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O Palácio Tangará mais parece a mansão milionária do poderoso Gatsby da obra de F. Scott Fitzgerald. Poderia ser confundido facilmente com um oásis da ficção, mas é pura realidade. Trata-se do único hotel 6 estrelas do Brasil e fica em São Paulo.

Tem 141 apartamentos – sendo 59 suítes –, academia, spa, área para crianças, piscinas externa e interna e terraços para eventos com capacidade para atender até 530 convidados. É um monumento de sofisticação no meio do Parque Burle Marx – longe da barulheira clássica da megalópole brasileira.

Com apenas 120 dias de operação, as acomodações ainda têm cheiro de tinta fresca e muitos desafios pela frente. O maior deles parece ter sido vencido com sua inauguração, já que por 18 anos o imóvel era apenas uma estrutura abandonada com uma história pautada por desilusões amorosas, falência e disputas judiciais. A salvação veio por intermédio de um conglomerado hoteleiro europeu que pôs fim ao hiato e financiou o projeto.

Antes de sua estreia, já era anunciado que ele seria “o primeiro hotel 6 estrelas do Brasil” — título que diretor geral do empreendimento, Celso David do Valle, garante ter sido dado pela imprensa. O Metrópoles viajou até a capital paulista e passou 24 horas no Palácio Tangará para avaliar se a experiência é mais do que um marketing caprichado.

Ao entrar no bairro Panamby, o concreto de São Paulo fica menos perceptível. O som dos carros diminui dando lugar a uma silenciosa estrada cercada por verdes. No meio da paisagem, a arquitetura clássica do Palácio Tangará surge como uma surpresa. Tanto na parte interna quanto na parte externa, duas fontes centrais decoram o pátio que, até pouco tempo atrás, estava abandonado.

Agência Estado/ Reprodução/Oekter/Divulgação

 

A saga do Tangará é digna de um filme de cinema. Na década de 1950, toda a propriedade do Panamby costumava ser uma chácara que pertencia ao magnata Baby Pignatari. Ele contratou Oscar Niemeyer para fazer uma casa e Burle Marx para projetar o jardim.  A obra seria uma residência feita especialmente para a segunda esposa, Nelita Alves Lima, mas não foi adiante porque o relacionamento chegou ao fim.

A estrutura em concreto permaneceu em pé e inativa até a década de 1990, quando foi demolida.  Após a morte do único herdeiro de Pignatari, a área foi adquirida por diversos grupos que prometiam construir um hotel de luxo jamais visto em território paulista.

Brigas judiciais, desentendimentos entre sócios e construtoras com dificuldades financeiras procrastinaram por 19 anos a inauguração.

A zica só acabou quando o conglomerado europeu de hotéis de luxo Oetker Collection entrou como investidor e tirou o projeto do papel. A marca reformou o espaço e fechou parceria importantes. A grande maioria dos móveis são de fabricação nacional, vários deles desenhados pela arquiteta Patrícia Anastassiadis que produziu o design das áreas sociais.

O ponto alto de quem chega ao hotel está nas obras de arte “Lux Capela”, de Laura Vinci, no foyer do Salão Cristal, e nas fotos de Rômulo Fialdini com ícones de São Paulo dentro das suítes. Quartos e corredores, todos com vista para o parque, têm a assinatura do arquiteto Willian Simonato.

No restaurante comandado pelo chef de cozinha Jean-Georges Vongerichten, os itens do cardápio são sofisticados. Como entrada para um bom almoço, o hospede pode pedir caviar e brioche tostado por R$ 235 ou um foies gras grelhado que sai por R$ 86.

De prato principal, o carré de cordeiro é o mais caro e custa R$ 112, mas vem sem acompanhamentos. Quem quiser complementar o prato pode escolher entre as opções de purê de mandioquinha, batatas frita, aspargos grelhados, cogumelos sautée ou pupunha de palmito que saem a R$ 32 cada.

Além disso, o espaço tem carta de vinhos elaborada pela sommelière Gabriele Frizon, com diversos espumantes, vinhos brancos e tintos leves, para serem harmonizados com os pratos. Apesar do cardápio ter preços variados, a conta de um simples almoço pode chegar a mais de R$ 500 facilmente.

Quem quiser relaxar no SPA após a farra gastronômica, terá de desembolsar, no mínimo, R$ 570 pelo tratamento facial mais barato. Um procedimento rejuvenescedor de 90 minutos com o produto da marca francesa de cosméticos de luxo Sisley, à base de rosas negras, sai por R$ 650. Massagens aromáticas com pedras quentes não custam menos que R$ 300.

A área de lazer composta por um centro fitness, piscinas interna e externa, bem como um kid’s club também fazem parte das instalações que têm 30.000 m².

“A proposta é diferente da hotelaria vigente do Brasil. Não é nem melhor nem pior. É diferente. Não estou desdenhando dos nossos concorrentes, mas o Palácio Tangará veio ocupar um lugar vazio no mercado. Somos mais que um quarto bonito bem decorado e de boa gastronomia”, diz o diretor geral do empreendimento, Celso David do Valle.

 

O hotel oferece 13 tipos diferentes de hospedagem. Embora as tarifas sejam flutuantes, atualmente, o menor valor da diária custa R$ 1.060 e o maior R$ 38.200. Todas as habitações têm acesso direto à vegetação do parque.

O menor quarto da categoria “Deluxe” tem 47 m² onde os hospedes podem usar as toalhas, os roupões e kits de banho da marca italiana Etro e são recebidos por espelhos gigantescos e sistemas de som que se conectam à SmartTV do quarto. Todos os jogos de cama são da marca Trussardi – o que consolida o propósito do hotel de utilizar materiais nacionais. Só o lençol de 300 fios da marca custa em média R$ 490 cada.

A riqueza está em cada detalhe. Um bilhete de boas-vindas com alguns macarons recebem os convidados na mesa principal do quarto. Ali também se encontra uma mensagem da governanta executiva — responsável por coordenar toda a limpeza do hotel, que vai desde os quartos até as áreas sociais. No chão, pantufas com a logomarca do Tangará e chinelos personalizados.

Mas nada se compara à suíte presidencial “Grand Suite São Paulo”, a maior e mais cara do hotel. São 530 m², sendo 280 m² de quarto e outros 230 m² de terraço. O espaço tem seis cômodos e parece um apartamento de luxo, com visa privilegiada, varanda ampla e decoração minimalista. A cozinha privativa é equipada com aparelhos modernos e o closet – totalmente espelhado – abre as portas para um banheiro recheado de produtos da Bvulgari. Para ficar no quarto, é preciso desembolsar R$ 30 mil.

O café da manhã tem uma oferta variada de frutas, pães, sucos e até champanhe. Os hóspedes, em sua maioria, já amanhecem vestidos como se fossem a um grande evento.

Embora o empreendimento de luxo esteja com poucos dias de operação, Celso revelou que a recepção tem sido extremamente positiva – mesmo com a atual crise econômica do país. “Um hotel é investimento de longuíssimo prazo. Se a gente pensar num momento ideal para montar um negócio, o país para”, avaliou o profissional.

Em resumo, o hotel cumpre o que promete. Se você está de passagem por São Paulo e deseja comemorar alguma coisa, a experiência é válida. Drinks, tratamentos estéticos, pratos do restaurante e qualquer outro pedido feito através do telefone do hotel são de alto padrão, por isso, prepare o bolso. Afinal, esse é o preço que se paga para relaxar como um rei em um palácio.



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