Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Molon mira Senado: “Quem votar em Romário dirá sim a Bolsonaro”

Em entrevista à coluna, Molon criticou o desempenho de Romário como senador e defendeu a ida de Alckmin para o PSB para ser vice de Lula

atualizado 17/12/2021 9:09

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Alessandro Molon está disposto a se candidatar o Senado pelo Rio de Janeiro em 2022, no que será o cargo mais poderoso que já disputou. Eleito deputado estadual por dois mandatos (2003-2011) e federal por três mandatos (2011-2023), o líder da Oposição ao governo Bolsonaro criticou Romário, senador do Rio de Janeiro que tentará a reeleição no ano que vem, e disse ver espaço para uma chapa do PSB que una a esquerda, a centro-esquerda e parte do centro em torno de seu nome ao Senado e de Marcelo Freixo ao governo do RJ. Em entrevista à coluna, Molon também defendeu a ida de Geraldo Alckmin para o PSB, para ser candidato a vice de Lula no ano que vem.

Molon definiu como “apagado” o mandato de Romário, e lembrou que o ex-jogador de futebol tentará a reeleição ao lado de Jair Bolsonaro, em cujo nome declarou voto antes mesmo de o presidente entrar para o seu partido, o PL.

“O desempenho de Romário como senador é bem diferente do que teve como deputado. Teve um mandato apagado no Senado. Mas o problema mais grave é ele ter decidido apoiar um presidente que está destruindo o Brasil e nada fez pelo Rio de Janeiro. Entregou 600 mil mortos, fez a miséria voltar ao debate nacional e mais e mais pessoas morarem nas ruas do Rio. Quem votar em Romário em 2022 estará dizendo um sim a Bolsonaro”.

Molon também lembrou que atualmente os três senadores do Rio de Janeiro são do PL e bolsonaristas: além de Romário, há Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho, que tomou posse após a morte de Arolde de Oliveira. Isso, em sua visão, é mais um argumento para que o senador eleito no ano que vem não seja do partido bolsonarista.

O deputado reconheceu que a esquerda fluminense é tradicionalmente dividida, mas vê um caminho para agregar as diferentes forças em torno de seu nome.

“Ser uma eleição difícil deve nos ajudar a evitar a fragmentação de candidaturas na disputa pelo Senado. Se não houver união do campo progressista e da justiça social, que é um campo que vai além da esquerda, pois pega a centro-esquerda e parte do centro, esse campo vai entregar essa vaga novamente para o Romário e portanto um bolsonarista, que votou a favor da reforma da Previdência, um senador que se alinha a essa pauta que destruiu o Rio e a vida dos brasileiros”, analisou.

Na última pesquisa eleitoral realizada para o governo do Rio de Janeiro, da Quaest, o senador Romário aparece em primeiro lugar, com 19%. Ele é seguido por Molon, com 12%, mesmo percentual do ex-prefeito Marcelo Crivella, que não deve ser candidato ao Senado.

Alckmin no PSB para ser vice de Lula

Presidente do PSB no Rio de Janeiro, Molon vem participando das discussões da cúpula do partido sobre o possível ingresso do ex-governador Geraldo Alckmin na legenda. O deputado defende essa aliança como uma maneira de acenar ao país que Lula tem a capacidade de aglutinar forças e pacificar.

“É importante para Lula demonstrar essa capacidade de aglutinar forças diferentes daquelas que ele tradicionalmente representa. Acenar para o país com uma capacidade de construir pontes, dialogar, pacificar, que é o contrário do que a gente tem visto no Brasil. O cenário é de disputa, de falta de diálogo e isolamento do presidente de quem pensa diferente dele. Lula é o contrário disso. Um candidato a vice como Alckmin sinaliza essa disposição de dialogar com o diferente, porque Alckmin é diferente de Lula. Trajetórias e campos diferentes que podem se juntar numa chapa”, analisou.

Molon salientou que essa diferença também existe entre Alckmin e o PSB, mas o partido “faria o esforço” de passar por cima dessas diferenças em nome de “salvar o Brasil”.

“O presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse ao PT que tem espaço para conversar sobre, dentro de um universo em que esse é um dos pontos. Alckmin tem uma trajetória diferente da nossa, mas é uma pessoa séria, que respeitamos. Se esse for um esforço que o PSB precisa fazer para salvar o Brasil, o PSB está disposto”.

Assista à integra da entrevista abaixo.

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