com Rebeca Ligabue, Hebert Madeira e Sabrina Pessoa

Alta-costura: confira as principais tendências desta temporada

Degradês, tons de dourado e aplicações tridimensionais foram os grandes destaques da semana de moda mais opulenta do circuito internacional

atualizado 25/01/2020 8:26

Karlie Kloss em desfile de Jean Paul GaultierStephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images

A Semana de Alta-costura de primavera/verão 2020 chegou ao fim na última quinta-feira (23/01/2020) trazendo dezenas de novas tendências para a indústria têxtil. Por seu caráter exclusivo, nem todos os fashionistas podem ter acesso às criações desfiladas semestralmente em Paris, mas é importante ficar atento às novidades do evento. O segmento ready-to-wear, muitas vezes, se inspira nos trabalhos vistos por lá para criar suas próximas coleções.

Vem comigo conferir quais as trends mais exploradas na haute couture!

Por dar aos estilistas uma maior liberdade criativa, muitos designers usam a Semana de Alta-costura para extrapolar as barreiras comerciais do prêt-à-porter. Sendo assim, a maioria das coleções desfiladas no evento são marcadas pela extravagância.

Neste contexto, as silhuetas costumam ganhar modelagens exageradas e muitos trabalhos manuais, que levam meses para serem executados. Bordados, plumas, pedrarias, babados e saias amplas são presenças confirmadas nos desfiles, mas há características que surgem pontualmente em determinadas estações.

Na temporada de primavera/verão 2020, os degradês, tons de dourado e aplicações tridimensionais foram os grandes destaques da semana de moda mais luxuosa do circuito internacional. Outras tendências também surgiram com frequência nos compilados das maisons que participam do evento francês.

Veja:

Degradês

O tie-dye, que ganha força na moda desde que os anos 1990, voltou ao street style, mas a Semana de Alta-costura indica que a técnica não deve deixar o mundo fashion tão cedo. Onze das 34 marcas que estavam escaladas para a edição de primavera/verão 2020 apresentaram peças com degradês coloridos, entre Givenchy, Giorgio Armani, Ralph & Russo e Iris Van Herpen.

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Givenchy uniu roxo, azul e amarelo nesta composição

 

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Giorgio Armani foi do azul ao vermelho, passando pelo preto

 

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Julien Fournie criou tie-dye na barra da saia

 

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O degradê metalizado da Dior

 

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A Ralph & Russo deu vida aos tons pastéis com o verde neon

 

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Mais um da Ralph & Russo, agora em paetês

 

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Georges Chakra usou rosa e azul

 

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O multicolorido de Tony Ward

 

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Iris Van Herpen criou efeito de continuidade

 

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Georges Hobeika optou pelas cores quentes

 

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Yuima Nakazato apostou no degradê para pegada futurista

 

Insha’Allah

Por seu brilho marcante e impacto visual, o dourado chegou a ser considerado cafona nos últimos anos. No entanto, a invenção de tecidos e fibras cada vez mais reluzentes levou os estilistas a apostarem no tom metalizado mais uma vez. Nas marcas especializadas em vestidos de festa, como Zuhair Murad e Elie Saab, o pigmento foi bastante difundido, enquanto a Christian Dior norteou toda a sua coleção com a cor.

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Zuhair Murad investiu em paetês dourados

 

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Alexandre Vauthier escolheu tecido amarrotado

 

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Mais paetês na Julie De Libran

 

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Em tom mais claro, na passarela de Elie Saab

 

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Georges Hobeika mesclou texturas

 

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A Azzaro Couture e o aspecto laminado

 

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Mais texturas no trabalho de Antonio Grimaldi

 

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Franjas douradas na Christian Dior

 

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A assimetria da RVDK Ronald Van Der Kemp

 

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Maxi paetês na Maison Rabih Kayrouz

 

Primavera 3D

Por ser dedicada à primavera, é natural que a primeira Semana de Alta-costura do ano sempre traga flores em estampas e bordados. Contudo, em 2020, pétalas e galhos foram usados em aplicações tridimensionais, dando uma textura extra aos trabalhos exibidos em Paris.

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Georges Hobeika aplicou flores em vestido cortado a laser

 

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Na Rahul Mishra, teve até passarinho

 

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No decote de Georges Chakra

 

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Na barra deste vestido de Tony Ward

 

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Modelagem tridimensional da RVDK Ronald Van Der Kemp

 

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Alexandre Vauthier criou flores abstratas

 

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Muitas pétalas nos detalhes da Yanina

 

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Degradê de galhos na Givenchy

 

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Aplicações florais em blusa da Chanel

 

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Entre transparências, na Ralph & Russo

 

Ternos decorativistas

A elegância e a tradição da alfaiataria ajudaram a redefinir o sex appeal feminino após o início da era #MeToo, fazendo os ternos se tornarem febre entre as amantes da moda. Atenta a essa movimentação, a alta-costura tem investido cada vez mais nos costumes. Nesta temporada, os conjuntos de blazer e calça ganharam acabamentos preciosos, que elevaram ainda mais o status de poder da composição.

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Terno cintilante com bordados, da Yanina

 

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Modelagem diferenciada na Giorgio Armani

 

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Aplicações na manga do blazer da Givenchy

 

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A lapela arredondada de Stephane Rolland

 

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Um dos looks dourados da Dior

 

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Modelagem cropped com pedrarias, na Schiaparelli

 

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Cheio de detalhes e com shorts, na Zuhair Murad

 

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O conjunto de paetês da Ralph & Russo

 

Civilizações antigas

Enquanto o ready-to-wear mira nos anos 1970 e na Belle Époque para compor novas coleções, a haute couture foi um pouco mais longe no cenário histórico. As civilizações antigas de Egito, Grécia e Himalaia serviram de inspiração para os compilados da Zuhair Murad, Christian Dior e Guo Pei, ao passo que a simbologia do olho turco apareceu na Armani Privé e Schiaparelli.

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Zuhair Murad se inspirou no Egito antigo

 

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A Dior buscou referências na Grécia

 

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Guo Pei homenageou a Mongólia

 

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Giorgio Armani estampou vestidos com olhos turcos

 

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A Schiaparelli usou a simbologia nos acessórios

 

Casual couture

Depois de torcer narizes em sua estreia na alta-costura, no ano passado, Virginie Viard, estilista que substitui Karl Lagerfel na Chanel, surpreendeu negativamente. E não é a primeira vez. A francesa exibiu uma coleção que pode, facilmente, ser apontada como um trabalho de prêt-à-porter, com muitos looks básicos e peças esquecíveis. Ela, porém, não foi a única a apostar em produções casuais para o evento. Imane Ayissi, Christian Dior, Schiaparelli e Alexandre Vauthier também apresentaram roupas que poderiam ser vistas nas vitrines de um shopping center.

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A Chanel surgiu assim: bem “basiquinha”

 

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Coleção da casa francesa poderia ser para uma semana de moda comum

 

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Chemise sem detalhes, na Schiaparelli

 

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Composição simplória da Ayissi

 

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Um terno bem tradicional na Alexandre Vauthier

 

Mãos em evidência

Deixadas em desuso nas últimas décadas, as luvas tiveram mais uma oportunidade de brilhar no evento de haute couture. Elas foram aplicadas em um dos vestidos que abriram o desfile de aposentadoria de Jean-Paul Gaultier e ganharam cores vibrantes nas apresentações da Aganocvich, Valentino e Maison Margiela.

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Jean-Paul Gaultier aplicou luvas em vestido de tela

 

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Longas e coloridas na Valentino

 

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Par vermelho da RVDK Ronald Van Der Kemp

 

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Luva amarela deu vida ao look monocromático da Maison Margiela

 

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Silhuetas de mãos em vestido da Aganovich

 

Entre cristais e fitas adesivas

Truques de styling são usados para agregar estilo às produções de moda. Nesta temporada, as artimanhas mais utilizadas pelos diretores criativos para realçar seus looks foram as meias-calças texturizadas com cristais e pérolas, além de cintos. Na Maison Margiela, a dica é usar durex para finalizar vestidos e casacos, provando que nem tudo na alta-costura é envolto em requinte. Será que a moda pega?

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Meias com pérolas na Givenchy

 

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Com cristais, na Ralph & Russo

 

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Finalizando um blazer da Givenchy

 

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Grife também usou acessório para acinturar vestidos

 

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Elie Saab incorporou peça na mesma cor do vestido

 

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Mais um dos cintos de Elie Saab

 

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A Maison Margiela levou fitas adesivas à alta-costura

 

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Será que este truque pega entre os fashionistas?

 

Colaborou Danillo Costa

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