.

No total, cerca de 1.500 pessoas tiveram de sair da ocupação, que ficava em um dos acessos a Itaguaí, via que foi fechada para a ação dos grupos de elite da polícia do Rio. Os invasores sinalizam que agora estão sem rumo.

Uma delas é Jaqueline Cristina, mãe da Giovanna, de 3 anos. “Tudo isso que eles destruíram não foi só uma casa de bambu e de plástico. Era muito importante”, disse ela ao site G1. “A gente só queria nosso teto. Destruíram tudo, tratando a gente como bicho. Não deixaram a gente tirar nada do nosso barraco, nossas roupas, nosso alimento”, destacou.

O Batalhão de Choque da PM cercou o terreno da Petrobras enquanto oficiais de justiça tentavam negociar a saída das pessoas. Mas não houve acordo. A polícia arrancou o portão com cabos de aço e usou jatos d’água e bombas de efeito moral para tomar o espaço, que foi cercado por barricadas incendiadas pelos invasores.

A área, onde seria construído um pólo petroquímico, começou a ser ocupado em 1º de maio (a data dá nome ao acampamento). Alguns dias depois da entrada dos sem-terra, a Petrobras obteve o direito de reintegração de posse da área. A Defensoria Pública conseguiu suspender a decisão.

Segundo a OAB e os movimentos de moradia que acompanhavam a situação da ocupação, havia mais de 3 mil pessoas no local — 993 mães chefes de família, 1.854 crianças e 427 idosos.

A Petrobras informou que o mandado de reintegração foi autorizado pelo STJ e foi cumprido com o apoio da Secretaria de Assistência Social de Itaguaí para garantir a “desocupação segura e pacífica” do terreno.

Em nota, a Prefeitura de Itaguaí disse que tentou cadastrar anteriormente os acampados, mas foi “impedida pelas lideranças do movimento”. “A tentativa da prefeitura consta, inclusive, nos autos da decisão judicial de reintegração de posse seguindo as orientações do estado e do Poder Judiciário.”

A prefeitura também informou que a responsabilidade do município era com as pessoas originárias de Itaguaí. “Cerca de 90% dos ocupantes do terreno são de fora da cidade”, afirmou.

O governo do estado disse que a responsabilidade principal do estado era encaminhar para abrigos as famílias que não eram de Itaguaí.

Últimas notícias