Por ter encontrado Bolsonaro, irmão de secretário da Economia faz teste

Eugênio Mattar é CEO da locadora de veículos Localiza. Ele se euniu com o presidente na ultima sexta (3/7), em almoço com empresários

atualizado 07/07/2020 21:06

O empresário Eugênio Pacelli Mattar, CEO da locadora de veículos Localiza, optou por se submeter a um teste para verificar se contraiu a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (7/7), devido ao falo de ele ter se encontrado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última sexta-feira (3/7), durante um almoço com empresários no Palácio da Alvorada.

Mais cedo, o chefe do Executivo anunciou que testou positivo para a doença (leia mais abaixo).

“Ele está seguindo as medidas de distanciamento social. Seu quadro de saúde é normal e não apresenta nenhum tipo de sintoma da Covid-19. Segue com suas atividades por meio de plataformas digitais”, informou a Localiza.

Eugênio Mattar é irmão de Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia.

Bolsonaro com coronavírus

O presidente Jair Bolsonaro anunciou no início da tarde desta terça que seu exame para verificar se contraiu a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, deu positivo.

Veja o exame, feito por uma unidade do laboratório Sabin, em Brasília, aqui.

Este foi o quarto teste do chefe do Executivo para verificar se está com a doença — os outros três haviam dado negativo.

A diferença desse dos demais é que, no exame divulgado nesta terça, consta o nome do próprio presidente Bolsonaro. Nas ocasiões passadas, quando submetido aos exames, Bolsonaro optou por omitir o nome para, segundo ele, preservar sua identidade e segurança.

Metrópoles questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República sobre a mudança no protocolo e aguarda resposta.

Agenda presidencial

Com o diagnóstico positivo, o presidente Jair Bolsonaro passa a despachar diretamente do Palácio da Alvorada até que esteja apto para retornar ao Palácio do Planalto.

Para esta semana, duas viagens presidenciais estavam previstas. Bolsonaro cancelou visitas à Bahia e a Minas Gerais. No Alvorada, ele ainda deve receber auxiliares para assinar alguns despachos.

A previsão é de que o presidente faça um novo teste no início da próxima semana para verificar se criou anticorpos contra a Covid-19 e se está livre da doença.

Ao anunciar que havia contraído o novo coronavírus, o presidente afirmou que chegou a ter febre de 38ºC, mas que a temperatura começou a ceder ainda nessa segunda-feira (6/7). Ele também relatou ter sentido mal-estar e cansaço, mas que agora está se sentindo “perfeitamente bem”.

O presidente ainda afirmou ter tomado hidroxicloroquina, apesar de não existir comprovação científica da eficácia da substância para o novo coronavírus.

Bolsonaro tem 65 anos e faz parte da faixa etária considerada por especialistas como grupo de risco da Covid-19.

Sintomas no dia anterior

Nessa segunda-feira, Bolsonaro deixou o Palácio do Planalto no fim da tarde, às 17h42, e chegou ao Palácio da Alvorada por volta das 18h25. O trajeto entre os dois pontos costuma levar entre 5 e 10 minutos. Nesse intervalo, foi ao Hospital das Forças Armadas (HFA) para testar se contraiu o vírus.

Ao chegar ao Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que teria de manter distanciamento social e que estava “evitando” contato, pois havia acabado de voltar do hospital.

“Tô evitando [contato], que eu vim do hospital agora. Fiz uma chapa [raio-X] no pulmão, tá limpo. Fui fazer o exame da Covid agora há pouco, mas tá tudo bem”, disse.

De acordo com a agenda presidencial, Bolsonaro se encontrou com pelo menos seis ministros de seu governo na segunda. Foram eles: os ministros Paulo Guedes (Economia), Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e José Levi Mello (Advocacia-Geral da União).

Além disso, o presidente recebeu, em seu gabinete no Palácio do Planalto, o presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, o vice-presidente da NTC&Logística, Roberto Mira, e o secretário especial da Cultura, Mário Frias.

Bolsonaro já fez outros três testes para detecção do coronavírus e chamou o vírus de “gripezinha”.

Em maio, o jornal Estado de S.Paulo entrou com uma ação na Justiça para ter acesso aos exames do presidente. O governo entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) laudos dos três exames, todos com resultado negativo.

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