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Pelo menos 53 pessoas são suspeitas de participação do esquema que teria provocado um rombo de R$ 3,8 milhões no Banco de Brasília (BRB). Sete delas foram presas preventivamente nesta terça-feira (18/10,) durante a terceira fase da Operação Revés, deflagrada pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil. Três estão foragidas.

Quatro pessoas já estavam detidas preventivamente desde as duas primeiras fases da operação, que ocorreram entre 4 e 13 de outubro. Outros 22 suspeitos respondem em liberdade.

A Polícia Civil identificou, nesta terceira fase, um “esquema dentro do esquema” com a participação de outras três empresas no golpe, todas localizadas no Gama, onde a quadrilha atuava. São elas: Gama Auto Center, Ferragens Guarani e De Gata Calçados, que teria feito o pagamento antecipado de R$ 840 mil referentes a dívidas diversas com fornecedores. A movimentação chamou a atenção dos investigadores. O Metrópoles não conseguiu contato com as empresas até a última atualização desta reportagem.

A organização criminosa, de acordo com a Polícia Civil, montou uma estratégia sofisticada para lesar o banco. A fraude, aplicada em um posto de conveniência do BRB, no Gama, incluía a falsificação de documentos para a realização de depósitos e pagamento de títulos.

Reprodução/Polícia Civil
Entre os presos em 4 de outubro, está Luiz Carlos dos Reis, mais conhecido como Iti, candidato a deputado distrital em 2014 pelo PPS. Iti é dono de dois postos de combustível. Um deles, o Iticar, próximo ao Aeroporto de Brasília. Ele é irmão de um policial civil aposentado, também preso na operação.

Um laranja, usando o registro civil de uma vítima de roubo, fez pelo menos 22 depósitos, que somaram R$ 102 mil. O mesmo homem também pagou boletos bancários referentes a uma série de serviços prestados, totalizando mais de R$ 3 milhões. O volume de recursos foi considerado incompatível com o movimento diário do posto de conveniência do BRB.

Os investigadores ainda identificaram que havia a participação do titular da agência de correspondência bancária, Ramon Carvalho Maurício, e dos filhos dele, Ramon Filho e Letícia Dantas, que tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Do valor total fraudado pela quadrilha, o BRB conseguiu bloquear R$ 600.

Ao descobrir o impedimento do banco, Ramon Carvalho entrou com um processo contra a agência. “A sensação de impunidade era tão grande que, não satisfeitos em fraudar o banco, eles ainda entraram com um processo contra o BRB para reaver o dinheiro”, ressaltou o delegado-chefe da DRF, Fernando César Costa.

Divicom/Divulgação

Fernando César Costa, delegado-chefe da DRF

Durante a investigação da DRF, os policiais encontraram indícios de que o grupo tentava camuflar os pagamentos entre várias empresas de valores. Esses repasses chegavam próximo a R$ 5 mil, limite diário autorizado para esse tipo de operação.

Negócio paralelo
Em coletiva à imprensa na manhã desta quarta, o titular da DRF, Fernando César, disse que o “esquema dentro do esquema” ocorria sem o conhecimento de Ramon, que coordenava as ações. Gabriel Maurício Martins, gerente da agência de correspondência bancária, e dois irmãos dele, Lourenço Maurício Martins e Daniel Maurício Martins, que também possuem uma conveniência do BRB no Gama, começaram a captar outras empresas com o objetivo de lesar o banco. Todas as transações fraudulentas ocorreram em 19 de fevereiro.

“A identificação desse segundo esquema levou um pouco mais de tempo porque eles (os suspeitos) não usaram boletos fraudulentos. Eram boletos que tinham para contratação de serviços. Chegaram a antecipar cinco meses de dívidas. Várias empresas antecipando pagamentos de tributos, de fornecedores, em um momento de crise como esse, chamou a atenção da polícia e do banco. Os repasses eram feitos para os irmãos e poderiam ser até mesmo parcelados“, explicou o delegado Fernando César Costa.

 


 

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