Vacinação em Serrana protegeu até quem não se vacinou, diz pesquisa

Para pesquisadores, com 75% de população adulta vacinada, a imunização em massa causou efeito protetor em crianças e adolescentes

atualizado 31/05/2021 13:40

Serrana (SP) - Escola é posto de participação voluntária do Projeto S, que vacina maioria da população adulta de Serrana (SP)Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Os primeiros resultados do Projeto S, investigação científica da efetividade da Coronavac na “vida real”, promovida pelo Instituto Butantan, com a vacinação em massa da população adulta da cidade de Serrana (SP), foram divulgados nesta segunda-feira (31/5).

Para os pesquisadores e para o governo de São Paulo, o surto de Covid-19 está controlado em Serrana (SP), cidade de pouco mais de 45 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, assim como a vacinação em massa causou efeito protetor até em pessoas que não puderam se vacinar, caso de menores de idade, para os quais a vacinação ainda não foi aprovada.

“Houve redução da disseminação da doença, com redução de transmissão em pessoas que não tomaram a vacina”, declarou Ricardo Palacios, diretor de pesquisa clínica do Instituto Butantan. “Vacinar-se não é uma proteção apenas para você, também é para o outro. O efeito da vacina é tão forte que protege inclusive pessoas mais novas (menores não puderam se vacinar) e mais velhas”, afirmou.

“O que acontece com Serrana é o que deveria estar acontecendo no Brasil, não fosse o atraso da vacinação por parte do governo federal”, declarou o governado João Doria.

De acordo com os pesquisadores, após a vacinação em massa da cidade (68,5% de uma população de 45.644 habitantes), houve uma queda acentuada em números de casos, internações e mortes por Covid-19 na cidade.

Foram registrados os seguintes índices:

  • Queda de 95% no número de mortes
  • Redução em casos de Covid-19 com sintomas em 80%
  • Diminuição no número de internações em 86%
Acompanhamento

O Metrópoles acompanhou o fim da vacinação em Serrana em meados de de abril, quando a cidade zerou a fila de busca por UTI quando o resto do país ainda vivia congestionamento hospitalar durante a segunda onda de Covid-19 em março.

No início de maio, o Metrópoles já havia antecipado uma queda de ao menos 85,7% no número de óbitos na cidade, se baseando na comparação entre o número de mortes verificados nos dez primeiros dias de março, com a disseminação da variante brasileira de Covid-19, e o números de óbitos registrados após a imunização plena da população de Serrana.

“Após a vacinação, não vimos a disseminação de novas variantes e podemos confirmar que a Coronavac é segura e efetiva contra variantes”, declarou o médico pesquisador Ricardo Palacios, do Instituto Butantan.

Para Marcos Borges, diretor do Hospital Estadual de Serrana, um dos coordenadores do Projeto S, explica que a efetividade da vacina se comprova pelo desenho do estudo, que vacinou a população em grupos com uma semana de diferença. Outro aspecto importante para o controle da doença na cidade para o médico foi a adesão da população.

“As pessoas confiaram na vacina, confiaram no Butantan, confiaram nas instituições do hospital e da universidade”, afirmou Borges.

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