Ministro diz lamentar invasão no Capitólio, mas questiona eleição nos EUA

Ernesto Araújo considera que grande parte do povo americano se sente "agredida e traída" pela classe política e desconfia do pleito

atualizado 07/01/2021 15:48

Raylson Ribeiro/MRE

O chanceler do Brasil, Ernesto Araújo, disse nesta quinta-feira (7/1) lamentar e condenar a invasão da sede do Congresso ocorrida nos Estados Unidos nessa quarta-feira (6/1), em meio ao processo de certificação do presidente eleito Joe Biden.

No entanto, Araújo alegou que “grande parte do povo americano se sente agredida e traída pela classe política e desconfia do processo eleitoral”. O chanceler não citou Donald Trump, de quem o governo brasileiro é aliado, mas afirmou que o povo tem o direito “sagrado” de exigir o bom funcionamento das instituições.

O chanceler brasileiro defendeu uma distinção entre desconfiança no processo eleitoral e desconfiança na democracia. “Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral não significa rejeitar a democracia. Ao contrário, uma democracia saudável requer, como condição essencial, a confiança da população na idoneidade do processo eleitoral”, escreveu ele.

Araújo também defendeu investigações para averiguar se houve “participação de elementos infiltrados” na invasão e disse que é preciso parar de chamar de “fascistas” o que chamou de “cidadãos de bem”.

“Há que parar de chamar ‘fascistas’ a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições. Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse.”

Segundo ele, é preciso questionar por qual razão a crítica a autoridades do Executivo deve ser considerada algo normal, enquanto a crítica a integrantes do Legislativo ou do Judiciário é enquadrada como atentado contra a democracia.

“Nada justifica uma invasão como a ocorrida ontem. Mas ao mesmo tempo nada justifica, numa democracia, o desrespeito ao povo por parte das instituições ou daqueles que as controlam”, continuou.

“Que os fatos de ontem em Washington não sirvam de pretexto, nos EUA ou em qualquer país, para colocar qualquer instituição acima do escrutínio popular”, finalizou.
Oficialmente, o Ministério das Relações Exteriores ainda não se pronunciou sobre o caso.
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Segundo Bolsonaro, a crise observada no país ocorre devido à falta de confiança da população no voto. Ele afirmou que contestações sobre o resultado eleitoral também podem ser observadas no Brasil nas eleições de 2022.

“Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos”, afirmou a apoiadores na manhã desta quinta.

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