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Depois de retornar mais cedo das férias a Brasília e dizer que recuaria da decisão de reajustar as tarifas caso a Câmara Legislativa subsidiasse as passagens, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) se reuniu com distritais na noite desta segunda-feira (2/1). Em pouco mais uma hora de conversa no Palácio do Buriti, não houve acordo. Ao final, o governador disse que, caso a Câmara Legislativa cumpra a ameaça de convocar sessão extraordinária para a próxima quarta (4) e revogar o aumento, ele entrará na Justiça para fazer valer a correção.

O governador abre mão apenas de reduzir de R$ 5 para R$ 4,50 as tarifas de longa distância e do metrô, mas colocou uma condição: os distritais teriam que rediscutir a gratuidade absoluta para os alunos da rede privada de ensino. O governo quer reduzir o subsídio de 100% para esses estudantes e espera contar com a Câmara. Questionado sobre qual a resposta dos deputados a respeito da proposta, o governador disse: “Nós estamos aguardando o retorno do presidente da Câmara, Joe Valle (PDT).”

Rollemberg reforçou que o Executivo não tem como abrir mão do reajuste de todas as tarifas, pois, desta forma, “o sistema pode entrar em colapso”. O reajuste foi anunciado no apagar das luzes de 2016, na última sexta-feira (30), e começou a valer nesta segunda (2) para mais de um milhão de usuários do sistema. Destes, segundo o governo, 60% pagam diariamente a tarifa mais barata, que passou de R$ 2,25 para R$ 2,50.

Os distritais insistiram no recuo de todos os aumentos aplicados sobre as passagens a partir desta segunda (2). Disseram que podem até repassar R$ 50 milhões do orçamento da Casa para os subsídios, que têm custo anual de R$ 600 milhões. A condição, porém, é que o governo revogue totalmente o reajuste. Sem acordo, os deputados foram deixando a reunião mais cedo. Ao final, apenas Joe ficou para discutir as propostas.

Após a reunião no Buriti, por telefone, o presidente da Câmara adotou um tom mais ameno que o da sua posse no primeiro dia do ano. Disse que não quer transformar o aumento das passagens em uma guerra entre os poderes. “Caso isso ocorra, só quem perde é o cidadão . Vamos colocar recursos da Câmara à disposição do transporte, trabalhar para ajudar a achar saídas . Estamos fazendo o nosso papel , acho que o diálogo está acontecendo e essa é saída”, ponderou. O distrital não confirmou a convocação extraordinária para a quarta-feira.

Além de Joe, estavam presentes na reunião os deputados Julio Cesar (PRB), Raimundo Ribeiro (PPS), terceiro-secretário, Wasny de Roure (PT), Chico Leite (Rede), Wellington Luiz (PMDB), vice-presidente, e Rodrigo Delmasso (PTN).

Os distritais não gostaram nada da declaração de Rollemberg ao Metrópoles sobre a condição de recuar no aumento somente se a Câmara desse subsídio para as passagens. “A Câmara não pode ser alvo de chantagem”, disse Raimundo Ribeiro, ao deixar a reunião com o governador. Já Wellington Luiz classificou a correção de até 25% nas tarifas como “excrescência”. Os dois deixaram a reunião antes do término.

Além da pressão política, o Executivo terá de lidar com a insatisfação popular. O fim da tarde desta segunda (2/1) foi marcado por protesto na área central de Brasília, que travou o trânsito no horário de pico. A manifestação foi acompanhada pela Polícia Militar, mas não houve confronto. Na quarta (4), os manifestantes prometem se reunir no mesmo local para pressionar o governo.

As novas tarifas foram anunciadas na última sexta (30) pelo governo e representam a segunda elevação nos preços do transporte desde o início do governo Rollemberg. Os valores passaram de R$ 2,25 para R$ 2,50 nas linhas circulares e alimentadoras do BRT (aumento de 11%); R$ 3 para R$ 3,50 (aumento de 16%) nas linhas metropolitanas “curtas”; e de R$ 4 para R$ 5 (aumento de 25%) no restante das linhas, além do metrô. (Colaborou Suzano Almeida)

Confira fotos do protesto da tarde desta segunda-feira (2/1)

 

 

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