No Outubro Rosa, HBDF fica sem remédios para quimioterapia de pacientes com câncer

A unidade de referência oncológica está desabastecida de pelo menos dois medicamentos quimioterápicos por inadimplência com fornecedores

atualizado 22/10/2020 8:36

Daniel Ferreira/Metrópoles

A grave crise financeira vivida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) não afetou apenas a compra de papel higiênico e sabonetes, conforme revelado pelo Metrópoles. Em plena campanha do Outubro Rosa, os pacientes com câncer que dependem da quimioterapia do Hospital de Base (HBDF) estão sem realizar o tratamento por falta de pagamento a fornecedores.

Dois medicamentos quimioterápicos específicos estão em falta na unidade hospitalar, uma das referências no tratamento oncológico no Distrito Federal. Um deles é o Docetazel, usado em casos de câncer de mama, de pulmão, do ovário e da próstata, por exemplo. O outro é o Cloridrato de Doxorrubicina que, além de tratar os mencionados diagnósticos, é indicado para câncer de tireoide e de bexiga.

A quimioterapia é um dos recursos mais adotados por médicos oncologistas para tentar inibir os avanços da doença no organismo do paciente. Se o tratamento é interrompido ou mesmo não realizado de maneira adequada, a sua eficácia cai consideravelmente, o que aumenta o risco de a doença retornar.

“A gente tem recebido pacientes oncológicos que buscam ajuda para manter o tratamento, já que o Hospital de Base está sem os medicamentos. Criamos uma assessoria jurídica específica para cuidar dessas denúncias, porque, no caso do câncer, o tempo pode ser um grande aliado, mas também o maior adversário”, explica Christiano Ramos, presidente da Amigos da Vida – organização não governamental que dá suporte a pessoas sem condições de custear o próprio tratamento.

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Ramos demonstra preocupação pelo fato de a unidade de referência estar passando pelas atuais dificuldades, mas orienta os pacientes e familiares a procurar o auxílio da ONG.

“Tivemos um caso de uma senhora que foi diagnosticada com câncer no útero e ficou sem o tratamento adequado. Quando ela foi perceber, a doença já havia afetado os pulmões e resultado num quadro de metástase [quando células doentes alcançam órgãos diferentes da região do câncer primário]. Nesse caso, a agilidade faria toda a diferença para evitar esse quadro, infelizmente”, lamentou.

Dívidas

A compra dos medicamentos em falta no Hospital de Base está impedida como resultado da inadimplência do Iges-DF com os fornecedores. A reportagem apurou que as faturas estão há pelo menos três meses sem pagamento, o que bloqueou novas aquisições.

Caso o atual cenário não seja revertido, há um risco iminente de desabastecimento de mais de 60% dos quimioterápicos dentro do estoque disponível no instituto que administra o HBDF.

O que diz o Iges-DF?

Procurado pelo Metrópoles, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde não estabeleceu um prazo para a retomada da normalidade. A entidade informou que a nova diretoria entrou em negociação com todas as empresas responsáveis pelo fornecimento dos remédios quimioterápicos.

“A nova gestão informa que está revendo todos os contratos firmados anteriormente. Os estoques serão normalizados o mais rápido possível. Todas as sessões que foram adiadas também serão retomadas”, garantiu o instituto.

Colaborou Caio Barbieri

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