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Quantas vezes não sentamos com amigos e relembramos a cultura pop de quando éramos crianças? As boas risadas dessas conversas atestam que as crianças das décadas de 1980 e 1990 tiveram uma experiência cinematográfica riquíssima.

Estamos em uma era nostálgica, que abusa de nossa saudade para nos vender um pedacinho da nossa infância. Mas para que nos contentarmos com derivados quando ainda podemos aproveitar os originais? Neste Dia das Crianças, listamos sete filmes que os adultos de hoje lembrarão, mesmo sem tê-los vistos há décadas, e sugerimos uma sessão com seus filhos, sobrinhos ou afilhados.

Desconsideramos alguns candidatos óbvios como “Goonies”, “Curtindo a Vida Adoidado”, “De Volta para o Futuro” e “Gremlins”, para privilegiar clássicos menos lembrados.

Quero ser Grande

“Quero ser Grande”, de Penny Marshall (1988)
Uma noite, num parque de diversões, o jovem Josh (David Moscow) sofre a humilhação de ser pequeno demais para andar na montanha-russa (quem nunca?). Em outro canto do parque, ele encontra uma máquina com um misterioso vidente, Zoltar. Ao colocar uma moeda na máquina, faz o pedido do título e no dia seguinte acorda com 30 anos de idade, embora mantenha a cabeça de 12 anos. Fundamental por refletir uma fantasia universal entre as crianças, o filme explica de maneira divertida que tudo tem sua hora. Josh se muda para Nova York e arranja emprego numa fábrica de brinquedos (afinal, ele sabe do que os adolescentes gostam). Assim, consegue dinheiro para alugar um apartamento gigante e enchê-lo com tudo o que sempre quis. Mas logo as pressões da vida adulta começam a afetá-lo, e Josh vê que está prestes a perder a infância de vez.

  • O único problema de mostrar este filme para uma criança será explicar que esse famoso piano gigante não existe mais.
Uma Cilada para Roger Rabbit

“Uma Cilada para Roger Rabbit”, de Robert Zemeckis (1989)
Durante os anos 1940, humanos e personagens de desenho animado convivem e interagem uns com os outros. Quando o dono do maior estúdio de desenhos animados em Hollywood é encontrado morto, todas as suspeitas recaem sobre Roger Rabbit (voz de Charles Fleischer), que está desaparecido. Eddie Valiant (Bob Hoskins) é o detetive particular que terá de resolver uma trama repleta de intriga e personagens inesquecíveis, como a esposa do coelho, Jessica Rabbit.

  • A trama pode ser um tanto complexa para uma criança, mas as trapalhadas lunáticas de Roger e os outros desenhos, incluindo uma gangue de doninhas, um bebê com voz de durão e um juiz malvado, são mais do que suficientes para ficarem na memória. Além de ser uma excelente porta de entrada para o gênero noir e histórias de detetive, “Uma Cilada para Roger Rabbit” trabalha temas de discriminação e planejamento urbano.
Karate Kid

“O Karatê Kid — A Hora da Verdade”, de John G. Avildsen (1984)
Daniel (Ralph Macchio) muda para a Califórnia com a mãe quando ela recebe uma proposta de emprego imperdível. Começando a vida em uma nova cidade e numa nova escola, o jovem de ascendência italiana vira vítima de bullying até ser resgatado pelo jardineiro idoso de seu prédio, Miyagi (Pat Morita). Após a revelação que Mr. Miyagi é um mestre em caratê, Daniel pede que ele seja seu sensei e professor nas artes marciais.

  • Além dos clássicos ensinamentos de um dos mais conhecidos professores da história do cinema, o filme encoraja as crianças a criarem autoconfiança e a procurarem forças dentro deles mesmos para lidar com os problemas da vida. Além disso, valoriza disciplina, dedicação e trabalho.
Os Fantasmas se Divertem

“Os Fantasmas Se Divertem”, de Tim Burton (1988)
Existe comédia após a morte no filme em que um casal morto num acidente de carro (Alec Baldwin e Geena Davis) resolve continuar morando na mesma casa onde viveram. O problema é que, como pessoas normais não os enxergam, uma nova família compra a casa e está de mudança. A fim de espantá-los, o casal resolve assombrar a casa com a ajuda da filha gótica da família, Lydia (Winona Ryder), e Beetlejuice (Michael Keaton), um “assombrador profissional”.

  • Até hoje, “Os Fantasmas se Divertem” é uma das comédias mais absurdas feitas por um estúdio de Hollywood. Embora trate de temas macabros, o filme é pura comédia e fantasia. Mesmo assim, fala de temas como nossa impermanência e, depois que Beetlejuice se apaixona por Lydia, da importância de valorizarmos nossas vidas. Talvez sirva até como uma porta de entrada para se discutir o tema da morte com pequenas crianças.
A Princesa Prometida

“A Princesa Prometida”, de Rob Reiner (1987)
Quando seu neto fica resfriado, um avô (Peter Falk) resolve sentar ao lado da cama dele e ler a fábula “A Princesa Prometida”. Relutante, pois contos-de-fada são “coisa de menina”, o jovem vai se interessando cada vez mais por essa história que envolve princesas, piratas, gigantes, ogros, espadachins, fazendeiros e um rato gigante.

  • Qualquer um que considere “Shrek” uma reinvenção de contos de fada ou até mesmo um bom filme, claramente, nunca ouviu falar desse clássico. Imperdível para crianças que adoram uma história de aventura com comédia e inteligência.
Corra que a Polícia Vem Aí

“Corra que a Polícia Vem Aí”, de David Zucker (1988)
Em matéria de risadas, nada vai bater o eterno Leslie Nielsen no papel do detetive Frank Drebin trapalhão. Incumbido de desarmar uma conspiração para assassinar a Rainha da Inglaterra numa visita de estado aos EUA, Drebin e seus colegas Nordberg (OJ Simpson) e Hocken (George Kennedy) causam o mesmo tanto de confusão quanto acabam resolvendo.

  • Pastelão no melhor sentido da palavra, “Corra que a Polícia Vem Aí” usa e abusa de comédia física, trocadilhos, referências e da genialidade.
Feitiço do Tempo

“Feitiço do Tempo”, de Harold Ramis (1993)
Phil Connors (Bill Murray) é um repórter rabugento escalado para cobrir um festival local numa pequena cidade de interior. Após ter um dia dos infernos, ele resolve ir dormir para partir no dia seguinte. Mas quando acorda vê que está repetindo o dia anterior. O estranhamento vira desespero, que depois se torna diversão e finalmente realização, pois toda vez que Connors vai dormir, acorda sempre no mesmo dia maldito.

  • A artimanha é simples: com um protagonista que não precisa se preocupar com as consequências de seus atos, “Feitiço do Tempo” é uma carta branca para comédia extravasada. Acontece que, escondidinhas lá dentro, estão várias vertentes da filosofia, e a mensagem final do filme, de que a vida existe para nos tornarmos a melhor versão possível de nós mesmos, é fundamental para quem quer criar boas crianças.
spoilers
 


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