Congresso acumula pendências importantes a 2 meses do recesso

Legislativo deve decidir sobre temas como o Orçamento, a isenção do Imposto de Renda, PEC da Segurança e PNE

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto
Imagem colorida mostra o Congresso, da visão do Palácio do Planalto - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra o Congresso, da visão do Palácio do Planalto - Metrópoles - Foto: Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto

O Congresso Nacional tem uma série de projetos prioritários com tramitação pendente a cerca de 2 meses para o recesso parlamentar, que se inicia em 23 de dezembro. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), por exemplo, está sendo postergada há semanas em meio ao embate entre o Executivo e o Legislativo sobre a meta fiscal. A sua estagnação adia a deliberação sobre o Orçamento do ano eleitoral de 2026.

A LDO é o conjunto de diretrizes e regras que ditam como o governo federal deverá gastar o Orçamento do ano seguinte. A proposta é enviada pelo Palácio do Planalto, normalmente, no primeiro trimestre do ano anterior ao que se refere o projeto. Deve ser votada pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, depois, pelo Congresso Nacional.

O governo se debruça sobre formas de garantir o superávit de R$ 34, 2 bilhões nas contas públicas listado na LDO, dificultado pela derrubada da Medida Provisória 1.303/25, que estipulava alternativas arrecadatórias e de corte de despesas alternativos ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

O Congresso, resistente a qualquer aumento de impostos, vê-se empurrado a negociar com o ministério da Fazenda, já que um dos pontos mais afetados pelo aperto no Orçamento são as emendas parlamentares. A equipe econômica já indicou que poderá mandar propostas focadas no corte de despesas, como os créditos do Pis/Cofins e o seguro defeso.

A CMO deverá retomar a discussão da LDO no dia 21 de outubro. Dessa aprovação depende o início da tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA). Em 2024, a LDO para 2025 foi votada em dezembro. Ante o pacote de corte de gastos, a LOA acabou postergada para este ano, sendo votada somente em março, causando uma cadeia de descompensações orçamentárias.

Reforma do IR

O Projeto de Lei (PL) 1.087/25, que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, foi aprovado na Câmara dos Deputados no começo de outubro, sob a relatoria do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL), e com placar unânime.

A proposta, uma das prioridades para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora tramita no Senado. O projeto foi designado ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e adversário político de Lira.

Além da isenção total para quem ganha R$ 5.000, o projeto também concede desoneração parcial para quem recebe até R$ 7.350 e aumenta a oneração para os chamados “super-ricos”, que ganham mais de R$ 600 mil e menos de R$ 1,2 milhão.

Já no anúncio da relatoria, Renan se comprometeu a votar a proposta em um mês e sem fazer mudanças de mérito para que, assim, o projeto vá direto à sanção presidencial sem precisar voltar para a Câmara. O cronograma, porém, ainda não foi apresentado por Renan.

A disputa entre os dois caciques alagoanos preocupa o Palácio do Planalto, que teme que o embate político estagne a tramitação antes das eleições de 2026.

PEC da Segurança Pública

Outra prioridade para o governo que segue tramitando no Congresso é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, que trata da centralização de políticas da segurança pública. A proposta insere na Constituição Federal o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e define a responsabilidade da União sobre a área.

A centralização do tema sobre a esfera Federal incomodou Estados e municípios, que articularam para que o relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-CE), retirasse o trecho do texto, que foi depois aprovado.

Outros pontos da medida, capitaneada pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, incluem a criação do Conselho Nacional de Segurança Pública  e a atualização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para a Polícia Viária Federal (PVF). Também estabelece critérios para os entes da federação terem acesso ao Fundo Nacional.

Agora, a medida tramita na Comissão Especial antes de ir ao plenário da Câmara para só depois passar pelo Senado.

Plano Nacional de Educação

O relator do Novo Plano Nacional de Educação (PNE) de 2025 a 2035, o deputado Moses Rodrigues (União Brasil-C), apresentou o seu substitutivo para o projeto na Câmara dos Deputados na última terça-feira (14/10), que deverá ter uma tramitação estipulada de 2 semanas para valer a tempo do próximo ano.

O PNE é um instrumento normativo que direciona a elaboração de políticas educacionais no Brasil. O documento estabelece diretrizes, objetivos e 19 metas destrinchadas em estratégias para o período de uma década. Esta será a terceira versão do PNE.

O relator estabeleceu um calendário mais rígido para o monitoramento e cumprimento de metas para União, Estados e municípios, que terão revisões nos seus sistemas de ensino a cada dois anos em um monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep).

A medida também amplia o investimento em educação, que deverá chegar a 11% do Produto Interno Bruto (PIB) na próxima década. Para tal, inaugura um Fundo Nacional de Infraestrutura Educacional, que poderá conceder insumos extras aos Executivos que atingirem as metas, e cujos recursos serão provenientes dos royalties da exploração de petróleo e gás.  A proposta deverá ser definida por projeto de lei posteriormente.

A proposta tramita em uma comissão especial presidida pela deputada federal, Tabata Amaral (PSB-SP), que trabalhou em contato com senadores para acelerar a tramitação da proposta ao chegar ao Senado. A relatoria deverá ficar com a senadora Prof. Dorinha Seabra (União Brasil-TO).

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?