Boleto e QR Code falsos: saiba como se proteger dos golpes on-line

Uma pesquisa do Serasa e Instituto Locomotiva revelou que mais de 60 milhões de brasileiros já sofreram algum tipo de fraude on-line

atualizado 13/02/2021 8:28

Igo Estrela/Metrópoles

O isolamento social imposto pela pandemia provocou o aumento nas compras e transações on-line, uma mudança de hábito que exige atenção, principalmente em relação às propagandas enganosas, boletos falsos e até réplicas de sites de lojas famosas.

Uma pesquisa realizada pelo Serasa e o Instituto Locomotiva revelou que mais de 60 milhões de brasileiros já sofreram algum tipo de fraude financeira na internet. O levantamento informou ainda que só 35% das pessoas que foram vítimas de fraude conseguem recuperar o valor.

De acordo com o advogado especialista em Direito Digital, Francisco Gomes Júnior, muitos truques são utilizados pelos golpistas para enganar os consumidores. “Muitas pessoas que sofrem golpes não tomam nenhuma providência e ficam no prejuízo, achando que denunciar não dá resultados” afirma.

Segundo o especialista, os golpes eletrônicos mais comuns incluem pedidos de doação para falsas instituições, ofertas com preços muito baixos, QR Codes falsos e promoções gratuitas por aplicativos de mensagens. “É muito importante estar atento a todos os detalhes. Nossos dados têm cada vez um valor maior no mercado”, alerta.

O diretor Executivo da Pontaltech, Bruno Cedaro, destaca que o mais tradicional golpe aplicado em pessoas físicas atualmente é o phishing“Nesse tipo de fraude uma característica marcante é a tentativa de se passar por uma instituição financeira ou uma marca famosa ofertando uma promoção ou até mesmo solicitando uma atualização cadastral. Dessa forma, o fraudador coleta o máximo de informações pessoais para que depois possa usar esses dados para se passar pela vítima”, explica. 

Cedaro afirma que para se proteger desse tipo de golpe, é necessário estar sempre atento ao canal de comunicação que está solicitando esses dados e, em caso de dúvidas, buscar esclarecer se de fato um canal oficial da empresa.

“Uma outra forma simples é avaliar se esse site que está tentando coletar os dados é um ambiente seguro por criptografia, o famoso HTTPS, e se esse certificado foi emitido em nome da empresa que esta tentando se comunicar com você”, ressalta. 

Quais são os principais golpes?

Segundo Francisco, os golpes eletrônicos mais comuns incluem pedidos de doação para falsas instituições, ofertas com preços muito baixos, QR Codes falsos e promoções gratuitas por aplicativos de mensagens. “É muito importante estar atento a todos os detalhes. Nossos dados têm cada vez um valor maior no mercado”, alerta.

WhatsApp

Por ser o mais popular dos aplicativos de mensagens, o WhatsApp é muito usado em transações e se torna um dos alvos preferidos dos golpistas. Desconfie sempre de mensagens de amigos pedindo dinheiro emprestado, promoções de lojas, restaurantes, hotéis e sorteios. A melhor maneira de se proteger é ativar a confirmação em duas etapas nas configurações do aplicativo. O app vai pedir para criar um código de seis dígitos e inserir um endereço de e-mail. Depois, é só seguir as instruções e confirmar.

Doação

Golpe muito comum que usa a foto de um doente, uma história comovente e o pedido de doação para uma conta bancária. “Cuidado, boa parte dessas doações não são para salvar ninguém, mas sim para bolsos de golpistas. Tente checar a história de várias maneiras: pesquise sites e publicações, busque por notícias e verifique se existem denúncias anteriores antes de realizar qualquer doação”, explica o advogado.

Preços baixos

Outro golpe comum são as ofertas com preços muito abaixo do normal. “Desconfie se um produto é vendido por metade ou muito abaixo do preço de mercado. Na grande maioria das vezes você não receberá nenhum produto e o anúncio teve como objetivo roubar os dados do seu cartão de crédito e alguns dados pessoais como RG, CPF e endereço. Pesquise antes de comprar se o vendedor é confiável ou se já tem queixas contra ele”, complementa.

QR Codes

Cuidado também ao clicar em QR Codes desconhecidos ou suspeitos. “Em vários eventos e shows onde foram pedidas doações para entidades sérias, colocou-se um QR Code fake cobrindo o QR Code autêntico, o que leva a transferências de valores para contas de golpistas”, alerta.

Promoções gratuitas

Muita cautela com promoções do tipo “clique aqui, preencha o formulário e ganhe”. “Existe um ditado que diz, se algo é de graça, o produto é você, ou seja, se existe uma promessa para que você ganhe algo sem nada em troca, o que querem são seus dados pessoais”, frisa o advogado.

Caí no golpe. O que fazer?

Atualmente no Brasil existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos, caso a vítima tenha sido lesada em um golpe de uma fraude financeira ela deve buscar registrar a ocorrência.

“Em caso de vazamentos de dados como e-mail e senha, a recomendação é que o mais rápido possível a vitima busque trocar sua senha, e sempre lembrando que na maioria das plataformas já é possível ativar uma autenticação em dois fatores, dessa forma mesmo o fraudador tendo acesso a sua senha e e-mail ele não terá acesso a sua conta”, alerta Cedaro. 

Se houve prejuízos para o consumidor, ele deve também, além de acionar o Procon, procurar um advogado e entrar com uma ação judicial para reaver os bens.

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