Da tornozeleira à domiciliar: os 200 dias de Bolsonaro pós-condenação

Após alta hospitalar, Bolsonaro passa a cumprir prisão domiciliar prevista para o períodio de 90 dias

atualizado

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Ex-presidente Jair Bolsonaro durante encerramento do 1° Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal PL -- Metrópoles
1 de 1 Ex-presidente Jair Bolsonaro durante encerramento do 1° Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal PL -- Metrópoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Após quase duas semanas de internação devido a um quadro de broncopneumonia bacteriana, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu, nessa sexta-feira (27/3), alta do Hospital DF Star. Bolsonaro foi encaminhado para a prisão domiciliar humanitária no condomínio Solar de Brasília, onde irá continuar cumprindo a pena de 27 anos e 3 meses por trama golpista.

O ex-presidente completa, neste final de semana, 200 dias desde que foi condenado.

Na terça-feira (24/3), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão domiciliar a Bolsonaro com um prazo inicial de 90 dias. A decisão ocorreu após o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, se manifestar favoravelmente ao pedido da defesa do ex-mandatário.

200 dias da condenação

Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025, pela Primeira Turma do STF, a 27 anos e 3 meses de prisão, por liderar uma trama golpista para tentar manter-se no poder após a derrota eleitoral de 2022. A trajetória do ex-presidente desde a condenação até a prisão domiciliar foi marcada por polêmicas, internações e articulações para as eleições deste ano.

Relembreos fatos:

 

Condenação

No dia 11 de setembro de 2025, Bolsonaro e outros sete aliados foram condenados por envolvimento na trama golpista. Ele foi condenado por chefiar uma organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, praticar golpe de Estado e causar danos a patrimônio da União e tombado.

O julgamento da Primeira Turma do Supremo terminou em 4 a 1. Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação; Luiz Fux, pela absolvição.

Transferência para a PF

Na manhã do dia 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) por ordem de Moraes. A corporação alegou risco de fuga durante vigília convocada pelo senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, em frente ao condomínio do pai.

Além do risco listado pela PF, Bolsonaro violou, na madrugada do mesmo dia, a tornozeleira eletrônica que usava desde o dia 18 de julho. Ele confessou aos agentes ter utilizado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento.

Após os episódios, o ex-mandatário foi encaminhado para a Superintendência Regional da Polícia Federal, localizada no Setor Policial Sul, em Brasília.

Inicio do cumprimento da pena

No dia 25 de novembro, três dias após a determinação da prisão preventiva, Bolsonaro iniciou o cumprimento da pena de 27 anos. A mudança de regime ocorreu após o STF declarar trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso) para os réus do núcleo 1 da trama golpista.

Internação no Natal

Jair Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro e 2025 no hospital DF Star onde passou por uma cirurgia, no dia 25, para tratar uma hérnia inguinal bilateral. Ao longo da internação, ele também foi submetido a procedimentos de bloqueio do nervo frênico para reverter o quadro de soluços persistentes.

Confirmação da pré-candidatura de Flávio

Além da cirurgia, o Natal foi marcado pela definição do sucessor do ex-mandatário: Flávio Bolsonaro. Em uma carta escrita pelo pai, a pré-candidatura do senador foi selada e confirmada, dividindo opiniões e abrindo uma disputa interna entre o bolsonarismo e a ala da direita mais moderada, que preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em meio à pressão para firmar o apoio à candidatura de Flávio e à confirmação da busca pela reeleição no governo paulista, Tarcísio negou as especulações sobre uma possível candidatura presidencial e afirmou que o nome do filho de Bolsonaro já estava consolidado.

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O ex-presidente Jair Bolsonaro sendo transferido para a "Papudinha"
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Jair Bolsonaro foi para o hospital por causa de crise de vômitos
STF: processo contra Bolsonaro por trama golpista transita em julgado
Jair Bolsonaro chega em residência após alta hospitalar
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Jair Bolsonaro chega em residência após alta hospitalar

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Alta hospitalar

A alta após a cirurgia aconteceu no dia 1º de janeiro e, apesar da insistência da defesa e da família por uma prisão domiciliar, ele retornou à Superintendência da PF.

Queda em cela da PF

No dia 6 de janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro informou, por meio de seu Instagram, que o marido caiu enquanto dormia e bateu a cabeça em um móvel da cela em que cumpria pena.

O ministro Alexandre de Moraes autorizou que o ex-presidente passasse por exames, cujos resultados apontaram leve densificação de partes moles nas regiões frontal e temporal direita. A alteração foi considerada compatível com edema ou pequeno hematoma externo, causado pelo impacto, sem fratura ou sangramento intracraniano.

No dia seguinte, ele foi escoltado de volta à cela da PF.

Tranferência para a papudinha

Bolsonaro  foi transferido, no dia 15 de janeiro, para a Sala de Estado Maior no complexo penitenciário após pouco mais de 2 meses detido na Superintendência da Polícia Federal. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou as reclamações feitas por Bolsonaro ao longo da detenção e considerou que, apesar da “total ausência de veracidade nas reclamações”, não impediria a transferência para uma cela que considerou “ainda mais confortável”.

Apesar do isolamento, a prisão foi transformada em um “Quartel General (QG)” da oposição para a definição de palanques eleitorais. As visitas são usadas como um momento de articulações e definições de nomes de candidatos correligionários e aliados.

Nova internação

Bolsonaro foi internado no dia 13 de março devido a um quadro de broncopneumonia bacteriana. O ex-presidente apresentou febre alta, queda de saturação de oxigênio, sudorese intensa e calafrios, precisando ser escoltado da prisão à unidade hospitalar.

Prisão domiciliar

Ao conceder o benefício da domiciliar humanitária a Bolsonaro, no dia 24 de março, Moraes impôs uma série de medidas cautelares. Entre as quais, o uso de tornozeleira eletrônica.

O ministro vedou a presença de outras pessoas na residência do ex-chefe do Planalto sob a justificativa de “evitar risco de sepse e controle de infecções”.

Atualmente, moram com Bolsonaro a mulher dele, Michelle Bolsonaro, a filha mais nova, Laura Bolsonaro, e a enteada, Letícia Firmino.

Os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan têm autorização para visitas permanentes, restritas às quartas e sábados, em três turnos de duas horas entre 8h e 16h, seguindo as regras do sistema prisional.

Veja as medidas cautelares impostas a Bolsonaro:

  • Uso de tornozeleira eletrônica, com área de monitoramento limitada à residência do réu – os relatórios deverão ser enviados diariamente à Justiça;
  • Proibição de uso de redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros;
  • Proibição de gravação de vídeos ou áudios, diretamente ou por intermédio de terceiros;
  • Proibição de uso de celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, diretamente ou por intermédio de terceiros; e
  • Visitas somente com autorização judicial; os filhos terão acesso permanente em horários determinados.

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