Opção por Rosso escanteia Izalci e sinaliza novo racha na terceira via

Apesar da maioria da aliança ter escolhido outra proposta, tucano tenta se reafirmar como candidato e ameaça cenário dos então aliados

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 20/07/2018 8:17

As turbulências políticas vividas pelo deputado federal e presidente do PSDB-DF, Izalci Lucas, têm testado a determinação do tucano em manter (ou não) o projeto de concorrer à sucessão do atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB). O anúncio dessa quinta-feira (19/7) de que seus aliados recuaram do apoio à sua eventual candidatura ao Governo do Distrito Federal pegou o tucano de surpresa e, mais uma vez, provocou um racha no grupo classificado por eles próprios como terceira via.

Contra a própria vontade, o parlamentar viu a maioria da sua coalizão optar pelo nome do companheiro de chapa e de Câmara dos Deputados, Rogério Rosso (PSD), como seu substituto na corrida pelos votos dos brasilienses. Desde que anunciou a disposição de encabeçar campanha majoritária ao GDF, Izalci tem sido alvo de ofensivas contra o projeto.

Primeiro, a resistência partiu de correligionários, o que desestabilizou a segurança política do parlamentar com os demais partidos da terceira via – além do PSDB, PRB, PSD, DC, PPS e PSC. Mais recentemente, a própria coalizão passou a costurar estratégia para demover o tucano da decisão de concorrer ao Buriti.

O entendimento interno é de que, apesar da escolha pelo nome de Izalci ter sido inicialmente por consenso, o grupo recuou da decisão por motivos mais pragmáticos e menos programáticos. Além de avaliarem a falta de crescimento na preferência do eleitorado ao tucano, a intransigência do político, segundo ponderaram, foi também crucial para a nova decisão.

O senador Cristovam Buarque, um dos articuladores da coalização, resumiu: Rogério Rosso pode agregar mais aliados à campanha do que Izalci.

Terceira tentativa
A aliança corre contra o tempo para tentar montar uma chapa convidativa e, claro, competitiva para tentar evitar a reeleição de Rollemberg. Com Izalci, não deu certo. Tentaram atrair o médico Jofran Frejat (PR) para integrar a composição. Também sem sucesso. Agora, esperam ter em Rogério Rosso, que anteriormente ocupou o Governo do DF com mandato tampão, um resultado diferente. E definitivo.

Apesar de ainda não ter confirmado se aceita ou não o desafio, Rosso sabe que dificilmente os companheiros, os quais foram favoráveis à mudança de estratégia, aceitarão Izalci de volta como cabeça de chapa. A instabilidade política prejudica a confiança com o eleitorado. Como consequência, o grupo ficará rachado e o estrago será ainda pior.

Com insatisfação óbvia sobre os novos rumos da aliança, o tucano sinalizou a permanência com o projeto, “nem que saia sozinho ou com dois partidos”, conforme declarou ao Metrópoles. A decisão foi reafirmada durante encontro com militantes de Planaltina (DF), na noite dessa quinta-feira (19).

Porém, o risco dessa determinação, chamada pelos aliados de Izalci de “intransigência”, é que a combalida oposição ao governo Rollemberg saia menor da disputa distrital, a qual nem começou de fato. E também que adversários do mesmo campo ideológico acabem fortalecidos.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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