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Desde 2008, Reinaldo Rodrigues, 37 anos, sonha com a casa própria. Quando o GDF lançou o Minha Casa, Minha Vida/Morar Bem em Samambaia, em parceria com o governo federal, o servidor público correu para se inscrever. Oito anos após o programa habitacional ser anunciado, quem apostou na iniciativa se divide em dois grupos. Um deles reúne as famílias que conseguiram pegar as chaves e hoje moram na região. O outro ainda aguarda o capítulo final da novela, que não tem data para acabar.

O Projeto H4 foi anunciado em 2008 com pompa: a previsão era construir 18 prédios: nove edifícios com 56 moradias, seis com 54 e três com 60. As habitações, entre 44m² e 48m², teriam dois quartos, sala, cozinha e banheiro. As obras de parte do complexo, no entanto, só foram iniciadas em 2011, com uma série de problemas.

Das 1.008 unidades que seriam construídas, apenas 128 foram entregues. Outras 728 estão em obras, mas sem data para a entrega. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) espera resolver a situação desses imóveis até o próximo ano.

No entanto, as famílias que esperam os cerca de 150 apartamentos restantes são as mais angustiadas, pois a construção dessas habitações foi interrompida e não existe sequer previsão para a retomada das obras.

Entrada de R$ 14 mil
Reinaldo Rodrigues está justamente no grupo de quem não tem ideia de quando poderá realizar o sonho da casa própria. Ele pagou R$ 14 mil de sinal por um apartamento do Residencial Dias de Oliveira, na QR 110, em Samambaia Sul, que integra o projeto habitacional do GDF. Mas poucos meses depois, a construção do edifício foi interrompida, com apenas 29% concluídos.

Segundo Rodrigues, ele e os demais beneficiários do programa foram informados de que era preciso promover uma adaptação na obra, reduzindo a quantidade de apartamentos no edifício. Mas até agora, nada foi feito.

Procurada pela reportagem, a Codhab confirma a situação. “O Residencial Dias de Oliveira teve a contratação da obra em 21 de junho de 2013, com a mesma paralisada meses depois. Para a retomada dos serviços, é necessário superar uma adequação no projeto, que reduz a quantidade de unidades habitacionais de 60 para 50”, disse a companhia, por meio de nota.

Ou seja, famílias que estão esperando por uma casa há oito anos vão ficar sem os imóveis porque eles resolveram reformular o projeto. Como não decidiram isso antes? Por que demorou tanto tempo para chegarem a essa conclusão?"
Reinaldo Rodrigues, servidor público

Na próxima segunda-feira (10/10), haverá uma reunião entre a Codhab, os futuros moradores, a construtora responsável pelas obras e a Caixa Econômica Federal — que financiará os apartamentos. No entanto, Rodrigues não acredita que algo mudará. “Depois de tanto tempo, acho que nada vai mudar. E continuamos no prejuízo.”

 

 

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