Eduardo Bolsonaro usa caso Rhuan para atacar Kokay e ideologia de gênero

Parlamentar criticou a "pouca repercussão" do esquartejamento da criança no DF. Disse que só soube do crime por meio de perfis nas redes

Michel Jesus/ Câmara dos DeputadosMichel Jesus/ Câmara dos Deputados

atualizado 09/06/2019 18:05

Pelo Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou, neste domingo (10/06/2019), que o assassinato do menino Rhuan, ocorrido no mês passado no Distrito Federal, não teve repercussão nacional por conta da ideologia de gênero, segundo ele defendida por setores da mídia. O filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que ficou sabendo do caso por meio de “perfis individuais das redes sociais”. O parlamentar falou sobre a decisão da mãe de amputar o pênis da criança e associou o fato a projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional.

“A mãe do Rhuan e sua companheira acabaram fazendo uma cirurgia caseira de mudança de sexo, isso nas palavras dela. Ele foi bizarramente assassinado, esquartejado, mas esse crime parece que não está ecoando tanto na imprensa… Se você puxar um pouquinho, se raciocionar um pouquinho, você vai conseguir conectar esse caso à ideologia de gênero. Ou você não consegue conectar essa amputação de pênis com nenhum projeto da deputada Erika Kokay [PT] e Jean Willys [Psol]?”, provoca o deputado.

Veja a publicação:

 

Tramitação

Kokay e Willys são opositores ao grupo político do clã Bolsonaro e também autores da proposta que estabelece o direito à identidade de gênero definida como a vivência interna e individual das pessoas tal como cada um sente, que pode corresponder ou não com o sexo atribuído após o nascimento.

O texto ainda tramita na Câmara dos Deputados e é alvo de críticas de políticos da ala mais conservadora.

Procurada pela coluna, a deputada Erika Kokay afirmou ser “criminosa” a insinuação do colega de Parlamento. “Não consigo entender a relação. O meu projeto não se refere a crianças. O que ele falou é um absurdo: ou é má-fé ou é ignorância. Mas, no caso dele, seguramente são os dois. É  uma profunda estupidez fazer esse tipo de relação. Ele busca confundir e usa a lógica da mentira para exacerbar a cultura de ódio contra a população LGBT. Ao contrário do que ele diz, o projeto busca assegurar um direito das pessoas trans de poderem exercer socialmente a sua identidade. É só uma demonstração da profunda LGBTfobia e leviandade desse deputado. Chega a ser criminoso”.

No vídeo, Eduardo Bolsonaro ainda comentou: “Vocês se lembram do caso Nardoni, dos pais que mataram os filhos, ou de Suzane Von Richthofen, que assassinou brutalmente seus pais junto com os Cravinhos? Pois bem, esses casos tiveram grande repercussão nacional. Ocorre que agora aconteceu um caso tão bizarro, tão escandaloso, tão repugnante como esses, que é o assassinato do menino Rhuan. Só que, nesse caso, não está tendo grande repercussão na imprensa”.


Veja a cobertura do caso Rhuan feita pelo Metrópoles:

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SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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