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A pesquisa Juventude Conectada, da Fundação Telefônica Vivo, ouviu 1.440 jovens de todo o país para entender o comportamento de pessoas de 15 a 29 anos na internet. As oportunidades e transformações da vida conectada para o jovem brasileiro foram analisadas a partir de quatro eixos: comportamento, educação, empreendedorismo e ativismo.

Uma das perguntas do estudo era: “Quanto tempo você fica conectado?”. Muita gente não entendeu o questionamento. Para todos os entrevistados, a internet faz parte de 100% do dia a dia, por meio da conexão móvel e dos celulares. Desconectar-se não é uma opção.

Especialistas investigaram os hábitos de pessoas de todas as regiões, com várias faixas de renda. Em Brasília, onde só foram ouvidos jovens entre 16 e 19 anos, chama a atenção o grau de engajamento nas redes sociais. Eles se mostram mais antenados e mais conscientes de seu papel cidadão do que os entrevistados da mesma faixa etária em outras capitais.

Um dos capítulos da pesquisa trata de ativismo on-line. Entre os entrevistados, 61% consideram importante manifestar opinião nas redes sociais. Por outro lado, 50% têm medo de tocar em temas polêmicos.

Os principais motivadores de conflitos em redes sociais:

  • Homofobia (mencionado principalmente por meninos e pelos jovens de São Paulo, Recife e Belém)
  • Racismo (citado somente nos grupos de Belém e Recife)
  • Gênero/Machismo (mencionado pontualmente por mulheres em São Paulo e Brasília)
  • Religião ou filosofia de vida (citado por todos os grupos, nem sempre em função de situações vividas por eles próprios)

Ainda com relação ao uso da internet, em especial das redes sociais, para praticar bullying, chamam a atenção, entre os jovens ouvidos nos grupos de discussão realizados em Belém e em Brasília, os
relatos sobre violência off-line iniciada de forma virtual.

Discussões e provocações que começam em sala de aula migram para as redes sociais e, delas, voltam para as ruas, em brigas físicas. Em Belém, a rivalidade entre escolas públicas exacerbou-se a ponto de requerer monitoramento policial para garantir um ambiente sem brigas ou agressões físicas.

Os desdobramentos da pesquisa foram apresentados e debatidos na quarta edição do Circuito Reflexão, Interação e Ação (R.I.A.), com a temática “Como empatia e protagonismo podem gerar mudanças sociais”.

Queremos fazer um debate propositivo diante da animosidade das redes sociais, que se instalou nas eleições de 2014 e extrapolou o campo virtual. Escolhemos a empatia como tema por acreditar que esse é o caminho da mudança"
Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica

A filósofa Márcia Tiburi foi uma das convidadas do R.I.A 2016. Ela falou sobre a animosidade on-line. “Estamos conectados o tempo todo, mas precisamos pensar na qualidade dessa conexão. A gente se conecta com quem está distante, mas se afasta dos que estão perto”. Ela também falou sobre a “difícil a construção de uma democracia ética e afetiva.”

Outra convidada do evento, a baiana Monique Evelle, 21 anos, é criadora do Desabafo Social, um movimento para ensinar e falar sobre direitos humanos, colocando o jovem como debatedor e produtor de conhecimento. Ela dividiu com a plateia de mais de 200 jovens a sua experiência de protagonismo.

Ouvir a vivência do outro pode ser uma das soluções para evitar polarizações e aumentar a empatia. Ainda assim, não há tecnologia mais poderosa que o diálogo"
Monique Evelle
Monique Evelle em sua participação no R.I.A

Monique Evelle em sua participação no R.I.A

Os resultados da pesquisa também podem ser vistos em forma de documentário:

Jovens da região Centro-Oeste

  • São os que mais concordam que a internet facilita a produção de conteúdos próprios
  • São os que mais concordam que as compras online facilitam a vida
  • São os que mais concordam ter passado mais tempo na internet do que pretendiam

A pesquisa também tem dados sobre empreendedorismo e educação. É possível acessá-la na íntegra aqui.



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