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Uma polêmica antiga faz ferver os nervos de 10 entre 10 noivas às vésperas do grande dia: a cobrança, segundo elas, exagerada por serviços como bufê, decoração e beleza apenas pelo fato de que a festa é em função da união de duas pessoas.

Pois essa mesma polêmica ganhou um capítulo quente nas redes sociais em Brasília esta semana, envolvendo de um lado uma noiva indignada e, do outro, um salão de beleza conhecido pela clientela exigente no Lago Sul.

Tudo começou quando a advogada Gabriele Junqueira procurou o salão Red Hair Make Up para fazer um orçamento do chamado Dia da Noiva, que geralmente oferece uma série de mimos e luxos, como quarto exclusivo, banheira e até massagem, às nubentes no dia do casório.

Como a cerimônia era simples e o preço salgado – entre R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil, segundo o salão -, Gabriele decidiu agendar cabelo e maquiagem com duas profissionais do salão, sem mencionar que era noiva.

O desabafo foi postado no Facebook na última quarta-feira (5/10) pela noiva e já tem quase 700 compartilhamentos. No texto, ela comenta que foi ao salão acompanhada de uma amiga, convidada do casamento. Pelo telefone, a atendente teria informado que os preços para os serviços seriam de R$ 200 para o penteado e R$ 220 para a maquiagem.

No dia combinado, no entanto, a amiga da noiva acabou comentando sobre o casório com os profissionais do salão. Na hora de pagar a conta, a surpresa: enquanto a amiga pagou o valor combinado, de R$ 440 pelo pacote, a conta da noiva bateu nos R$ 700 – R$ 350 para cada um dos serviços, preço acima do que ela esperava.

“A primeira resposta que eu ouvi foi: é porque você é noiva”, conta Gabriele. “Só que quando eu liguei a pessoa que me atendeu disse que a maquiagem tinha preço fixo”, continua. Sem querer confusão no dia do casamento, Gabriele pagou a conta e seguiu rumo ao altar.

Na terça-feira (4/10), quando voltou ao salão para conversar com a proprietária, ouviu que o valor cobrado estava correto e que era um “absurdo” ela não informar aos profissionais que era uma noiva.

“Eu poderia ser quem fosse. Não queria tratamento diferenciado. Meu casamento era informal e realmente não senti necessidade de informar. Eu queria uma maquiagem de madrinha e inclusive as referências de foto que levei para eles foi de clientes do próprio salão que não eram noivas”, conta.

Reprodução/ Facebook

A publicação de Gabriele repercutiu nas redes e chegou até o Red. No Facebook, o salão respondeu dizendo que a diferença de preço se justifica porque, mesmo que Gabriele não tenha marcado um horário como noiva, os profissionais do salão usaram “produtos diferenciados” e que “fizeram de tudo para realizar seus melhores trabalhos chegando até a atrasar suas agendas”.

Gabriele, no entanto, diz que não percebeu nenhuma diferença no atendimento que recebeu para o que sua amiga teve. “Elas ficaram sabendo que eu era noiva já no meio do serviço. Tanto que acharam que minha amiga era madrinha de outra noiva que estava se arrumando lá. Não sei o que ela usou de diferente, não percebi, mas fui atendida exatamente na mesma cadeira que a minha amiga, recebi o mesmo tratamento. Éramos duas amigas indo juntas ao salão num dia normal”, afirma.

Dia da Noiva
Sobre o ocorrido, a proprietária do salão, Karine Cavalcanti, diz que o Red tem como norma não atender noivas sem contrato e sem realização de prévia – quando é feito um “teste” de maquiagem e penteado dias antes da cerimônia. “A gente preza pela qualidade para que nada saia errado e que não demore mais que o tempo normal. Nos especializamos nisso, investimos nesse serviço. Até um gerador compramos para que a falta de energia não atrapalhe o atendimento da noiva”, justifica.

Segundo Karine, o preço cobrado de Gabriele não configura sobretaxa por ela ser noiva e sim pelo tipo de serviço prestado, pois ela teria chegado ao lugar com apliques, o que demanda mais trabalho por parte do cabeleireiro, além do uso de sprays e produtos dedicados apenas a noivas.

Ficamos tristes porque não é assim que trabalhamos. O valor cobrado dela teria sido cobrado de qualquer outra cliente, sendo noiva ou não, pelo mesmo serviço. Ela compara o trabalho feito nela com o da amiga, mas é como comprar um sapato preto. Você pode comprar na Arezzo ou no Louboutin. Os dois são bons, mas um custa R$ 200 e outro R$ 1,5 mil."
Karine Cavalcanti, proprietária do Red Hair Make Up

Segundo Karine, pacotes simplificados para quem não quer contratar o Dia da Noiva podem ser contratados com o salão, desde que previamente combinados para que os profissionais estejam preparados e com tempo suficiente disponível.  “Ninguém é obrigado a contratar nosso serviço”, conta.

No entanto, Felipe Mendes, analista de direito do Procon-DF, diz que o salão errou ao aumentar o preço e a qualidade do serviço prestado sem alertar a cliente antes. “A prática do Dia da Noiva é consolidada já. Pode haver diferença de preço, mas desde que o serviço seja contratado pela cliente”, explica.

“O estabelecimento não pode fazer a alteração do serviço e informar à cliente na hora do acerto. Se houve algum serviço especial sem solicitação prévia, o Código de Defesa do Consumidor entende isso como agrado, amostra grátis, e ele não pode ser cobrado”, continua.

Nesse caso, ainda segundo Felipe, cabe uma reclamação junto ao órgão ou uma ação judicial para pedir que o salão devolva a quantia extra cobrada a mais em dobro. “É tido como pagamento indevido”, diz.

O Red Hair, por outro lado, diz que não houve acordo prévio do valor, como afirma Gabriele, e que a tabela de preços do salão é flexível. Assim, o total passado por telefone na hora do agendamento é apenas uma média, já que o serviço depende de uma série de fatores, como tamanho e tipo de cabelo, por exemplo, e da complexidade do penteado e da maquiagem a serem realizados.

 



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