Moradora do DF é impedida de tomar vacina porque CPF foi usado em SP

Maria Luzia, 59 anos, é hipertensa. Ela agendou a vacina, mas quando chegou ao posto teve a imunização negada

atualizado 11/06/2021 9:21

Moradora do DF não consegue vacinar por ter CPF clonadoImagem cedida ao Metrópoles

Uma moradora de São Sebastião com comorbidades e de 59 anos viu o sonho de ser vacinada contra a Covid-19 se tornar um pesadelo após fraude com sua documentação. Maria Luzia Moreno Ferreira esperou entrar na prioridade, fez o cadastro no site da Secretaria de Saúde, agendou a data, mas quando chegou ao posto, a surpresa: uma pessoa havia usado o CPF dela para se vacinar no interior de São Paulo.

Maria Luzia levou um susto quando foi informada pela enfermeira e chegou a passar mal, pois é hipertensa. “Ela disse em voz alta: ‘Dona Maria Luzia? A senhora já foi vacinada em São Paulo, em 25 de maio. Tomou a D1’. Eu levei um susto e disse que nem do DF eu saí”, contou a diarista.

Diante da confusão, a enfermeira que aplicava as doses no posto de saúde de São Sebastião fez um relatório para que a diarista registrasse um boletim de ocorrência na delegacia. Além disso, orientou a mulher a abrir um chamado na Ouvidoria do GDF por meio do 162.

Maria Luzia fez todos os procedimentos. Em 7 de junho, registrou boletim de ocorrência na 30ª Delegacia de Polícia e abriu o chamado na Ouvidoria. Ela foi informada de que a primeira resposta sobre o caso, que está em apuração interna, será dada em 20 dias.

Veja relatório da enfermeira:

 

0

 

Medo e preocupação

Sem conseguir receber a vacina, Maria Luzia está com medo de contrair a Covid-19 e ainda teme pelas pessoas com as quais trabalha. “Eu sou diarista, pego ônibus todos os dias. Tenho patrões muito legais, que têm pais de 80 anos. Meu marido tem 75 anos. Eu pensei que seria imunizada e, devido a um problema que eu não criei, a uma fraude, eu não consigo tomar minha dose”, lamentou.

Além disso, ela relata temer perder diárias porque alguns patrões começam a cobrar o cartão de vacina com medo da doença.

O caso é apurado na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). Maria Luzia foi instruída a entrar na Justiça para conseguir provar que não se vacinou e que o CPF dela foi usado por outra pessoa.

O que diz a SES
Questionada a respeito do caso e sobre a possibilidade de existir outros casos no DF, a Secretaria de Saúde informou, por meio de nota, que “a orientação para casos como esse é realizar um boletim de ocorrência e fazer uma reclamação na Ouvidoria, com a cópia do BO. Após isso, a demanda será encaminhada ao Ministério da Saúde”, disse.

Últimas notícias