Sem previsão para acabar, greve no Metrô-DF dá prejuízo de R$ 6,3 mi

Com funcionários parados e menos trens circulando, empresa afirma que transportou 1,59 milhão de passageiros a menos em comparação a 2018

JP Rodrigues/MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

atualizado 25/06/2019 12:53

A greve dos metroviários no Distrito Federal chega ao 55º dia nesta terça-feira (25/06/2019) e, segundo a Companhia do Metropolitano (Metrô-DF), o prejuízo não se limita à restrição do serviço oferecido aos passageiros. Com base em dados da empresa, o prejuízo foi de R$ 6.381.007,71 entre 2 de maio, quando a paralisação foi iniciada, e o último domingo (23/06/2019). Ainda de acordo com a estatal, foram transportados 1,59 milhão de passageiros a menos em comparação ao mesmo período de 2018.

Por determinação judicial, 18 dos 24 trens têm de circular nos horários de pico. No restante do dia, devem transitar 30%. No entanto, como não há funcionários suficientes nas bilheterias, muitas vezes as catracas têm sido liberadas, como na manhã de segunda-feira (24/06/2019), em Águas Claras. O Metrô-DF informou que “a empresa toma essa medida quando há falta de empregados e para evitar ter de fechar a estação e prejudicar, ainda mais, os usuários”.

Paralisação

Sem acordo, a paralisação continua e não há estimativa para acabar. No início do mês, o Metrô-DF ingressou com pedido de dissídio de greve, solicitando à Justiça do Trabalho que julgue se há ou não abusividade no movimento grevista. Até o momento, não há nova reunião prevista com a categoria. O dissídio será julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

O Sindicato dos Metroviários do DF (Sindmetrô -DF) condicionou a suspensão da greve à prorrogação do acordo coletivo por mais 30 dias, mas o Metrô não aceitou, conforme comunicou a entidade. Em nota pública divulgada em sua página, o Sindmetrô alegou não ter havido nova proposta do governo para os trabalhadores e acusou a empresa de “sufocar cada vez mais a população”.

A diretora de Comunicação do sindicato, Renata Campos, defende que a greve é legítima. “Estamos lutando pelos nossos direitos. A empresa tenta desmoralizar os empregados porque são incapazes de resolver o conflito. Eles sabem que estão errados e esse é o motivo de o movimento se estender por tanto tempo”, pontuou.

“Mesmo conseguindo uma liminar garantindo os benefícios do acordo, a empresa descontou salários, sem nem ter tido julgamento ainda. Eles também suspenderam férias de funcionários e depositaram o auxílio-alimentação com atraso. Nós não buscamos reajuste. Apenas queremos que se cumpram sentenças e acordos judiciais, além da manutenção do acordo pelo seu tempo de validade, de dois anos”, acrescentou.

A companhia afirma que aceita rever o corte de ponto dos grevistas sob a condição de que a categoria suspenda a paralisação até o fim das negociações. Os trabalhadores, no entanto, recusaram a proposta e não houve acordo com a estatal durante audiências de mediação na presidência do TRT-10.

Propostas

O Metrô-DF ofereceu aumento de 4,67% no tíquete-alimentação, o mesmo percentual no benefício de ressarcimento do plano de saúde, além da manutenção dos termos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2017/2019 e seus termos aditivos em integralidade, de junho de 2019 a abril de 2020. O ACT venceu no dia 31 de maio.

O sindicato, contudo, reclama que benefícios sociais reunidos em 52 cláusulas teriam sido cortados. Além disso, o Metrô-DF não estaria, desde 2015, cumprindo acordos coletivos, judiciais e sentenças da Justiça favoráveis à categoria.

O Metrô-DF sustenta que não foi condenado a pagar retroativos referentes ao reajuste salarial concedido no ACT 2015/2017.

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