Conheça a nova Chapada dos Veadeiros
Junto com a lenda, apareceu um novo perfil de moradores e turistas: os gypsetters. Tribo de jovens que viajaram o mundo, moraram em diversos países e trocaram a vida agitada e cheia de eventos sociais das grandes metrópoles pela calmaria no interior do Centro-Oeste brasileiro.
Com a chegada desses atores, modelos, artistas, empresários e herdeiros, o lugar vem ganhando cada vez mais os holofotes entre as rotas turísticas. Os atores Thaila Ayala, Daniel de Oliveira e a esposa Sophie Charlotte, por exemplo, passaram a virada do ano de 2015 na Chapada.
Em 2016, Júlia Faria, Reynaldo Gianecchini, Maria Paula Fidalgo, Bruna Linzmeyer, Paolla Oliveira, Caio Castro, Antonia Moraes e Wagner Santisteban também integraram o time que se rendeu aos encantos do cerrado. Já nos primeiros dias de 2017, outros globais vieram conferir as belezas naturais da região e viraram notícia ao publicarem fotos sem roupa em visita à Chapada.
Mesmo preferindo comunidades afastadas, os gypsetters não abandonam a ponte aérea e precisam viajar de vez em quando. É o caso da modelo mineira Lea Cerezo, que tem trabalhos agendados em várias cidades do mundo, principalmente na Europa, mas há cerca de um ano e meio, sempre que consegue, volta para a Chapada.
No fim do ano passado, ela esteve na Tailândia, passou o ano novo na Itália com a mãe, em seguida correu para o refúgio em Goiás, onde conversou com o Metrópoles. Dois dias depois, iria para Paris e em menos de uma semana voltaria para Alto Paraíso.
Gostaria que aqui fosse a minha base. Estou procurando um terreno. Desde a primeira vez que estive aqui foi algo inexplicável, um chamadinho mesmoLea CerezoA modelo sempre gostou da natureza e já tinha ouvido falar do paraíso no interior do Centro-Oeste. Mas conheceu a cidade por influência da amiga e moradora da região, a designer Daniela Carvalho. "Criei um carinho forte com as pessoas daqui e cheguei a ter uma casa fixa na região por um ano", conta. Antes dessa temporada, a mineira morava em Ibiza, na Espanha, e consegue enxergar similaridades entre as duas cidades, principalmente o crescimento de turistas. “Deixei Ibiza porque a ilha ficou dominada por forasteiros e perdeu o sentido de comunidade que era tão forte, antes”, assume. É possível ver a mesma tendência no refúgio goiano.

Eram seis lojas na avenida principal; hoje tem mais de 100. Em 2007, comprei meu terreno de dois mil metros quadrados, onde um rio passa na frente, por R$ 7 mil. Hoje isso é impraticávelAdriana CustodioUma propriedade nos mesmos moldes atualmente não sai por menos de R$ 200 mil. Mesmo assim, a empresária criou um oásis no meio do barro: o espaço "Coisas da Drica" que fica na avenida principal de Alto Paraíso -- e não passa despercebido. Bem colorido, o lugar reúne peças garimpadas que ficam expostas na lojinha e tem um restaurante, recomendado até pela chef Mara Alcamim, do Universal Diner de Brasília.
Uma boa dica é admirar o nascer e o pôr do sol. Frequentador da Chapada há 30 anos e guia cadastrado há três, Maurão Seadi dá a dica: "Um dos melhores pontos do amanhecer pode ser visto do Morro do Pouso Alto. Dependendo do dia, é possível ver o sol chegando por um lado, a lua descendo no outro e o balão de ar saindo para o primeiro passeio do dia. É incrível", conta.
Ele percebe a diferença de público nos últimos anos. "Mudou bastante, cresceu muito. Antes era só a molecada e os hippies, agora vem gente de todos os estilos e dá um pouco de tudo", diz. Maurão ainda destaca que a Chapada dos Veadeiros oferece opções de passeios para todos os perfis. "Recebo senhoras, famílias com crianças, jovens e não tem dificuldade em montar roteiros que agradem a todos", explica.
Para montar o seu, se liga nas dicas:

Adriana Custodio, 43 anos, comanda o espaço "Coisas da Drica", em Alto Paraíso. Em sua outra vida, como fala dos dias vividos antes de chegar à cidade goiana, era gerente de lojas de luxo em São Paulo. Conhecia muita gente, tinha uma vida social bem agitada, morou um ano na Europa e então veio a depressão. Faltava algo. Voltou ao Brasil para se encontrar.
Vi aquele monte de hippies, alternativos e pensei: ‘É isso, me descobri.’ Vim para Alto e estou aqui há 12 anos. Aqui encontrei meu companheiro, temos três filhos.
Pela internet, descobriu o encontro "O chamado do beija-flor", em São Paulo. Vi aquele monte de hippies, alternativos e pensei: 'É isso, me descobri'. Vim para Alto e estou aqui há 12 anos. Encontrei meu companheiro, temos três filhos e construí meu negócio. Vendia de porta em porta pão, arte, quadros, artesanato e meus pertences de São Paulo. Logo, todos queriam ver as 'coisas da Drica'".

A artesã e designer Daniela Carvalho saiu de Uberlândia aos 17 anos para entrar no mundo da moda. Ficou em primeiro lugar no concurso "The Look of the Year" da Elite Model, morou em São Paulo por seis meses e depois foi para a Itália. Em 2000, conheceu uma famosa festa de música eletrônica na Chapada. Adorou o lugar.
Por indicação de Dani, a irmã também foi à cidade, onde acabou sendo pedida em casamento e resolveu que a celebração deveria ser lá mesmo. A ex-modelo organizou todo o casório e não saiu mais do centro-oeste do Brasil.
Me identifiquei muito com o ritmo da cidade – bem diferente das grandes metrópoles –, a energia dos cristais despertou meu lado criativo.
Começou a fazer trabalhos com couro após um acidente. Mais uma vez o universo conspirou a favor: a amiga e top Lea Cerezo começou a desfilar as peças de Dani entre seu ciclo de amizade e a estilista Helô Rocha, herdeira da Riachuelo, adorou as bolsas. O encontro rendeu um desfile inspirado na cidade goiana e uma coleção de acessórios. Atualmente, a Manitú pode ser encontrada na loja de Dani em Alto Paraíso, a Madre Terra, e em Trancoso

O engenheiro Damien Albisty, 35 anos, é francês, mas mora desde 2013 em Alto Paraíso com a esposa, a francesa Sitha -- professora de ioga e terapeuta de medicinas diversas -- e os dois filhos, Estela, 3 anos, e Theo, 1. Viemos quando minha esposa ficou grávida. Não queríamos ficar mais na cidade grande, preferimos um lugar mais perto da natureza. Vimos vários lugares, mas aqui foi o único que pensamos em morar mesmo.
Moramos três anos no Rio e depois um ano em São Paulo e não achávamos que era um bom lugar para criar os filhos. Vimos vários lugares, mas aqui foi o único que pensamos em morar mesmo.
O engenheiro reconhece que a cidade cresceu em comparação a quando se mudou com a família. Vê os lados positivos e negativos desse fato. "Nos feriados aumenta ainda mais a quantidade de pessoas na cidade, mas o turismo é necessário para a economia local. Só espero que não cresça muito mais, gosto da paz que temos aqui", desabafa.
Depois do sucesso, mais pessoas procuraram o Parque em busca de espiritualidade, e outros líderes começaram a chegar. “Mestres de maior qualidade espiritual, trazendo grande luz", avalia a gaúcha Geetika Sampatti, 67 anos, proprietária do Gota Sat Som.
Um exemplo é o guru brasileiro Sri Prem Baba. Ele guia o movimento Awaken Love, que entre outras práticas defende a ideia do despertar e renascimento para uma nova humanidade através do amor. Prem Baba e o movimento apoiam a força-tarefa global dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Com essa ação, o guru pretende melhorar a qualidade de vida dos moradores da Chapada.