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Em reunião nesta quinta-feira (1º/2), o Conselho de Administração (CAD) da Universidade de Brasília (UnB) decidiu adiar a análise da política de revisão de subsídios no refeitório da instituição. A medida pode aumentar em até 160% o valor das refeições do Restaurante Universitário (RU), dependendo da condição financeira do estudante.

A decisão de protelar a análise do assunto no conselho ocorreu após questionamento do Sindicato dos Servidores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) sobre a retirada do subsídio para os funcionários da instituição. Com isso, a reitora, Márcia Abrahão, remeteu a argumentação ao jurídico da UnB. O conselho ainda não tem data para voltar a discutir a matéria.

Segundo a UnB, o valor pago pelos usuários da comunidade acadêmica não tem reajuste desde 1994. A instituição alega que o orçamento da universidade vem caindo: em 2017, o corte foi de 45% em relação ao ano anterior.

A proposta mantém a isenção para estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio, além de trazer um novo nível de vulnerabilidade socioeconômica, para os que têm receita de até dois salários mínimos (veja o quadro abaixo).

Reprodução/UnB

 

Atualmente, a maioria das refeições no restaurante é consumida por usuários do grupo III: estudantes de graduação e pós (stricto sensu) e servidores do quadro da UnB. O novo cenário retira o benefício de servidores e funcionários terceirizados, em atendimento a recomendações legais. Os demais usuários do grupo III passariam a pagar 50% do valor contratual – hoje, pagam 19% (no almoço e no jantar).

O contrato com a Sanoli – empresa terceirizada responsável pelo fornecimento das refeições no RU e por toda logística do processo (incluindo a manutenção dos equipamentos, a segurança e o atendimento aos usuários) – custou à universidade, no ano passado, R$ 27 milhões.

Desse total, R$ 7,8 milhões foram pagos com recursos provenientes da assistência estudantil. O restante (R$ 19,8 milhões) veio do orçamento de manutenção da universidade. A previsão é de que, neste ano, se nenhum ajuste for feito, o valor gasto com o RU chegue a R$ 31 milhões, o equivalente a 21% do orçamento da instituição.

“A universidade tem feito todos os esforços para garantir que estudantes em maior risco de vulnerabilidade socioeconômica tenham condições mais adequadas para concluir sua jornada acadêmica com sucesso”, pontua a reitora Márcia Abrahão. “Mas é a comunidade, por meio do CAD, que deve decidir sobre isso”, acrescentou.