Secretário de PE é exonerado após ex-esposa denunciar agressões

Em declarações exclusivas para a Rede Globo, a ex-esposa do secretário Pedro Eurico relatou que sofreu agressões físicas e psicológicas

atualizado 08/12/2021 15:34

Pedro Eurico de Barros e SilvaReprodução/TV Globo

O governo de Pernambuco publicou, nesta quarta-feira (8/12), a exoneração do então secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico de Barros e Silva. Eduardo Gomes de Figueiredo assumirá o cargo.

A exoneração aconteceu depois de a ex-esposa do secretário, a economista aposentada Maria Eduarda Marques de Carvalho, dar declarações exclusivas para a NE 2, jornal da Rede Globo, na noite de terça-feira (7/12), sobre agressões durante o relacionamento com Pedro.

De acordo com a mulher, ela sofria agressões físicas e psicológicas, além de ameaças de morte por parte do secretário ao longo dos 25 anos em que estiveram juntos. O último boletim de ocorrência, dos 10 feitos, foi registrado em novembro.

0

Maria Eduarda de Carvalho declarou que o ex-marido “batia, dava murro, dava chute. A vida inteira. Ele sempre me bateu”. A economista ainda afirmou que Pedro Eurico vinha fazendo mais ameaças nos últimos anos, insinuando o que poderia fazer com ela.

“[Ele] Me acordava de madrugada dizendo que eu saísse de casa naquela hora porque ele tinha acabado de sonhar que me matava. Outro dia, ele dizia que ia acontecer um acidente, ia aparecer um acidente e ninguém ia desconfiar que era ele que tinha mandado fazer alguma coisa”, contou.

Denúncias

O relacionamento dois dois começou entre 1995 e 1996. Segundo Maria Eduarda, em março de 2000, antes do casamento, ela procurou a delegacia pela primeira vez, por conta de uma agressão.

A segunda queixa foi registrada no mês de setembro do mesmo ano. Em 2001, mais duas denúncias foram feitas e outras duas foram registradas no ano seguinte.

“De 2000, desse momento [em que esteve na delegacia], até 2003, foi uma perseguição na minha vida, infernal. Na minha e dos meus filhos. Ele ia mais cedo no colégio dos meus filhos, sequestrava meus filhos, levava para passear, ligava para mim dizendo que só devolvia quando eu ficasse com ele”, relatou.

Apesar das denúncias, a economista decidiu retomar o relacionamento e casou com o secretário em 2003. Ela esperava que, com o casamento, a relação “pudesse ser diferente”. Entretanto, segundo ela, foi pior: “Muito ciúme, muita agressividade, coisas que eu desconhecia na minha vida”.

Em 2008, mais uma queixa foi registrada. A mulher esteve na delegacia novamente em 2010, fazendo mais duas denúncias.

Ameaças atuais

De acordo com Maria Eduarda, a situação só piorou com o tempo.  Ela, então, resolveu morar na casa da mãe em novembro de 2021, que já presenciou as agressões.

A mulher ainda relatou que, nos últimos anos, os dois moravam juntos, mas dormiam em quartos separados. Além disso, a mulher deixava o segurança e o motorista em alerta para caso algo acontecesse.

De acordo com o portal G1, a Delegacia da Mulher de Paulista abriu um inquérito para investigar a última denúncia feita e já ouviu algumas testemunhas.

Em contrapartida, a Polícia Civil de Pernambuco informou, em nota, que “casos de medidas protetivas tramitam em sigilo, de acordo com a Lei Federal 11.340/06 (Lei Maria da Penha)”. Por esse motivo, eles não puderam fornecer informações sobre a investigação aberta. A polícia também não se posicionou sobre as outras queixas.

Mais lidas
Últimas notícias