Políticos procuram imóveis de luxo para montar “QGs” em Brasília

Imóveis são de áreas nobres, como Lago Sul. Sophia Martins, consultora do mercado imobiliário de alto padrão, detalha principais exigências

atualizado 16/06/2022 13:46

Igo Estrela/Metrópoles

Imóveis de luxo, espaçosos e em áreas nobres de Brasília. A necessidade de montar quartéis generais, os famosos “QGs”, para tomar decisões sobre a disputa eleitoral de 2022, aqueceu a procura por esse tipo de residência.

Na capital federal, essa busca guarda algumas particularidades, explica Sophia Martins, consultora especialista em mercado imobiliário de alto padrão e CEO da Mitre Vendas, em entrevista ao Metrópoles.

O mercado de imóveis de luxo registra uma tendência de crescimento no país. O segmento teve alta de 14% em abril deste ano na comparação com o mesmo mês de 2021, segundo dados da agência Brain Inteligência Estratégica, que tem como foco a atuação no mercado imobiliário.

“Em demanda crescente, o mercado de alto padrão no Brasil fica cada vez mais promissor e, em ano eleitoral, políticos buscam funcionalidade no Distrito Federal”, ressalta.

O Lago Sul tem sido o endereço de maior cobiça a quatro meses da eleição. Nas últimas semanas, os acordos de locação ganharam destaque na cobertura política. O Partido Liberal (PL), do presidente Jair Bolsonaro, alugou um imóvel na região.

“Em período eleitoral, a busca por imóveis em Brasília mesmo antes do resultado das urnas já tem uma alta expressiva. Os locais servem como bases para os que querem pleitear um cargo no Congresso e, em sua maioria, abrigam não só o candidato, mas também a equipe”, explica a consultora.

O ex-pré-candidato à Presidência João Doria (PSDB), que anunciou o desistência da campanha e o retorno para o mercado privado nesta semana, chegou a montar, em abril, um QG na capital federal.

O tucano utilizou as instalações da sede do PSDB, na L2 Sul, zona central de Brasília, para se reunir com lideranças tucanas e de partidos aliados.

Exigências

Mas o que esse público busca? Além de praticidade, é preciso espaço, muito espaço. A casa alugada pela sigla do presidente, por exemplo, tem mais 700 metros quadrados, sete quartos e quatro salas.

“Quando eleitos, eles [políticos] têm os apartamentos funcionais que já são totalmente equipados pensando nessa forma, mas até lá, eles têm que ter um outro endereço”, completa Sophia Martins.

Segundo ela, os imóveis ideais para os candidatos são em áreas nobres, próximos às sedes dos partidos e também precisam ter mais de dois quartos que acomodem entre quatro e oito pessoas.

“Nem sempre o imóvel fica totalmente ocupado, também, mas é necessário que haja essa estrutura à disposição e nesse período essa demanda por esses imóveis aumenta consideravelmente”, completa.

Não faltam exemplos de políticos que procuram por esse tipo de imóvel. Os aluguéis variam de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Em caso de compra, o valor ultrapassa com facilidade a casa dos milhões.

Contratos recentes

O secretário nacional de Justiça, José Vicentti Santini, amigo do clã Bolsonaro, comprou uma casa em uma das áreas mais valorizadas do Lago Sul por R$ 6,7 milhões (veja galeria). A informação foi revelada pela coluna de Rodrigo Rangel, no Metrópoles.

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Há dois meses, o Instituto Conservador-Liberal — que reúne empresários conservadores e simpatizantes do governo Bolsonaro —  alugou uma mansão na mesma região.

A entidade é administrada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo advogado Sérgio Henrique Sant’Ana, ex-assessor do Ministério da Educação durante a gestão de Abraham Weintraub.

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