Licença paterna de 30 dias faz mães suecas adoecerem menos
Política pública de apoio a famílias implantada no país nórdico garantiu melhoria da saúde materna, com menos internações e remédios
atualizado
Compartilhar notícia

Uma pesquisa da Universidade de Stanford realizada com dados de saúde da Suécia, onde a licença-maternidade é de 16 meses pagos e os pais podem ficar 30 dias não consecutivos fora do trabalho para acompanhar a mãe e o bebê no primeiro ano de vida, mostra que a participação deles é muito importante para a saúde delas.
O estudo constatou que, a partir de janeiro de 2012, quando o país nórdico institui a licença-paternidade de 30 dias não consecutivos, a probabilidade de ansiolíticos serem receitados para as mães nos seis meses após o parto caiu 26%, e a de antibióticos, 11%. Houve ainda queda de 14% em internações hospitalares ou consultas médicas causadas por complicações relacionadas ao nascimento do bebê.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, a pesquisadora Maya Rossin-Slater, uma das autoras do trabalho, destacou a importância da política pública de apoio às famílias: “Na média, os pais não estão tirando os 30 dias permitidos, mas ao que parece esses dias são os que mais importam. Um componente-chave é ter a flexibilidade para que o pai possa dar suporte à mãe e a criança”.
A legislação sueca é uma das que mais protegem quem decide ter filhos. Nos Estados Unidos, a licença-maternidade varia de estado para estado, mas, no geral, não é paga nem pode ultrapassar 12 semanas. Nos EUA, não há previsão de licença para os pais. No Brasil, as mães têm 120 dias remunerados garantidos, e os pais, apenas 5.
