O GDF diz ter solucionado o mistério que rondava a causa da morte de milhares de peixes no Lago Paranoá em 17 de novembro. Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a grande proliferação de cianobactérias que consomem o oxigênio da água é decorrente da poluição levada pelos córregos que abastecem o reservatório. Com as fortes tempestades de novembro, maior quantidade de dejetos chegou aos rios. A principal causa desse problema, diz a presidente do Ibram, Jane Vilas Bôas, é tão antigo quanto o próprio Distrito Federal: a ocupação desordenada de terras.

A situação mais alarmante foi verificada no curso d’água do Riacho Fundo. Segundo estudos feitos pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa), trechos do rio que passam por ambientes urbanos apresentaram grande concentração de fósforo, causador do aumento de cianobactérias. O índice chegou a 0,345 mg/l, enquanto o limite ideal é de 0,05 mg/l.

Mas invasões e construções irregulares às margens de rios em regiões como Vicente Pires, Vila Cauhy e Bernardo Sayão também agravaram os danos ambientais, com o aumento do depósito de lixo e materiais tóxicos que foram levados ao Lago Paranoá com o início do período chuvoso.

Esgotos irregulares, depósito de lixo, destruição da mata ciliar e excesso de fertilizantes com fósforo usado em chácaras agrícolas contribuíram para o crescimento desses micro-organismos e o episódio da mortandade dos peixes"
Jane Vilas Bôas, presidente do Ibram

Segundo o presidente da Adasa, Paulo Salles, o aumento do volume de material despejado nas galerias de águas pluviais também prejudicou o meio ambiente. “Esse crescimento é devido, entre outras coisas, aos esgotos irregulares”, afirmou. “Os estudos mostraram que não foi um único fator que causou o episódio, mas a combinação dessas questões”, completou Salles.

Trechos liberados
Segundo o GDF, os trechos do Lago Paranoá interditados em novembro ­— das proximidades da Ponte das Garças até a Ponte Honestino Guimarães — serão liberados para a população nos próximos dias.

João Gabriel Amador/Metrópoles

Presidentes da Caesb, do Ibram e da Adasa convocaram coletiva

Fiscalização e grilagem de terras
Para evitar que o problema se repita, os órgãos presentes no evento convocado pelo GDF para anunciar os danos ambientais ao Lago Paranoá — Adasa, Ibram, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) — prometeram realizar esforços conjuntos de fiscalização. As ações dos próximos meses terão foco nos agentes poluidores no Riacho Fundo e nas ligações irregulares de esgoto.

O anúncio dos órgãos ambientais nesta quinta-feira (22) ocorre num período em que o GDF tem intensificado o discurso sobre questões fundiárias na capital federal. Ao mesmo tempo em que o Executivo tem promovido uma série de derrubadas em invasões, na Câmara Legislativa tramita um projeto que trata da regularização de áreas rurais do Distrito Federal.

As controvérsias no debate foram parar na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. No último dia 5, o colegiado promoveu audiência pública para tratar da questão fundiária no DF. O tema central foram as desapropriações e derrubadas de moradias irregulares promovidas pela Agência de Fiscalização (Agefis). Representantes do governo local defenderam as ações, enquanto associações de moradores acusaram a agência de cometer ilegalidades.