Painel mostra que 78% das vítimas de feminicídios no DF eram mães

Na data em que se comemora o Dia das Mães, algumas famílias vivem com a saudade dessas mulheres que foram vítimas da violência

atualizado 08/05/2022 15:12

Jacqueline dos Santos, vítima de feminicídio no DFJacqueline Lisboa/Especial Metrópoles

Para algumas famílias do Distrito Federal, a comemoração do Dia das Mães tem simbologia diferente. A data representa a saudade daquelas que partiram em decorrência da violência. Desde 2015, quando entrou em vigor a Lei do Feminicídio – que criminaliza o assassinato de mulheres cometido em razão do gênero –, o painel da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) da capital do país registrou a morte de 108 mães, número que corresponde a 78,3% das vítimas.

O monitoramento do feminicídio no DF aponta que a morte dessas mulheres deixou 262 órfãos. Desses, 159 são menores de 18 anos. Cerca de 32% têm até 4 anos; 29%, de 5 a 9 anos; e 30%, de 13 a 17 anos. A idade média das crianças que tiveram o convívio materno interrompido é de 8 anos.

Saudade sem fim

Para os três filhos de Jacqueline dos Santos, 31 anos, a saudade perdura há 3 anos. Uma semana antes de celebrar o Dia das Mães, a mulher, que, à época, tinha 39 anos, foi morta pelo ex-companheiro com três facadas, em maio de 2019.

As horas livres da gari eram dedicadas aos filhos, de 7, 14 e 21 anos, com quem costumava ir a parques, cinemas e clubes. Segundo familiares, curtir um dia de piscina com o caçula era um dos passeios favoritos da moradora de Santa Maria. “A vida da Jacque era os filhos. Ela não deixava que faltasse nada para eles. Era uma mãe muito carinhosa e amiga”, relembra a irmã da vítima, Tatiane Cristina dos Santos.

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Ao Metrópoles Tatiane relatou as dificuldades para educar as crianças devido ao trauma. “Para a gente, é um baque. Todo dia, uma paulada. Somos presentes na vida deles, mas ninguém substitui o lugar da mãe. Eles não dormem, não se alimentam direito, acho que devido à falta dela”, afirmou.

Rosa Vermelha

A auxiliar de serviços gerais Elizete Santos de Jesus era descrita por um dos filhos como “uma rosa com várias pétalas vermelhas, todas do mesmo tom”. A flor, que muitas vezes é associada às mães, representa o respeito e amor que eles sentiam pela mulher, morta após ser atropelada pelo ex-companheiro com um caminhão, em julho de 2021. O caso ocorreu em Valparaíso de Goiás, Entorno do DF.
Elizete deixou três filhos adolescentes, de 14, 16 e 18 anos, e uma criança, de 11. Segundo a filha mais nova, Esther Emanuelly, que a chamou de rosa vermelha, a mãe cuidava de todos igualmente e é lembrada pelas habilidades na cozinha.
“Ela era sorridente, brincava com a gente, e também brigava quando fazíamos coisa errada. Mas, depois, fazia um macarrão ao alho e óleo que todo mundo amava. Ela sempre nos dava o melhor”, relembra a menina.
Filha de Elizete, Jhennifer Érika, 16, conta que a mãe era uma inspiração de mulher e razão para viver. “Todo dia ela virava para mim e falava: ‘Minha filha, eu não posso te dar nada, o que posso deixar para você é o estudo’. Ela era a minha bússola, aquela que dividia um dom comigo e acreditava nos meus sonhos. Aquela pessoa que me ensinou a amar e me ensinou a ser a garota grata e feliz que sou hoje”, declara a jovem.
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Para Djemyson Erick Santos, 18, a matriarca da família tinha como uma das principais qualidades ser obstinada. “Uma mulher batalhadora. Podia fazer sol ou chuva, ela sempre estava lá se esforçando para não deixar faltar nada. Como mãe, ela era uma pessoa muito especial, superprotetora e companheira nas horas precisas”, detalha o jovem.
Carinho de mãe

A família de Luciana Regina De Faria, 46, também sofre com a morte da mulher, vítima de feminicídio em setembro do ano passado. Diagnosticada com esquizofrenia, a moradora do Recanto das Emas havia desaparecido em 31 de agosto de 2021. O corpo dela foi localizado carbonizado em 10 de setembro, 10 dias após registro do boletim de ocorrência na delegacia.

Na época, Dryelle Sabrina de Faria Alves, 22, filha de Luciana, contou ao Metrópoles que a mãe era muito religiosa e gostava de conversar com todo mundo. Oito meses depois, relembra como ela era uma pessoa especial.

“O que posso dizer dela como mãe era o diferencial, pois ela era muito carinhosa e educada. Era uma pessoa muito inteligente, e, para mim e para minha família, sempre será uma pessoa especial. Sempre vai estar em nossas lembranças”, conta Dryelle.

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Protetora

No dia em que a Lei Maria da Penha completou 12 anos, em 7 de agosto de 2018, um policial militar matou a esposa, Adriana Castro Rosa Santos, 40, e tirou a própria vida, no Riacho Fundo II. Eles eram pais de um menino de 11 anos e uma menina de 8. A dor da perda é vivida pela família da mulher desde a tragédia.

Marcelo Adson, irmão mais novo da vítima, relata que “Di”, como era carinhosamente chamada, deixa saudade eterna, que não passa. Como mãe, sempre foi amorosa e protetora.

“Ela foi em vida uma mãe maravilhosa para os dois filhos, os protegeu como pôde do pai. Ela não foi apenas a minha irmã, ela foi também minha mãe, pois me criou desde o nascimento. É uma pena ela ter partido dessa forma tão brutal. Para nós, fica um vazio sem fundo”, desabafa Marcelo.

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