Grupo de mães sai em defesa do Colégio Dom Pedro II após polêmicas

Cerca de 20 responsáveis por alunos elogiaram a metodologia de ensino. Medida ocorre em meio a denúncias de assédio moral e racismo

atualizado

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Andre Borges/Especial para o Metrópoles
colégio militar Dom Pedro II
1 de 1 colégio militar Dom Pedro II - Foto: Andre Borges/Especial para o Metrópoles

Após denúncias de assédio moral e racismo resultarem no afastamento do tenente-coronel Marcos Antônio Nascimento de Souza Apolônio do comando do Colégio Militar Dom Pedro II, um grupo de mães de alunos saiu em defesa da instituição de ensino, nesta quarta-feira (29/05/2019).

Cerca de 20 mães procuraram o Metrópoles para afirmar que as polêmicas foram exageradas e que a instituição, uma das mais respeitadas do país, preza não só pela disciplina, mas também pelo ensino de excelência.

Na presença do subdiretor de Ensino do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), tenente-coronel Célio Wilson, as responsáveis pelos estudantes e o oficial receberam a reportagem em uma sala do comando da escola, para elogiar e defender a metodologia de ensino adotada no colégio.

O grupo se contrapõe a outras mães e pais, que manifestaram descontentamento em relação à postura do tenente-coronel Nascimento ao repreender jovens que dançaram funk em uma apresentação musical. Em outra polêmica, uma aluna negra com tranças afro contou ter sido abordada por um monitor que recomendou a ela “cortar ou alisar” o cabelo para não sofrer sanções.

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Um grupo de mães saiu em defesa da instituição
Reunião ocorreu no início da tarde desta quarta-feira (29/05/2019)
Nas últimas semanas, o colégio foi alvo de polêmicas
O subdiretor de Ensino, tenente-coronel Célio Wilson, recebeu as mães
Tenente-coronel Célio Wilson, subdiretor de Ensino do CBMDF
Entrada do Colégio Militar Dom Pedro II
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Entrada do Colégio Militar Dom Pedro II

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Um grupo de mães saiu em defesa da instituição
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Um grupo de mães saiu em defesa da instituição

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Reunião ocorreu no início da tarde desta quarta-feira (29/05/2019)

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Nas últimas semanas, o colégio foi alvo de polêmicas

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O subdiretor de Ensino, tenente-coronel Célio Wilson, recebeu as mães

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Tenente-coronel Célio Wilson, subdiretor de Ensino do CBMDF
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Tenente-coronel Célio Wilson, subdiretor de Ensino do CBMDF

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Mãe de uma aluna do 7º ano, a securitária Juliana Vieira, 44, disse que o posicionamento do grupo é a favor da escola, não do comandante recém-exonerado.

“Regras são regras. Nós não estamos em uma instituição militarizada. Estamos numa instituição militar, o que é diferente. A partir do momento em que queremos ter nossos filhos aqui – e eles querem estar aqui –, todas as regras são informadas. Todos sabemos o que pode e o que não pode”, destacou Juliana.

A gerente de TI Luciana Aparecida Domingues da Silva, 35 anos, tem duas filhas e um enteado matriculados na escola e se juntou ao grupo em defesa da instituição.

“Fiquei muito triste e conversei com as minhas filhas, que amam esse colégio. Elas disseram que não acontece nada disso aqui dentro, e viemos para defender um método em que acreditamos. Em resumo, acho que, se o pai não concorda com a filosofia da escola, o filho não tem que estar aqui”, opinou.

A historiadora Maria Auxiliadora Neves é mãe de uma adolescente matriculada no 2º ano do ensino médio e defendeu que o problema deveria ter sido equacionado de outra maneira. “Tudo poderia ter sido resolvido internamente, na base do diálogo. O meio correto era protocolar o pedido na ouvidoria e que todos os procedimentos legais fossem tomados”, afirmou.

Manutenção da metodologia
O tenente-coronel Célio Wilson, subdiretor de Ensino do CBMDF, informou que recebeu as mães para esclarecer que a forma como o colégio desenvolve os seus trabalhos não foi nem será mudada.

A exoneração ocorreu para que haja lisura e transparência na apuração da denúncia. Nosso maior intuito é preservar o colégio e todos os alunos. Não foi uma punição. Vamos continuar zelando pelo respeito e, paralelamente a isso, será feito um procedimento interno para saber se realmente ocorreu um fato que fere as normas da instituição

Tenente-coronel Célio Wilson, subdiretor de Ensino do CBMDF

Entenda o caso
Como mostrou o Metrópoles nesse domingo (26/05/2019), uma aluna negra com tranças afro contou ter sido abordada por um monitor que recomendou a ela “cortar ou alisar” o cabelo para não sofrer sanções. Em uma reunião de pais e alunos na última quinta-feira (23/05/2019), a mãe da jovem relatou o constrangimento enfrentado pela filha.

O desabafo da mulher foi registrado por outras mães durante o encontro. O Metrópoles teve acesso ao áudio, mas, como não conseguiu entrar em contato com a família, optou por não divulgar a gravação, apenas transcrever a declaração:

“Eu tentei passar para ela que era só uma questão de padronização, mas, para mim, é racismo. Anos atrás, não tínhamos mulheres no serviço militar. Hoje, temos. Antes, poderia não ter negros, não ter mulheres negras, não ter cabelo afro, mas hoje temos. E temos que saber lidar com isso”, disse a mãe da jovem, com a voz embargada. “Falta preparação pedagógica, saber lidar com a diversidade e o novo. Não dá para jogar fora o que está fora do padrão”, completou.

Segundo o relato de outros estudantes, a aluna abordada pelo monitor possui várias tranças, que estavam presas conforme o manual da instituição no momento da intervenção do bedel. Mesmo assim, ela foi orientada a “cortar ou alisar”.

Poucos dias depois desse caso, um grupo de cerca de 50 jovens foi repreendido pelo diretor da instituição após uma apresentação musical ao ritmo de funk, durante competição esportiva. As críticas às estudantes foram feitas diante de todo o corpo discente, ou seja, na presença de quase 3 mil pessoas.

Além disso, a instituição vetou uma das obras cobradas nas provas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB). De acordo com relatos de alunos, o romance estava na programação de estudos do 2º ano do ensino médio, mas foi excluído das aulas por “ferir a moral da instituição” ao retratar um relacionamento homossexual.

Comemoração
A reunião na qual o caso ganhou notoriedade foi convocada às pressas, após um áudio do então comandante da escola, o tenente-coronel Marcos Antônio Nascimento de Souza Apolônio, repercutir em grupos de WhatsApp. A gravação foi feita durante a cerimônia de entrega de medalhas do evento esportivo anual da instituição, na manhã da última quarta-feira (22/05/2019).

Com uma plateia de quase 3 mil estudantes, o diretor da instituição repreendeu um grupo de cerca de 50 jovens que, na semana anterior, em 15 de maio, havia feito uma apresentação musical ao ritmo de funk, durante competição esportiva.

“[Isso] Nos desrespeitou. [Foi uma] Afronta a uma ordem direta. Não quero que vocês sejam surpreendidos com as medidas disciplinares que serão aplicadas a todos que participaram”, afirma Nascimento no áudio. “Nossa intenção foi preservar vocês do desrespeito que essas músicas promovem com as próprias mulheres, com as próprias meninas do nosso colégio”, continua ele na gravação.

Ouça:

A música responsável pela confusão é um hit da funkeira MC Pocahontas. De acordo com as estudantes, a canção Não Sou Obrigada foi submetida à aprovação dos dirigentes da escola. “Passamos uma lista com todas as músicas. Três foram vetadas e uma teve o refrão censurado. Nós nos adequamos a todos os pedidos. Mudamos tudo correndo”, revelou uma das jovens que participou da apresentação.

Com a repercussão negativa das denúncias, o comandante-geral do CBMDF, coronel Carlos Emilson Ferreira dos Santos, afastou, na noite dessa terça-feira (28/05/2019), o tenente-coronel Marcos Antônio Nascimento de Souza Apolônio da chefia do Colégio Dom Pedro II.

Assédio sexual
A confusão ocorre em um momento no qual a instituição passa por outro caso de repercussão negativa. Há duas semanas, veio a público uma denúncia de assédio sexual contra uma adolescente de 13 anos aluna do Colégio Dom Pedro II. O autor seria um professor de futsal da escola que é bombeiro reformado.

A corporação confirmou ao Metrópoles que o educador foi demitido por justa causa em 2 de maio. Informou ainda que, tão logo soube da denúncia, em 24 de abril, afastou preventivamente o militar por 15 dias. Porém, mesmo antes de o período terminar, decidiu pela demissão por justa causa, uma vez que “o funcionário não detém perfil adequado para permanecer como docente na instituição”.

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