Conheça Teresa Raquel Bastos, a primeira sommelière de mel do Brasil
A especialista falou com o Metrópoles sobre a carreira e a Bee Mel, empresa piauiense especializada no alimento artesanal
atualizado
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É muito comum pensar em vinhos quando se escuta a palavra sommelier. Há cerca de duas décadas, a profissão começou a ganhar notoriedade no Brasil, junto com o crescimento do mercado de vinhos (por isso a associação). Contudo, ao contrário do que se imagina, a expertise do ofício se estende a diversas áreas, como cervejas, cachaça, chá e uísque. Uma das modalidades da profissão é a de sommelier de mel, que analisa o alimento sensorialmente e pelo ponto de vista da origem botânica.
“A profissão é bem similar ao sommelier de vinho, só troca a matéria prima. O que fazemos é basicamente uma analise sensorial dos tipos de meles que variam de acordo com a flor que a abelha visita”, explica Teresa Raquel Bastos, apicultora e primeira sommelière de mel do Brasil. Para obter o título, ela fez uma especialização da BeeSources, em Bolonha, na Itália, onde surgiu a profissão.
“Eu já gostava de experimentar com vinhos, sempre tive um ‘nariz bom’ para identificar notas sensoriais. Como sou apicultora e cuido, junto com meu pai, que também é apicultor, de uma empresa de mel no Piauí, estado onde moro, acabei me interessando pela área”, contou em entrevista ao Metrópoles.
Ela explica que no curso, os participantes estudam amostras de meles e vão comparando cada uma, identificando qualidades e defeitos. “Cada florada tem uma característica única e acaba passando essas notas para o mel. Por isso, contamos com meles com gostos diferentes, como notas de café, caramelo, casca de laranja e por aí vai”, complementa.
A apicultora ressalta ainda que a roda de aromas e sabores do mel é muito extensa. “Depende de vários fatores, além dos botânicos, como: espécie da abelha, solo, local e clima”, diz.

Mel com história
Teresa está à frente da empresa piauiense Bee Mel, que foi fundada em 1991 e desde então produz mel de abelhas Apis mellifera. “Temos como diferencial a produção de mel de flores nativas do Piauí, contextualizando cada florada, suas origens, sabores e particularidades. Atualmente trabalhamos com cinco floradas”, explica a profissional. Por lá, é possível encontrar mel, pólen, cerveja. cera de abelha, favo de mel, vela de cera, hidromel e panos de cera de abelha, com entregas para todo o Brasil.
Além disso, ela toca também o Projeto Colmeia Nova, que é uma iniciativa da Bee Mel para levar a apicultura para mais pessoas. A ideia é prestar consultoria apícola em áreas de Reserva Legal, liberada pelo Código Florestal, para produtores rurais. A ação ainda ensina apicultura para jovens rurais e doa material agrícola para quem quer começar a produzir mel.

“Futuramente pretendemos trabalhar na qualidade para exportação e conscientizar o cliente acerca da história por trás daquele produto. Mostrar para ele de onde veio, qual abelha e qual flor foram responsáveis por aquele mel com aquelas notas específicas”, comenta. Além disso, ela pretende fazer um mapa das floradas do país, começando com o Piauí. “Assim poderemos ter um padrão de mel a ser seguido, para não decair a qualidade”, frisa a sommelière.
Como escolher um bom mel?
Para começar, a profissional indica compreender mais sobre o que está sendo consumido. “As pessoas não conhecem o que é um mel de qualidade. Acredito que a educação sobre o mel é imprescindível para saber consumir com responsabilidade”, expõe.
Bastos ainda elucida que há dicas fáceis para escolher um bom mel na hora de comprar. Para ela, o ponto de partida é procurar empresas que são inspecionadas pela Vigilância Sanitária e têm uma fiscalização de qualidade.

Depois, vale conhecer o apicultor. “Nem sempre o pequeno produtor é sustentável e tem o compromisso com o bem estar das abelhas. É importante pensar que muitos ‘meleiros’ produzem mel de uma forma que mata abelhas, agride o meio ambiente e leva um mel que pode até ser puro, mas de má qualidade”. Ela ainda alerta: “Desconfie de meles sem rótulo, vendidos em beiras de estrada e garrafas reutilizáveis”. “O mel é o segundo ingrediente mais falsificado do mundo. É importante evitar comprar de apicultores que não se conhece por conta disso”, completa.
A terceira dica é olhar para o mel como um alimento diverso, que pode variar de um lugar para o outro. “Vale buscar conhecer meles de várias floradas diferentes e novos sabores”, pontua.
Sobre qualidade, ela ensina que muitas pessoas acham que a cristalização do mel é sinal de má qualidade. “Ao contrário: o mel só cristaliza quando é puro e não passou por um processo de pasteurização. Para reverter a cristalização, é só aquecer em banho maria (até 45º) ou colocar no sol. Também é bom evitar guardar mel na geladeira, pois isso acelera a cristalização”, finaliza.






















