“IgG está 991”: o que significa o indicador citado por Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro afirmou que não vai se vacinar contra a Covid-19 por estar com a "imunização lá em cima"

atualizado 13/10/2021 22:57

Shutterstock / SoonThorn Wongsaita

Na terça-feita (12/10), o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan, afirmou que não vai se imunizar contra a Covid-19. Até então, ele vinha dizendo que tomaria a vacina depois que todos os brasileiros estivessem imunizados.

Como argumento para a decisão, disse que seu IgG está em 991. “Eu estou vendo novos estudos, eu estou com o meu, a minha imunização está lá em cima, IgG está 991.”

A infectologista Ana Helena Germoglio destaca que não há como garantir que a pessoa tem um “nível de imunização” adequado a partir dos testes que medem o IgG.

“Quanto de IgG, você precisa ter para estar protegido? Nem eu, nem você, nem ele, nem ninguém sabe isso”, afirma a especialista com clínica em Brasília.

O IgG é uma imunoglubulina, ou seja, um anticorpo, que é produzido a partir do 14º dia do início dos sintomas da Covid-19.

Ele costuma ficar no organismo dos indivíduos por muito tempo, mas no caso do Sars-CoV-2 ainda não há confirmação sobre o período de proteção que garante. Além disso, há pessoas que se recuperam da doença sem nem desenvolver IgG, quando a defesa é feita majoritariamente pelas células-T.

Ana Helena, que já havia alertado para o erro de fazer exames sorológicos com o objetivo de medir um suposto “nível de imunização”, explica que a resposta a uma infecção envolve diferentes linhas de defesa do sistema imunológico.

“IgG alto significa que a pessoa teve uma infecção e não que esteja pronta a reagir a outra”, detalha. “A imunidade pode até estar alta, mas não é garantia”, completa.

Há outros exames que tentam avaliar a resposta imunológica à Covid-19 (de anticorpos neutralizante, anti-Spike, AntiRBD, entre outros) mas ainda não há parâmetros estabelecidos para assegurar que ela será eficiente em caso de contato com o vírus.

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