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Dentro de casa, com a panela no fogo, muitos cervejeiros (e cervejarias) dão os primeiros passos. Um caminho longo e lento, mas prazeroso. Deve-se entender a técnica, explorar as possibilidades, refazer as receitas e aprender com os erros. Imagine fazer tudo isso com mil, dois mil litros? No início, é inviável. As histórias se repetem porque o melhor caminho para quem deseja aprender a fazer a bebida costuma passar pela boca do fogão. Mas, como começar e o que fazer para não arruinar tudo?

Fiz um novo curso, dessa vez com duração de um dia, na Candango Brau. O professor e dono da escola, Andreas Nagl, como bom alemão, tem muito a ensinar. Cada aluno usa sua panela, escolhe o estilo e faz a sua bebida sozinho, sob orientação do mestre. A minha primeira cerveja saiu daquela sala e era uma IPA com malte CaraRed e rapadura.

Fim das lições, hora de arriscar dentro de casa. Eu e meu pai, grande parceiro de aventuras, compramos panelas de 30 litros pela internet, mas hoje você as encontra em lojas de insumos cervejeiros e até naquelas lojinhas na W3. Há também muitas ofertas de kits cervejeiros com a “cozinha” toda preparada. O lado bom dessa opção é que os equipamentos são montados de uma só vez. Comprou, chegou, montou, pode começar a produzir. Existem opções inclusive para volumes mínimos, adequados até mesmo para apartamentos. O lado ruim é que a estrutura é engessada. Se você quiser produzir em maior quantidade, vai ter que ir atrás de outras panelas.

Nós optamos por comprar os equipamentos separadamente, e aí o improviso inteligente é o rei das situações. Por exemplo, como ainda não tínhamos chiller (equipamento usado para esfriar o mosto de 100ºC para 24ºC), colocávamos a panela dentro da piscina e esperávamos horas. Uma dica bacana é fazer uma estrutura de ferro com desníveis para apoiar as panelas; assim, a cerveja é passada de um recipiente para outro por gravidade.

 

Como eu disse, nós começamos produzindo 30 litros, mas logo quisemos aumentar. Aí, em vez de comprarmos novas panelas, mandamos cortar a tampa de barris de chope de 50 litros e adaptamos as entradas e saídas. Deu certo.

Em dupla é mais divertido
Fazer cerveja não é difícil, mas dá muito trabalho. Por isso, a brincadeira fica bem mais divertida se você tiver um parceiro ou parceira. Esse amigo não só vai ajudar a produzir, como também a limpar os equipamentos. A sanitização, antes, durante e depois, evita contaminações e gostos indesejáveis. Terminou de fazer a bebida, lave tudo na mesma hora. Nessa fase, você vai descobrir os sanitizantes — eles serão grandes amigos

Um dos desafios do cervejeiro é conseguir repetir a receita. Por isso, crie um diário de bordo com preparos, informações/procedência de cada ingrediente e também anote tudo o que aconteceu ao longo do processo de fabricação. Nesse caderno, deixe registrado o tipo de malte, fornecedor, quantidade usada, qualidade do lúpulo, safra, teor de alfa-ácidos, temperaturas, tempos de cozimento, fervura, fermentação, tipos de fermentos etc.

Mesmo tentando fazer tudo certinho, pode dar errado? Sim. Provavelmente vai acontecer. Fique frio, é normal e faz parte do aprendizado. Que atire a primeira tampinha o cervejeiro que nunca viu uma garrafa explodir ou nunca fez uma cerva sem carbonatação.

Troque figurinhas e saia da casinha
Trocar informação é cortar caminho. Nossa sugestão é fazer parte da Acerva Candanga, a Associação dos Cervejeiros Artesanais do Distrito Federal. A turma faz eventos, promove cursos, troca figurinhas sobre receitas, defeitos, equipamentos; dá feedbacks das bebidas fabricadas pelos associados e, de fato, ajuda a promover o cenário cervejeiro. Vale a pena participar.

Divulgação

Pessoal da  Acerva Candanga: parceria e dicas para produzir

 

Ah, importantíssimo: não se limite a um ou dois estilos. Experimente, entenda, estude e busque referências. Participe de festivais, tente sair do senso comum e seja criativo. Fazer cerveja é igual cozinhar, é preciso provar sabores diferentes para poder propor novidades.

Muita gente, ao começar, sente que adquire um superpoder e aí passa a beber apenas suas criações ou as de amigos. Na minha opinião isso é um grande erro. O repertório enquanto degustador é essencial para desenvolver vocabulário e perceber as nuances de cada estilo, escola, técnicas e ingredientes. Somando paladar com estudo (e seu inglês afiado vai lhe dar uma grande ajuda nesse momento), você estará no caminho certo.

Dicas preciosas:
– Baixe o software chamado Beer Smith. O app oferece receitas de cerveja e te ajuda a escrever a fórmula ideal para o que você deseja. Além disso, é um banco de dados com um zilhão de informações;

– Para fazer parte da Acerva Candanga, basta entrar no site e fazer o cadastro. A única exigência é ser maior de 18 anos e gostar de cerveja;

Oficina de Cerveja Candango Brau – CA 2 Lote 14, Lago Norte. Telefone: (61) 3468-4318

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