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Quase oito em cada 10 famílias brasilienses entram o ano que começa neste domingo (1º/1) endividadas. Na contramão dessa realidade, um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) aponta que os jovens estão sabendo lidar com as finanças. Do total de brasileiros entre 18 e 30 anos entrevistados, 70% garantem planejar seus gastos.

De acordo com a pesquisa, realizada com pessoas de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal, 83,5% dos jovens se consideram responsáveis com as finanças e 75,1% garantem ser econômicos. O bacharel em administração de empresas Vitor Pompeu, 26 anos, se enquadra nesse perfil. Desde mais jovem, ele costuma controlar os gastos e fazer planos de utilização do dinheiro.

“Decido quanto quero economizar a cada mês e já deixo a quantia guardada porque tenho em mente que quero atingir um objetivo”, diz Vitor, que já trabalha. Ao fim de cada ano, o jovem faz um balanço no qual analisa o quanto economizou e já planeja a meta de poupança para o ano seguinte, projetando objetivos para o futuro, como viagens.

Arquivo Pessoal

Vitor, 26 anos, planeja bem os seus gastos e economiza para viagens

Hoje, Vitor faz seu controle financeiro por meio de planilhas no computador, grupo que representa 24,3% dos entrevistados pela pesquisa do SPC. Já 10,6% dos jovens controlam os gastos com a ajuda de aplicativos de celular. Apesar dessas possibilidades mais tecnológicas, o bom e velho caderno de anotações ainda é o método mais utilizado pela juventude — 32,9% do total.

Já entre os que não fazem planejamento financeiro, 24,6% afirmam controlar de cabeça os gastos; 5,2% dizem não ter nenhum tipo de controle; e 2,4% têm as finanças gerenciadas por outra pessoa. Os homens se preocupam menos com esse tema do que as mulheres: 59,4% dos entrevistados do gênero masculino fazem o planejamento, contra 76,4% das voluntárias do gênero feminino.

Ainda de acordo com o estudo, a maioria dos jovens que não faz controle financeiro — 22% — alega a falta de hábito como principal causa para tal comportamento. Para Vitor Pompeu, o exemplo da família foi essencial.

Desde cedo, meus pais me ensinaram a cuidar bem do dinheiro. Peguei os ensinamentos deles e adaptei para as minhas necessidades. A partir daí, aprendi a administrar o dinheiro para conseguir alcançar meus objetivos"
Vitor Pompeu

Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) Roberto Bocaccio Piscitelli, especialista em economia doméstica, é essencial que o planejamento financeiro seja ensinado desde cedo para meninos e meninas. “Esse tema é muito importante e deve ser mais discutido nas escolas e na vida em família. Os pais devem também dar à criança uma noção de finanças da casa, para que os pequenos entendam a importância do uso parcimonioso dos recursos financeiros”, finaliza.

Segundo Piscitelli, a juventude atual tem uma grande vantagem na hora de gerenciar as finanças: a facilidade no acesso à informação. “As pessoas hoje estão mais informadas e isso pode ajudar a explicar a alta taxa de jovens que age com responsabilidade em relação ao dinheiro. Além disso, pode ser que tenham convivido com dificuldades das gerações anteriores e aprendido a lição”, diz o professor.

Principais gastos
A pesquisa também avaliou os principais gastos fixos dos jovens brasileiros. A conta mais recorrente é a de internet (80,1%), seguida por água e luz (75,1%), telefone (68,9%), cartões de crédito (63,1%) e TV por assinatura (55,1%).

Entre as faturas em dia, as mais citadas pelos entrevistados foram TV por assinatura, financiamento de automóvel, água, luz e telefone. Já entre os débitos em atraso e que levaram à negativação do nome dos entrevistados, aparecem empréstimos com bancos, crediário/carnês, cheque especial, financiamento de imóveis e parcelas a pagar em cartões de lojas.

 

 

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