Festival de Brasília: Los Silencios é ficção com doses de realidade

Na primeira noite da mostra competitiva, também serão exibidos outros dois curtas e um longa, no Cine Brasília

atualizado 16/09/2018 0:40

Divulgação

A Mostra Competitiva do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa neste sábado (15/9), a partir das 18h, no Cine Brasília (106/107 Sul). Na primeira noite serão exibidos os curtas Boca de Loba (CE) e Kairo (SP), além de dois longas-metragens: Torre das Donzelas (RJ), de Susanna Lira, e Los Silencios (SP), de Beatriz Seigner (veja detalhes no fim da página).

Vindo com o respaldo da boa aceitação na Quinzena dos Realizadores, segmento paralelo do Festival de Cannes, onde foi “aplaudido durante três minutos”, Los Silencios propõe reflexão sobre as relações de brasileiros com os povos de países vizinhos da América Latina. “O FBCB  produz bastante pensamento crítico. Eu espero o filme também toque as pessoas e que as façam refletirem sobre  às questões de imigração”, anseia Seigner.

Em Los Silencios, mãe e filhos fogem dos conflitos armados na Colômbia até chegarem em uma ilha povoada de fantasmas, na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Ao chegarem lá, descobrem que o pai das crianças, dado como morto, está vivo. Encobrindo o passado, a família se redescobre.

De acordo com a diretora, a ideia é gerar empatia entres os países da América do Sul e romper o ciclo de preconceitos e xenofobias, fruto, normalmente, da ignorância a respeito do outro. “É uma tentativa de nos integrarmos à América Latina. A gente, como país, conhece pouco da cultura dos nossos vizinhos. Quando nos aproximamos e nos reconhecemos, mesmo que parcialmente, no estrangeiro, recebemos melhor os imigrantes que aqui chegam”, explica Seigner.

Ponto de partida real
Apesar do acordo de paz que “pôs fim” aos conflitos armados na Colômbia, em 2016, ex-membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não se desmobilizaram, juntaram-se a facções dissidentes e ainda continuam lutando contra o governo. Cinquenta anos depois, muitos ocuparam-se do controle de rotas de tráfico de drogas e extorsão, o que agrava o clima de tensão no país, de acordo com o anunciado pelo general Alberto José Mejia, em março deste ano.

E foi conversando com uma colombiana e descobrindo a verdadeira situação das pessoas inseridas nesse contexto que a cineasta decidiu escrever o roteiro de Los Silencios. “Quando ela me contou a história de vida dela, senti que precisava falar sobre isso. O processo de produção e pesquisa foi longo, durou sete anos. Entrevistei 80 famílias para entender a maneira como eles vivem “, conta a diretora, que pretende gerar um debate sobre o tema.

Curta da sessão
Antes de Los Silencios, o cineasta paulista Fábio Rodrigo, de 35 anos, traz ao 51º FBCB o segundo curta de sua carreira, Kairo (SP). A produção estreou no Festival de Gramado e é fruto do projeto Ira Negra – Do Gueto Para o Gueto, no qual o intuito é não só utilizar a periferia como cenário, mas também a mão de obra local no fazer fílmico.

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51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Neste sábado (15/9), a partir das 18h, no Cine Brasília (106/107 Sul). Mostra Competitiva: às 18h, Boca de Loba (CE, 19min, 12 anos) e Torre das Donzelas (RJ, 97min, classificação indicativa não divulgada). Às 21h, Kairo (SP, 15min, 12 anos) e Los Silencios (SP, 87min, livre). Preço: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Valores sujeitos a alterações sem aviso prévio. Informações: (61) 3244-1660 ou festivaldebrasilia.com.br

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