Motoristas de app voltam a protestar contra insegurança no DF

Colaboradores cobram maior rigidez no cadastro dos usuários e reclamam das atuais condições de trabalho

Myke Sena/Especial para o MetropolesMyke Sena/Especial para o Metropoles

atualizado 18/10/2019 20:52

Motoristas de aplicativo do Distrito Federal voltaram a protestar contra a insegurança que vitimou dois colaboradores no último fim de semana. Desta vez, os trabalhadores se reuniram, nesta sexta-feira (18/10/2019), em local próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, para cobrar das empresas maior rigidez no cadastro de usuários e uma revisão nas políticas dos aplicativos, a fim de garantir mais segurança durante as corridas.

Os protestos ocorrem após as mortes de Henrique Fabiano Dias, 25 anos, e Tiego Cavalcante, 28. Os dois foram assassinados brutalmente enquanto realizavam corridas no último fim de semana. Este é o segundo ato dos trabalhadores nesta semana. Nessa segunda-feira (14/10/2019), os colaboradores realizaram uma carreata até o Cemitério de Taguatinga, onde o corpo de Henrique era velado.

Com mensagens de apoio e protesto estampadas nos vidros traseiros, os motoristas aproveitaram a oportunidade para cobrar mais segurança aos trabalhadores da classe. “Nossa situação atual é de pânico. Saímos de casa sem saber se vamos voltar. A cada corrida, o coração acelera, e aumenta o nosso medo. Não sabemos quem vai entrar nem para onde vamos. Providências precisam ser tomadas”, cobrou Michel Christian, 38.

Mortes

Dois motoristas de aplicativo foram assassinados no DF no último fim de semana. O corpo de Henrique Fabiano Dias Coelho estava no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), na madrugada desse domingo (13/10/2019). O de Tiego Cavalcante, encontrado na última sexta-feira (11/10/2019), estava em Samambaia.

Há sinais de que Henrique tenha sido esganado. Um taxista o viu caído no Setor de Cargas, nas proximidades da Cidade do Automóvel, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal. O Corpo de Bombeiros foi ao local e verificou que a vítima estava sem vida.

A família dele chegou a registrar ocorrência por desaparecimento. Conforme uma tia de Henrique contou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o último contato do sobrinho aconteceu por volta de 0h10, quando informou à namorada que iria pegar um passageiro em posto de combustível na entrada do Núcleo Bandeirante.

A polícia orientou a família a comparecer ao Instituto de Medicina Legal (IML), onde confirmou que o corpo encontrado era dele. O carro de Henrique, um Hyundai HB20 branco, foi achado no Guará na noite de domingo com cinco adolescentes, que acabaram apreendidos.

Henrique trabalhava na Caixa Econômica Federal (CEF) como terceirizado, ainda de acordo com o relato da tia, e durante a noite e aos fins de semana atuava como motorista de aplicativo.

Samambaia

A Polícia Civil investiga a morte de outro homem. Tiego Cavalcante, 28 anos, foi assassinado na Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) de Samambaia na noite de sexta-feira da semana passada (11/10/2019). Ele também trabalhava com aplicativo de transporte.

Amigo de Tiego, o barbeiro Jonathan Gonçalves, 28, disse que o motorista era “uma pessoa maravilhosa”. “Ajudava os outros e gostava muito de trabalhar”, contou. Tiego trancou a faculdade de direito e se dedicava ao trabalho com os aplicativos e às artes marciais, treinando krav-magá e jiu-jitsu.

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