Bolsonaro diz que Dallagnol e MP perseguiram a família dele

Presidente afirma que mensagens vazadas da Lava Jato revelam “quebra criminosa de sigilos” e interferência na indicação à PGR

atualizado 26/02/2021 14:28

Família BolsonaroInstagram/Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, nesta sexta-feira (26/2), que mensagens vazadas da Lava Jato mostram que houve perseguição à sua família, registradas nas conversas entre o procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da extinta força-tarefa de Curitiba, e membros do Ministério Público.

“A perseguição à família Bolsonaro se mostra em vários diálogos entre Dellagnol e membros do MP”, escreveu o presidente no Facebook.

Abaixo do texto, ele compartilhou uma notícia de um site bolsonarista intitulada: “Diálogos de procuradores da Lava Jato revelam complô contra família Bolsonaro”. A matéria foi escrita por Sandra Terena, esposa do blogueiro Oswaldo Eustáquio, preso durante a investigação sobre o financiamento de atos antidemocráticos.

O filho primogênito do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pela prática de “rachadinhas” na época em que era deputado estadual.

Esta semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a decisão que autorizou a quebra de sigilo bancária e fiscal de Flávio, a qual, segundo o chefe do Executivo federal, havia sido “criminosa”.

PGR

Na publicação, o mandatário do país afirma que também houve tentativa de cooptar seu entorno para influenciar na escolha do Procurador-Geral da República, em setembro 2019. Na época, Bolsonaro indicou o subprocurador-geral Augusto Aras para o posto. O nome não constava na lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

“Além de quebra criminosa de sigilos, a tentativa de cooptar o entorno do Presidente da República para a escolha do PGR em 2019”, considerou Bolsonaro.

O chefe do Executivo também reagiu a uma manifestação dos procuradores, que afirmaram que as mensagens “mostram somente uma brincadeira entre colegas de trabalho”. Eles alegam que a revelação é fruto de atividade criminosa e que não tiveram sua autenticidade reconhecida.

“Dellagnol querer dizer ser brincadeira tais diálogos, demonstra querer fugir de sua responsabilidade. Os diálogos do vazamento da família ocorreu em 2019, onde Bolsonaro já era Presidente da República….. ISSO É CRIME!”, finalizou o presidente.

Há duas semanas, Bolsonaro disse a apoiadores, na saída do Palácio do Alvorada, que solicitaria ao Supremo Tribunal Federal  (STF) os diálogos que o citam, a exemplo do que fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Para que não haja dúvida, mandei pedir aquela matéria hackeada que está na mão do PT, na mão do Lula. Tem meu nome lá. Alguma coisa já passaram para mim. Vocês vão cair para trás. Chegando, eu vou divulgar. O Lula não vai divulgar. Já falou que não vai. Eu vou divulgar”, declarou.

Entenda

No início de fevereiro, o ministro do STF Ricardo Lewandowski retirou o sigilo da ação que tramita na Corte e permitiu, por conseguinte, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse acesso a mensagens da Operação Spoofing, deflagrada após suspeitos terem invadido o celular de Moro e de integrantes da força-tarefa em Curitiba.

Em 2019, parte das mensagens foi entregue ao site The Intercept Brasil, que, em parceria com outros veículos, publicou os diálogos, no que ficou conhecido como o escândalo da Vaza Jato.

Resposta

Em nota, os procuradores da República que integraram a força-tarefa Lava Jato reafirmam não reconhecer a autenticidade e a veracidade das mensagens “criminosamente obtidas por hackers que estão lhe sendo atribuídas”. Segundo eles, os supostos diálogos, “editados, descontextualizados e deturpados”, são utilizados para renovar falsas acusações.

Sobre o caso específico de Bolsonaro, “as mensagens mostram, evidentemente, somente uma brincadeira entre colegas de trabalho. Qualquer interpretação diferente que se faça da questão, além de ser totalmente contrária ao contexto jocoso revelado pelas próprias supostas mensagens, não tem qualquer amparo na realidade”.

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