Dólar e Bolsa caem em dia de disparada do “índice do medo” nos EUA

Moeda americana registrou queda de 0,36% frente ao real, cotada a R$ 5,44. O Ibovespa fechou em baixa de 0,28%, aos 142.200 pontos

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólares dos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O dólar fechou em queda de 0,36% frente ao real nesta quinta-feira (16/10), cotado a R$ 5,44. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), também caiu. Ele fechou em baixa de 0,28%, aos 142.200 pontos.

O recuo da moeda americana no Brasil acompanhou o movimento global. Às 16h40, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes (euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço), recuava 0,33%, a 98.34 pontos.

Os principais índices das bolsas de Nova York também caíram nesta quinta-feira, à semelhança do Ibovespa. Às 16h40, essa baixa era de 0,88% no caso do S&P 500; 0,77% no Dow Jones; e 0,75% no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

“Índice do medo”

O indicador VIX, que mede a aversão ao risco em Wall Street, conhecido como o “índice do medo”, disparou nesta quinta-feira. Ele alcançou o maior nível em cinco meses. Durante a sessão, chegou a 25,12 pontos, com alta de 20,83%.

O VIX foi puxado para cima por notícias sobre bancos regionais dos Estados Unidos. As ações das instituições financeiras Zions Bancorp e Western Alliance Bancorp despencaram (12% e 11%, respectivamente) depois que ambas revelaram ter sido vítimas de fraude em empréstimos concedidos a fundos que investem em hipotecas comerciais problemáticas.

Qualidade de crédito

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a intensa movimentação nos mercados financeiros, com a queda das bolsas de Nova York e a disparada do VIX, foi engatilhada por uma renovada preocupação com a qualidade do crédito no sistema bancário dos Estados Unidos. O medo de que empréstimos de alto risco, conhecidos como “sour loans”, estivessem se acumulando nos balanços de instituições financeiras levou a uma forte liquidação de ações do setor financeiro.

“Essa incerteza gerou um aumento imediato na aversão ao risco global, fazendo com que o VIX disparasse, refletindo o nervosismo do mercado em relação ao potencial impacto desses calotes em um cenário de endividamento de consumidores e empresas americanas, que lutam para honrar seus compromissos diante de juros elevados”, diz a economista.

Cautela reforçada

No Brasil, ela observa, os movimentos foram mistos. “Domesticamente, a cautela foi reforçada pela divulgação de um Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) mais fraco do que o esperado, sugerindo que a economia brasileira está desacelerando mais do que o previsto pelo mercado”, afirma.

No entanto, diz Paula, o impacto da crise de crédito americana foi parcialmente mitigado por fatores como a queda do dólar frente ao real – em parte pela expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) –, e um cenário misto nas commodities, com a queda do minério de ferro pressionando a Vale, enquanto o petróleo avançava, sustentando a Petrobras. “Assim, o mercado local permaneceu volátil, preso entre a aversão ao risco global vinda de Nova York e as questões macroeconômicas domésticas.”

Alta do ouro

Nesta quinta-feira, o preço do ouro bateu novo recorde. O metal com entrega prevista em dezembro fechou em alta de 2,45%, a US$ 4.304,6 a onça-troy (o equivalente a cerca de 31,1 gramas).

O ouro é considerado pelos investidores um “porto seguro” diante de incertezas. Assim, a recente série de altas é resultado do aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, além de fatores como a perspectiva de cortes dos juros americanos, a queda nos rendimentos dos títulos da dívida dos EUA, os Treasuries, e o dólar enfraquecido.

Conversa sobre tarifaço

Nesta quinta-feira, no front das tarifas impostas pelos EUA contra produtos brasileiros, o mercado viveu a expectativa do encontro entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, designado pelo presidente americano Donald Trump para discutir o tema. A conversa começou no meio da tarde e marca uma tentativa de reaproximação entre Brasília e Washington.

Na avaliação de Danilo Coelho, da Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças, há uma expectativa positiva em torno dessa reunião. “Esse encontro ajudou a segurar um pouco o Ibovespa, que poderia ter tido uma queda mais acentuada”, diz.

Tensão fiscal

O mercado também acompanhou as repercussões da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), tomada na noite de quarta-feira (15/10), sobre a meta fiscal. O órgão acolheu um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e suspendeu os efeitos de uma decisão anterior que obrigava o governo a ser mais rigoroso na contenção de gastos.

O TCU havia considerado ilegal que o governo buscasse atingir o limite inferior da meta fiscal, com déficit zero. Ele definiu que o alvo teria de ser o centro da meta, com um superávit de 0,25% do PIB ao final do ano, com um valor próximo de R$ 35 bilhões.

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