Doce de mãe: 4 confeiteiras do DF que se dividem entre bolos e filhos

Conheça os nomes da nova geração da confeitaria brasiliense

atualizado 09/05/2021 10:13

desenho mãe fazendo bolo com filhosFoto: Gui Prímola/Metrópoles

Uma das coisas que mais marcam as pessoas são as experiências de infância. Entre aromas e sabores, receitas feitas pelas mães são guardadas na memória até o fim da vida. O sabor daquele bolo no fim da tarde, do pavê de todos os Natais, ou do brigadeiro das festinhas de aniversário sempre trazem alguma memória.

De acordo com o psicólogo e professor do Centro Universitário de Brasília (Ceub) Juliano Moreira, os seres humanos relacionam o alimento com sentimentos desde quando nascem. “O alimento é um dos primeiros contatos com o mundo. Ele traz não apenas o nutriente, mas também estabelece uma relação com o outro. O alimento vem das mãos de outra pessoa e traz junto o olhar, a atenção, o acolhimento e a proteção”, explica. 

Ainda segundo o psicólogo, os doces saem na frente quando o assunto é facilidade de conquistar as pessoas. Mas isso se deve tanto a fatores biológicos, quanto psicológicos. “A gente sabe que o doce é responsável pela produção de dopamina, que é um dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer. Mas ele também se apresenta na nossa cultura como uma recompensa para a criança. Sem contar que a palavra está sempre associada a algo sereno e afetivo.”

Seja porque o corpo ou o coração pedem, os doces fazem parte da vida de muita gente e trabalham as memórias afetivas construídas ao longo da vida. Eles inspiram paixões como a de Cecília Araújo, que trocou a culinária tradicional pela confeitaria. Mas também impulsionam pessoas como Gabriela Motta e Paula Laryssa, que queriam mais tempo com os filhos e viram no ramo a melhor forma de conseguir isso. Ou ainda Tatiana Barros, que enfrentou uma depressão profunda e encontrou na confeitaria e na maternidade a força para continuar.

Neste Dia das Mães, o Metrópoles reuniu histórias inspiradoras dessas confeiteiras de Brasília que dividem o tempo entre as mágicas da confeitaria e a criação dos filhos. Confira!

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Dois sabores, uma história

A especialista em bolos Cecília Araújo é a terceira geração da família que segue apaixonada pela cozinha. Ela se formou em culinária francesa, mas foi picada pelo bichinho da confeitaria no meio do caminho. Hoje, ela comanda a Cozinha Alice, uma homenagem à pequena Maria Alice, sua filha de dois anos e meio. 

De acordo com a confeiteira, o nome da marca vem do fato dela trabalhar em casa para conciliar maternidade e trabalho. No segundo semestre ela vai mudar para uma loja na 414 Norte. Ainda perto de casa, para acompanhar a rotina da pequena. “Maria Alice desde cedo está comigo na cozinha. Muitas vezes finalizei bolo com ela no carrinho, na cadeirinha e até no colo”, lembra Cecília. Agora, já grandinha, Alice também se diverte com a paixão da mãe pelos doces. 

“Tiro sempre uma tarde na semana para fazer bolo com ela. Minha filha já sabe o que é um fouet, raspa casca do limão e quebra ovos sozinha. No começo era só bagunça, mas hoje melhorou demais”, diverte-se a empresária que veio de Goiânia para Brasília há menos de três anos. 

Mais que inspirar o nome do negócio, a criança fez com que Cecília se tornasse mais organizada. Ela considera que passou a ter mais foco e determinação depois da maternidade, pois precisa seguir uma agenda para ter tempo de produzir e curtir a filhota. “Me ajudou muito a ter um caminho”, enfatiza. 

A chef e confeiteira construiu uma jornada baseada em apenas dois sabores de bolos. “Em junho completo dois anos de empresa e até hoje só vendo esses sabores. Preferi focar em fazer o melhor que posso nesses dois produtos para só depois ampliar o menu”, explica Cecília. No cardápio ela oferece o Bolo Alice (R$ 88, com 800g; R$ 158, com 1,6kg), feito com massa de cacau e recheio de brigadeiro de chocolate 52%; e o Bolo Romero (R$ 138, com 800g; R$ 268, com 1,6kg), com pão de ló de baunilha e recheios de brigadeiro de pistache e baunilha intercalados. 

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Vida doce

Os brigadeiros sempre tornaram a vida de Gabriela Motta mais doce. Mas há cinco anos eles deixaram de ser apenas um prazer para se tornar o carro-chefe da confeitaria que ela comanda. Atualmente, o Brigadeiro belga (R$ 240, o cento) é o doce mais vendido da La Dolce Vida. Na loja localizada em Águas Claras também é possível encontrar bolos, doces tradicionais, bombons e sobremesas em taças.

A história de Gabriela começou com cupcakes e a vontade de passar mais tempo com as filhas, Maria Clara,16, e Maria Júlia, 9. “Quando minha segunda filha nasceu, pedi demissão do lugar onde trabalhava e, para não ficar somente cuidando dela, fiz um curso de cupcakes em São Paulo, onde eu morava na época”, lembra a confeiteira que é formada em fisioterapia, mas sempre trabalhou em agências de publicidade. 

Em 2014, já em Brasília, ela fez o primeiro curso de bolos decorados. Dois anos depois abriu a confeitaria. Agora ela divide com as filhas o empenho e comprometimento com o trabalho que aprendeu com a mãe. “Ela também me ensinou que tudo que fizermos tem que ser feito com amor e dedicação. Sempre.”

Além de encher as Marias de orgulho com o trabalho, Gabriela as enche de amor no dia a dia. De acordo com a empresária, muito mais importante que a quantidade de tempo com os filhos, é a qualidade. “Hoje tenho tempo de qualidade com elas. Conciliar a rotina para administrar mil e uma missões é um desafio e tanto. Mas damos conta”, pontua. 

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Arquiteta dos doces

Filha de engenheiro e artistas, Tatiana Barros encontrou no “mundo encantado dos bolos e doces” a paixão para guiar sua vida. Ela se arriscou nas faculdades de Direito e Psicologia, e o que aprendeu é aplicado no dia a dia da Tatiana Barros Cake and Sweet

A confeiteira brasiliense sempre teve habilidades manuais e uma queda pela culinária. Quando o assunto era criatividade, ela mostrava suas raízes. “Para tudo eu inventava uma festa, desde criança. Festa para bonecas, para amigas. Festa por nenhum motivo”, lembra. Agora, ela produz doces para aniversários, casamentos e qualquer outra ocasião que peça a iguaria. 

“Ser mãe do João me deu uma força muito grande para começar meu negócio. Entre uma panela e outra, eu conseguia cuidar do meu filho. Se eu ia ao mercado, à reuniões ou fazer entrega, ele estava junto, desde bebê”, conta a empresária. 

A vontade de dar o melhor para João a motivou a começar o trabalho há mais de 10 anos. “Eu comecei com nada. Se o cliente não pagasse antecipado, eu nem teria como comprar matéria prima.” Mas os anos passaram, o negócio cresceu e hoje ela é uma referência entre cerimonialistas de Brasília quando o assunto são bolos e doces. 

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De geração em geração

Paula Laryssa ainda era uma criança quando começou a ajudar a avó e a tia confeiteiras. Mesmo que gostasse, ela nunca pensou que aos 27 seria uma das confeiteiras mais populares de Brasília. Mas após o nascimento da primeira filha, Catharina, hoje com quatro anos, ela resolveu se dedicar à confeitaria de forma profissional. “Eu queria trabalhar em casa para poder cuidar dela”. 

A ideia funcionou e atualmente ela comanda a Confeitaria Paula Laryssa, na Ceilândia, cidade em que nasceu e cresceu. No espaço a empresária oferece um cardápio completo que inclui bolos, doces, cupcakes, cones trufados, pipocas gourmet e outros doces. O maior sucesso são os Copos da felicidade (de R$ 16 a R$ 20), que intercalam brownies, cremes, frutas e outras delícias. 

Além disso, ela vende cursos para ensinar a profissão a outras pessoas. “Eu amo adoçar vidas. É ótimo ver as pessoas comendo com gosto. Fico muito feliz quando, após uma encomenda, recebo um feedback positivo”, revela a confeiteira.

Da mesma forma que o ateliê cresceu, a família ganhou mais integrantes. Além da pequena Catharina, Paula também é mãe de Helena, 3, e está grávida de Théo, que nasce em julho. “O ser mãe me deu mais gás, pois tudo que faço é pensando neles. Me esforço sempre para dar o melhor”, finaliza.

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Apenas comece

Assim como foi o caso de Gabriela Motta, a confeitaria aparece para muitas pessoas como uma alternativa de ganhar dinheiro trabalhando em casa. De acordo com o DataSebrae, 87% dos microempreendimentos do ramo funcionavam em residências em 2019. A confeiteira recomenda que as pessoas comecem com negócios pequenos e estudem sempre. Mas também lembra que “quando algo é feito com qualidade, carinho e amor, o resultado aparece”. 

A venda de doces também foi uma saída para muitas pessoas durante a pandemia. Essa forma alternativa de renda pode parecer simples, mas é cheia de desafios. Tatiana Barros lembra que, quando começou a trabalhar com confeitaria, ninguém a apoiou. “Mas eu fui, passo a passo, e continuo dando um passo de cada vez. Todos os dias vão aparecer desafios”, relata. Ela enfatiza ainda que “não é fácil, mas é possível e pode ser incrível”. 

Cecília Araújo e Paula Laryssa concordam que é importante insistir no objetivo. “Vai ser cansativo, difícil e, algumas vezes, você vai querer desistir. Por isso é preciso gostar. A diferença está em fazer com amor, por mais piegas que pareça”, defende Cecília. Nessa data especial ela ainda manda um recado para as mamães de plantão: “O melhor conselho que eu poderia dar para as mães é que elas não se cobrem tanto. Deem o melhor todo dia, mas aceitem os dias ruins”.

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