22 de janeiro de 1808: após 54 dias de mar, piolhos e ratos, eles chegam

O evento prossegue inédito na história mundial: a classe dirigente de um país europeu se transporta para uma colônia para fugir de invasor

atualizado 22/01/2021 6:13

Tela Chegada da família real em SalvadorReprodução Cândido Portinari

Imagine abrir a internet neste dia 22 de janeiro de 2021 e ler que Emmanuel Macron, o Presidente da República francesa, sua família, seus amigos, o governo todo, até mesmo membros distintos da oposição, servidores, comerciantes, enfim, um total de 8 a 9 milhões de pessoas acabaram de aportar na Guiana e deixando Paris para trás.

É tão fake news que ninguém vai acreditar. No entanto, guardando as proporções, é isto que aconteceu nesta mesma data em 1808 quando alguns dos mais de 60 navios que transportavam a corte inteira de Portugal chegou à capital da colônia, Salvador na Bahia.

Em suas memórias enquanto preso na Ilha de Santa Helena pelos ingleses, Napoleão destacou Dom João VI como sendo o único monarca europeu “que o enganou”. Mas a decisão foi tão louca que nunca mais se viu tal doideira na história mundial desde então.

Atravessar o Atlântico norte de navio sendo até hoje uma peripécia, imagine na época. E com barcos velhos, sendo remendados todos os dias enquanto enfrentavam tempestade, perto da Ilha da Madeira, ou calmaria brusca dos ventos na linha do equador que deixavam as tripulações sem poder avançar sob um sol escaldante.

De Lisboa, vieram toda sorte de gente, que por vários anos inverteram a lógica colônia/colonizador. Mas emigraram também ratos, piolhos, doenças e vírus. Uma infestação. A tal ponto que as digníssimas esposas reais chegaram literalmente carecas.

213 anos depois, os Cabeças da Notícia da Radio Metrópoles contam hoje como foi a chegada de D. João VI ao Brasil entre 07H00 e 09H00 em 104.1 FM em Brasília e região, e no mundo inteiro pelo aplicativo.

 

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