Assassino de cadeirante é foragido do regime semiaberto no DF

Kleilson Sales Araújo, 37 anos, é interno do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) e havia saído pra trabalhar quando cometeu o crime

Myke Sena/Especial para o MetropolesMyke Sena/Especial para o Metropoles

atualizado 30/10/2019 18:59

O homem que matou o cadeirante Marcílio Pereira, 57 anos, é presidiário e cumpria regime semiaberto quando cometeu o crime, na manhã dessa terça-feira (29/10/2019). Kleilson Sales Araújo, apelidado de “Zebra”, 37 anos, é interno do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), no Complexo Penitenciário da Papuda, e havia saído pra trabalhar quando assaltou o ônibus onde estava a vítima.

Investigadores da 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho) pediram a prisão prisão preventiva do suspeito, que permanecia foragido até a última atualização deste texto. A polícia desconfia que o criminoso tenha fugido do Distrito Federal. Ele é natural da cidade de Esperantina, no Piauí.

Marcílio Pereira seguia para uma igreja católica no Plano Piloto quando o bandido entrou no veículo, na BR-020, altura de Sobradinho, e anunciou o roubo. Ele reagiu agarrando as pernas do suspeito e levou um tiro no peito. Logo em seguida, o presidiário fugiu do local com a ajuda de um comparsa, que o esperava na rodovia, em uma motocicleta.

De acordo com o delegado-chefe da 13ª DP, Hudson Maldonado, Kleilson estava preso após ser condenado por crime de receptação. “Além disso, ele já tinha oito passagens por roubo com emprego de arma de fogo, duas por formação de quadrilha, uma por receptação, uma por corrupção de menores e a última por posse de drogas”, explicou o delegado.

Vários passageiros que estavam no coletivo confirmaram que Kleilson foi o responsável por abrir fogo e matar o cadeirante. Além disso, a Polícia Civil confirmou a existência de impressões digitais do suspeito em um dos aparelhos celulares que foram roubados na ação criminosa e depois recuperados pelas autoridades.

PCDF/Divulgação
Acusado da morte, Kleilson está foragido
Reação

Marcílio morreu após reagir a um assalto no ônibus da linha 640.2. Imagens da câmera de segurança de um outro coletivo, que vinha atrás, mostram o momento em que o homem acusado de efetuar o disparo desce do veículo. Na gravação, é possível ver Kleilson com um boné e uma sacola na mão, onde estariam os pertences roubados dos passageiros.

A família informou não ter sido a primeira vez que o cadeirante reagiu a um assalto. “A gente tentava falar, mas meu tio dizia que nunca ia deixar o assaltarem. Das outras vezes, os bandidos só bateram nele. Agora, não teve sorte”, contou uma sobrinha.

Marcílio, segundo a sobrinha, sofria de distúrbios mentais e morava com a irmã e a mãe, portadora de Alzheimer. De acordo com Jéssica, os familiares estão em choque com a notícia da morte do parente.

À reportagem, a moça descreveu Marcílio como um “tio amoroso que sempre quis cuidar da família”. “Ele tinha seus defeitos, como todo ser humano, mas era extremamente carinhoso e sentimental. Quando a gente brigava com ele, era o primeiro a chorar. Minha avó [mãe da vítima] está em choque, tem chorado o dia todo”, disse.

Veja o vídeo. O suspeito aparece a partir do segundo 52:

Violência em coletivos

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que, somente nos primeiros nove meses de 2019, foram registrados 1.209 roubos ao transporte coletivo no Distrito Federal. A média é superior a quatro assaltos por dia. Na semana passada, um motorista que trabalhava na região do Sol Nascente, em Ceilândia, levou um tiro no rosto durante um roubo em plena luz do dia.

As câmeras de segurança do ônibus flagraram o momento em que Elson Ferreira, 29, foi baleado no dia 23 de outubro. Os bandidos entram no veículo e logo atiram contra a vítima. Na imagem, é possível ver o clarão provocado pelo disparo.

Segundos depois, o condutor perde o controle do coletivo e bate em um muro de uma chácara, localizada no Sol Nascente, em Ceilândia. Três suspeitos foram presos, incluindo um adolescente de 15 anos e o irmão dele.

Assista ao vídeo do assalto:

Medo em Samambaia

Um dos pontos mais críticos é Samambaia. Reportagem publicada pelo Metrópoles mostra que, de janeiro a outubro de 2019, 254 ocorrências de roubo a coletivo foram registradas na área norte da região administrativa, ou seja, 20% a mais em relação ao mesmo período do ano passado.

Motoristas e cobradores ouvidos pela reportagem ressaltam que os crimes, antes cometidos à noite, passaram a acontecer durante o dia, principalmente por volta das 12h.

Em setembro, o número de registros em Samambaia Norte saltou de seis para 26 assaltos. Conforme dados obtidos pelo Metrópoles, a Quadra 425 é a que tem a maior incidência de casos. Até agora, são 72 denúncias. O dia em que os episódios de violência ocorrem com mais frequência é na quinta-feira, das 12h à 0h.

O mês que mais apresentou aumento foi julho, passando de 14 ocorrências para 49, ou seja, 250% a mais. Em agosto, houve uma pequena redução; mesmo assim, 44 assaltos foram computados na ocasião. No entanto, se esse dado comparado ao mesmo período de 2018, o aumento é de 131%.

“Os rodoviários estão recusando-se a trabalhar nessa área. Sentem muito medo. Os assaltantes sempre agem armados com facas, com violência. Nós fizemos várias reuniões com a polícia em Samambaia, pedindo maior intensificação nas abordagens. Os assaltos, agora, acontecem durante o dia, por volta das 11h às 12h, que é a hora de parada do pessoal do primeiro turno”, detalhou o secretário-geral do Sindicato dos Rodoviários do Distrito Federal, José Wilson.

Questionada sobre a segurança em Samambaia Norte, a Polícia Militar explicou, por meio de nota, que uma das dificuldades enfrentadas pela corporação é que muitos criminosos são reincidentes. “Mesmo assim, não permanecem presos. Além disso, na região, o acesso a uma mata facilita a fuga dos criminosos”, diz o texto.

Em entrevista ao Metrópoles, o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, afirmou que as solturas contribuem para o aumento da sensação de insegurança entre os brasilienses. “A questão de segurança tem solução: prisão e manutenção da prisão. Estamos com um problema muito grave no Brasil: que se prende e solta”, criticou.

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