Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Natália Portinari

Líder do governo Lula sobre base aliada na Câmara: “Ainda não temos”

José Guimarães, líder do governo na Câmara dos Deputados, afirmou que Lula ainda não conseguiu formar uma base aliada para aprovar PECs

atualizado 24/03/2023 6:03

O deputado José Guimarães, líder do governo Lula na Câmara, gesticula durante entrevista ao Metrópoles Reprodução/Metrópoles

O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães, do PT do Ceará, admitiu que Lula não possui votos suficientes para aprovar qualquer mudança na Constituição. Em entrevista à coluna, nesta quinta-feira (23/3), Guimarães ressalvou que está otimista e que os percalços enfrentados pelo governo “não são o fim do mundo”.

“Toda hora me perguntam o tamanho da base, mas eu prefiro esperar o painel [de votação]. O presidencialismo de coalizão é construído com base na execução de projetos, de emendas e de orçamento. Não é política do toma-lá-da-cá. A Constituição estabeleceu esse modo de funcionamento para o Legislativo e para o Executivo. Nosso objetivo é construir uma base, que ainda não temos, para o quórum constitucional, mas isso vai depender de cada votação”, declarou.

O governo precisa de 308 votos de deputados para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no plenário.

Guimarães afirmou que a expectativa do governo é que os partidos que nomearam ministros “garantam os votos para aprovação dos projetos”. O líder na Câmara enviou um recado ao União Brasil, que indicou três ministros para a Esplanada, mas diz ser independente na Câmara. Na semana passada, o líder do União, Elmar Nascimento, declarou aos repórteres Thiago Resende e Julia Chaib que o partido não seria base do governo.

“A afirmação destoa daquilo que é fundamental para nós”, disse Guimarães. “[O União Brasil] é um partido que tem presença forte no governo, mas, ao final, o que importa são os votos.”

O petista destacou que o governo só discutirá reforma ministerial após a tramitação das pautas de interesse. “O governo não está votando nada, porque, além das Medidas Provisórias (MPs), não existe nada para ser votado. Nós só teremos a dimensão da força do governo quando levarmos para votação a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal.”

Sobre a tramitação das MPs, Guimarães pontuou que organizará um encontro na segunda-feira (27/3) para buscar acordo entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Guimarães considerou que a decisão de Pacheco de acatar a questão de ordem de Renan Calheiros não foi a melhor para firmar um entendimento entre as Casas. “O acirramento é ruim para o país.”

Na entrevista, Guimarães afirmou que Lira é um aliado do governo Lula e que a Câmara “não pode perder suas prerrogativas” na crise com o Senado. O petista também reclamou da manutenção da taxa básica de juros e criticou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizendo que ele não é “o deus do Brasil”.

Assista abaixo à íntegra da entrevista com José Guimarães, o líder do governo Lula na Câmara dos Deputados:

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