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Engenheira cria ONG para reformar casas de graça na periferia de Natal

Fernanda Silmara conta que a inspiração para a ReforAmar foi sua infância em uma casa de taipa e tijolos brancos

atualizado

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Reprodução/Redes sociais
ReforAmar
1 de 1 ReforAmar - Foto: Reprodução/Redes sociais

A engenheira civil Fernanda Silmara, de 26 anos, se dedica a reformar voluntariamente a moradia de quem vive na periferia. Ela conta que passou sua infância em uma casa precária de taipa e tijolos brancos. Com goteiras e pouco espaço, a jovem dividia os dois quartos com a mãe, o pai e os cinco irmãos, na favela da Guarita, em Natal (RN).

“Eu tinha muita vergonha da minha casa, mas não era por ser pobre, porque todo mundo ali na rua era. Era por ter medo de o telhado da casa cair e do mau cheiro que tinha quando chovia e ficava aquele mofo”, relembra. Fernanda diz que evitava chamar seus amigos da escola para sua casa. “Um dia, uma amiguinha foi, quando eu era criança, e falou que a minha casa fedia, e aquilo me atingiu muito.”

A jovem relata que enxergava os estudos como a única saída daquela situação, e passou a se dedicar desde nova à escola. No terceiro ano do Ensino Médio, Fernanda realizou seu sonho e conseguiu vagas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).

“Eu consegui uma bolsa de pesquisa no IFRN e, com esse dinheiro, meu tio perguntou se eu gostaria que ele reformasse minha casa voluntariamente”, acrescenta. Fernanda comprava os materiais e, aos fins de semana, se juntava a ele e ao irmão para ajudar nas reformas de sua casa.

A dimensão da mudança em sua vida veio em 2018, um dia em que chegou da faculdade e viu o piso novo de cerâmica e o telhado sem goteiras.

“Naquele momento, foi inexplicável. Não consigo explicar aquilo que eu sentia. Só quis multiplicar aquilo”, afirma. “Eu digo que foi a primeira vez em que me senti em um lar. Então, eu sabia também que muita gente estava naquela situação que eu estava antes, e eu queria fazer aquilo por eles.”

A engenheira conta que pesquisou projetos que fizessem reformas voluntárias, mas não encontrou nada parecido em sua cidade. Com o objetivo de mudar essa realidade, Fernanda chamou quatro amigos para implementar sua ideia de reformar casas na periferia de Natal de forma voluntária, com dinheiro apenas de doações, e deu o pontapé em sua ONG, a ReforAmar.

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Reformas

Desde então, foram 17 reformas, e o projeto já ganhou 300 voluntários. “Nosso contemplados acompanham todo o processo de idealização do lar que irão receber, conhecem a proposta, dão sugestões sobre o que gostam para que aquele novo lar seja repleto de sentimento.”

A primeira casa a ser contemplada pelo projeto foi da artesã Leila, no bairro Alecrim, em julho de 2018. Seu sonho sempre foi realizar a pintura da fachada. “Eu sempre tive vergonha da frente da minha casa, mas nunca tive condição de pintar”, diz Leila.

O grupo, então, trabalhou durante três dias para entregar uma nova pintura azul, inclusive com retoque nas janelas. Veja o antes e depois:

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A segunda casa, apelidada de Casa Desafio, já representava um passo maior. Além de reformar a fachada, a ONG fez uma reforma completa na garagem, que era fechada com pedaços de madeira. E, de pouco a pouco, o grupo evoluiu, cada vez com projetos maiores.

A sétima reforma foi a primeira a contemplar uma casa inteira. Fernanda conta que, quando idealizou o projeto, já tinha o sonho de incluir aquele local nos planos, mas que não tinha condições de reformar uma casa completa naquela fase. A residência fica no mesmo bairro em que mora e ela conhecia o filho da proprietária, Daniel Sales, desde a infância.

“Desde que nasci, moro aqui, eu, minha mãe e meu irmão. Desde os 10 anos trabalho na rua, e eu não tenho condições de reformar a minha casa”, diz Daniel. Ele relata que, antes da reforma, a casa tinha tantas goteiras que acordava com a água caindo em seu rosto e, quando chovia, toda a casa alagava, inlcuindo o gurda-roupa, feito de caixa de papelão.

Com doações, o ReforAmar começou a tirar a proposta de reforma do papel. Todo o telhado e diversas paredes foram demolidas e reconstruídas. Depois, veio a fase da alvenaria e, finalmente, da instalação de móveis e do acabamento. Os voluntários trabalharam para dar o efeito cimento queimado nas paredes e cobriram o piso com cerâmica.

Veja o resultado:

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Nas redes, Fernanda compartilha o andamento das obras, e já publicou registros emocionantes. Veja:

O plano, agora, é expandir o projeto para outros estados, com ainda mais participantes e contemplados.

“A gente quer mudar muitas outras vidas. Queremos transformar as vidas de muitas pessoas para que elas multipliquem esse bem”, finaliza.

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