Voluntários são impedidos de ajudar cães e gatos na Zoonoses

Defensores de animais não conseguem mais fazer doações e apoiar os bichos em recuperação

atualizado 29/09/2021 18:24

Cão atropeladoMaterial cedido ao Metrópoles

Voluntárias que ajudam na recuperação de animais abandonados não têm mais acesso ao Centro de Zoonoses do Distrito Federal. A direção da unidade decidiu limitar a entrada dos membros do grupo Projeto Amigos da Zoonoses. Segundo defensores da causa animal, a restrição está colocando em risco a saúde e o bem-estar de cães e gatos.

Antes da proibição, além de ajudar nos cuidados diários, voluntárias levavam rapidamente os animais em estado grave para atendimento em clínicas veterinárias. O serviço foi interrompido. Segundo o grupo, os bichos sofrem à espera no atendimento, a exemplo de um cachorro atropelado e um gato vítima de convulsões.

Veja o vídeo com imagens do cão atropelado e do gato vítima de convulsões:

De acordo com o grupo de voluntários, a Zoonoses só permite a retirada de animais em caso de adoção, dificultando a celeridade no atendimento. Por exemplo, na semana passada, o cão Tigre estava urinando sangue. Apenas após os trâmites adotivos que foi socorrido. O cachorro sofria de grave anemia.

Veja fotos do Tigre:

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Segundo os defensores de animais, a gerência proibiu doações, inclusive de alimentos. As voluntárias não podem mais fazer passeios e atividades para a socialização de cães e gatos. Ou seja, os animais não têm banho de sol. Além disso, também, colocavam colchões em noites mais frias.

Aproximadamente 18 voluntárias prestavam cuidados aos animais. O trabalho do grupo começou em 2019, para dar oportunidade para que os animais tenham uma vida com dignidade enquanto esperam uma adoção. foram realizados diversos eventos de adoção e de julho de 2019 ate julho de 2020 foram computados mais de 600 adoções.

Atualmente, a Zoonoses conta com apenas uma voluntária autorizada a entrar por dia na Zoonoses, com tempo limitado a duas horas. O acesso aos fins de semana também não é mais permitido. Para os defensores dos animais, o período não é suficiente para garantir qualidade de vida para cães e gatos.

Os voluntários publicaram um desabafo nas redes sociais. Leia:

Mudança de direção

Segundo os voluntários, as restrições começaram em agosto, quando o servidor Lauricio Monteiro Cruz assumiu o cargo de gerente da Zoonozes. Anteriormente, ele ocupou o cargo de diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, mas acabou exonerado da pasta por suposto envolvimento na compra superfaturada de vacinas.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde, abrindo espaço para a direção da Zoonoses. Por nota, a pasta descartou qualquer irregularidade e negou o eventual sofrimento de animais.

Leia a nota completa:

“O Serviço de Voluntariado é uma política da Secretaria de Saúde de Estado de Saúde. O processo de voluntariado no âmbito das ações da Gerência de Zoonoses precisa se adequar às normativas do fluxo correto que trata sobre o assunto. Por isso está passando pelas devidas adequações para que seja retomado tão logo possível dentro do que preconiza as portarias do voluntariado. Não procede a informação de que há animal em estado grave sem cuidados no canil. Compete à Gerência de Controle de Zoonoses o recolhimento de animais domésticos (cães e gatos) que possam oferecer risco à saúde da população, como disseminação de doenças. Não compete o recolhimento de animais em situação de rua sem vínculos zoonóticos. A Gerência de Zoonoses atua também em medidas preventivas e profiláticas, situações de vínculo epidemiológico e risco da Saúde Pública, tais como vacinação contra a raiva em cães e gatos, diagnósticos laboratorial de leishmaniose visceral ou raiva, além da identificação de espécies de importância em Saúde Pública”.

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