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“Todas as negociações entre o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tiveram um só objetivo – evitar um conflito entre a Rússia e os EUA na Síria. Quanto aos outros aspetos, não pode haver qualquer cooperação eficaz porque o nosso país e os EUA têm objetivos absolutamente diferentes. Para a Rússia é manter a República Árabe Síria como um país amigo, pacífico e único. Para os EUA (o objetivo) é a derrota do presidente sírio, Bashar Assad e a divisão do país em quase-estados sob o seu controle”, disse o cientista político da Universidade Econômica Russa Plekhanov, Aleksandr Perendzhiev.

Perendzhiev destacou que ainda não está claro o que poderá acontecer depois das presidenciais nos EUA. “Não está claro quem ficará no poder. Também não é clara a política que a nova administração irá seguir. A administração atual em Washington age segundo o princípio ‘quanto pior, melhor’ e faz tudo para que a cooperação bilateral na Síria seja reduzida a zero. Se Hillary Clinton vencer, nada poderá ficar pior. Se o presidente for Donald Trump, que tem a intenção de melhorar as relações com a Rússia, terá de sair do nível zero para o nível normal”, disse o cientista político.

Perendzhiev pensa que um conflito militar global entre a Rússia e os EUA será evitado, mas que são possíveis confrontos na Síria.

“Infelizmente, é possível um conflito militar entre a Rússia e os EUA na Síria. Além disso, tal já aconteceu de forma indireta quando os norte-americanos lançaram bombas contra unidades das forças governamentais sírias onde estavam conselheiros militares nossos e quando a parte russa bombardeou terroristas entre os quais estavam norte-americanos”, acrescentou Perendzhiev. Ao mesmo tempo, o especialista espera que não haja um confronto militar direto. Pelo menos, dois anos atrás foi organizada uma linha telefónica de emergência que permite ter uma conversa de alto nível e resolver o assunto. A Rússia tem dito repetidamente que, ao escolher os alvos a bombardear, verifica de forma cautelosa os dados de reconhecimento e só depois toma decisão sobre um ataque. As acusações de que a Rússia alegadamente ataca instalações civis na Síria nunca foram provadas.

 

 

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