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A explosão dos clubes de tiro: número de novos registros saltou 113% sob Bolsonaro

Forças de segurança estaduais defendem que estabelecimentos sejam fechados no dia da eleição para diminuir risco de violência

atualizado 27/09/2022 12:04

Bolsonaro vai a estande de tiro Reprodução/Redes sociais

A emissão de certificados oficiais que autorizam a abertura de clubes de tiro no país aumentou 113,5% no governo do presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.

A quantidade de registros concedidos a entidades de tiro desportivo saltou de 163 em 2018 para 348 em 2021. Os dados são do Exército e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

No fim de julho deste ano, o total de clubes de tiro em funcionamento em todo o Brasil chegava a 2.095.

Em paralelo, também aumentou o número de pessoas com autorização legal para portar armas graças a medidas de facilitação baixadas pelo governo Bolsonaro.

Com o incentivo declarado do presidente, o total de brasileiros com registro de CACs — sigla para Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores — foi de 117.467 para 673.818 entre 2018 e meados de 2022, um aumento de 473,6%, conforme dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Preocupação nas eleições

A explosão do número de CACs tem preocupado as forças de segurança estaduais às vésperas das eleições.

Na semana passada, integrantes do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil, o CONCPC, estiveram reunidos com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, e se mostraram temerosos com a combinação entre o clima de acirramento político no país e a profusão de armas legalizadas em poder da população.

A coluna apurou que alguns chefes de polícia propuseram que o tribunal proíba a abertura dos clubes de tiro no dia 2 de outubro para evitar episódios de violência.

O fechamento dos clubes poderia reduzir o risco, já que para circular com armas os atiradores desportivos precisam portar uma guia de tráfego justificando que estão a caminho do local de treino. Com os clubes fechados no dia das eleições, portanto, eles não poderiam andar com os armamentos.

Alexandre de Moraes ouviu a proposta, mas não garantiu que ela será acolhida. A coluna procurou o tribunal para saber se a medida pode ser adotada, mas ainda não obteve retorno.

No dia 30 de agosto, o TSE decidiu, por unanimidade, proibir o porte de arma nas seções de votação e a um raio de 100 metros desses locais. Ao apresentar seu voto, o relator, ministro Ricardo Lewandowski, mencionou o aumento de CACs no país.

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