SAP isola presos rivais do PCC que degolaram colega de cela e pede RDD
Presos degolaram e arrancaram órgãos de homem que matou a mãe usando lâmina de barbear – técnica da Bonde do Cerol Fininho, rival do PCC
atualizado
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Os presos que degolaram e arrancaram os órgãos internos e orelhas de um colega de cela no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, no último sábado (28/2), estão isolados do convívio e devem ir para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). As informações são da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
O crime foi cometido com uma lâmina de barbear. A principal suspeita é que os assassinos – Rodrigo Galvão dos Santos, o Rota, de 42 anos, e José Wellington Matos Vitória, de 25 – sejam integrantes da Bonde do Cerol Fininho, facção criminosa rival do Primeiro Comando da Capital (PCC), pela forma como mataram Washington Ramos Brito, de 32 anos, preso por matar a própria mãe.
A facção, surgida no interior paulista a partir de uma dissidência do PCC (veja mais abaixo), é conhecida por executar rivais com extrema crueldade e violência, geralmente com lâminas de barbear. A “assinatura” do grupo inclui a decapitação e retirada de vísceras das vítimas.
Suspeito de matar a mãe
- Washington Ramos Brito foi preso após ser suspeito de matar a própria mãe, de 58 anos, em uma casa no Jardim das Palmas, região do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo.
- O corpo de Angelina Maria Ramos foi encontrado durante a manhã por outro filho da vítima.
- O cadáver tinha sinais de estrangulamento e arranhões pelo pescoço.
- Em depoimento à PM, o filho que encontrou a mãe morta contou ter saído para trabalhar, na noite de terça-feira (24/2), e viu a porta do quarto dela fechada. Ao retornar, ele observou a porta ainda fechada e decidiu abrir, momento em que encontrou o corpo da mulher.
- Segundo o tenente-coronel da PM Ives Minosso, o filho da vítima também revelou que a última pessoa a estar na casa foi seu irmão, que teria passagens na Justiça.
- Após ser preso, Brito foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital, e, posteriormente, deu entrada no CDP de Pinheiros II, onde foi morto decapitado em três dias.
Presos se revoltaram com matricídio
Questionados, Rota e Wellington confessaram terem assassinado Washington. Eles afirmaram que não têm as respectivas mães vivas e, por isso, se revoltaram com o matricídio. A comoção motivou a morte violenta do homem.
Os dois suspeitos foram levados para o 91° Distrito Policial (Ceagesp), onde prestaram depoimento, mantiveram a confissão e passaram por exame de corpo delito. Eles retornaram ao cárcere, ficando à disposição da Justiça.
Isolamento e transferência para o RDD
Questionada se alguma advertência ou transferência foi aplicada aos presos, a SAP informou à reportagem que Rota e José Wellington estão isolados do restante da população prisional.
Além disso, a pasta afirmou que irá solicitar à Justiça a transferência de ambos para o RDD – o mesmo regime ao qual Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC, está submetido há seis anos.
O RDD está previsto na Lei de Execução Penal (LEP) e é aplicado a presos que cometem faltas graves, subvertem a ordem ou disciplina interna da unidade prisional e estão sob suspeitas fundadas de envolvimento ou participação em organizações criminosas.
A duração máxima para permanência no regime é de até dois anos, mas a sanção pode se repetir caso o preso cometa falta das mesmas espécies citadas acima.
No RDD, o detento deve ficar recolhido em cela individual e receber visitas em instalações que impedem o contato físico e a possibilidade de passar objetos. As visitas estão limitadas a duas pessoas por vocês e a duração máxima de duas horas. Telefonemas, cartas e comunicações com qualquer pessoa do ambiente externo, que não seja o advogado do preso, ficam sujeitas a monitoramento.
Os presos submetidos a este regime têm direito a banho de sol por duas horas diárias em grupos de até quatro detentos, desde que não integrem a mesma organização criminosa.
Bonde do Cerol Fininho e as execuções violentas de rivais
A Bonde do Cerol Fininho foi fundada por Marcos Paulo da Silva, 48, conhecido como Lúcifer. Ele é apontado como um ex-integrante do PCC que teria rompido com a facção criminosa.
Diagnosticado com psicose e condenado a mais de 217 anos de prisão, Lúcifer diz ter matado cerca de 50 “rivais” no sistema penitenciário paulista.
Foi o criminoso quem adotou como modus operandi a execução de inimigos com a lâmina de barbear. A “assinatura” do grupo inclui a decapitação e retirada de vísceras das vítimas – como foi feito com Washington.
Detido atualmente na Penitenciária I de Presidente Venceslau, Lúcifer passou pela unidade de Tupi Paulista, onde o Rota já esteve recolhido e teria aprendido as cruéis técnicas de assassinar rivais.
A defesa dos acusados citados não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.
