Em disputa pela filiação de Bolsonaro, PTB quer expulsar quadros “polêmicos”

Presidente interina da legenda defende a expulsão de Cristiane Brasil, Oswaldo Eustáquio e Fadi Faraj para sinalizar boa-vontade a Bolsonaro

atualizado 04/10/2021 18:53

PTB/Reprodução

Em disputa pela filiação de Jair Bolsonaro, o PTB de Roberto Jefferson estuda medidas mais severas, como a expulsão de quadros tidos como polêmicos do partido, entre eles, a filha do próprio Jefferson, a ex-deputada Cristiane Brasil. Nesse contexto, a sigla também vislumbra a possibilidade de expulsão do pastor Fadi Faraj e do blogueiro Oswaldo Eustáquio.

“Isso é para dizer ao presidente: olha, nosso partido está limpo e não tem nada de polêmica. É só trabalhar o nome dele e reconduzir ele à cadeira de presidente”, disse ao Metrópoles a presidente em exercício do PTB, Graciela Nienov. Ela assumiu a presidência do partido no lugar de Roberto Jefferson, que está preso desde agosto no quadro do inquérito tocado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga milícias digitais e ataques à democracia.

Segundo Graciela, a reação interna no partido à proposta de expulsão dos três está positiva. Ela sustenta que a situação da filha de Roberto Jefferson já estava ruim, porque tinha batido batido de frente com o pai e já havia perdido a presidência do partido no Rio. “Já vinha essa indisposição dentro do partido”, explica Graciela.

No caso do pastor Fadi Faraj, a presidente em exercício alega que ele quis “tornar o partido [uma] igreja”. Na semana passada, Faraj conseguiu na Justiça uma liminar reconduzindo-o ao comando do PTB no Distrito Federal. Ele estava afastado desde 31 de agosto deste ano, quando Graciela Nienov decidiu por sua destituição. A presidência nacional do PTB terá 15 dias para se manifestar sobre o tema.

Por fim, no caso do blogueiro bolsonarista, Graciela explica que Eustáquio comprou uma briga com a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e teria tentado envolver o partido no conflito pessoal. Ele disse que virou alvo da ministra após denunciar corrupção na pasta.

Eustáquio alega que Damares ameaçava constantemente demitir sua esposa de uma das principais secretarias do ministério. Segundo ele, as ameaças começaram após ele denunciar atos de corrupção dentro da pasta, além de um suposto caso com um homem casado mantido pela ministra.

“A ministra Damares é uma mulher honrada, correta, e ele quis envolver o PTB nessa briga”, critica Graciela.

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PTB não quer repetir o erro do Patriota

Bolsonaro está há quase dois anos sem partido. Nos últimos meses, ensaiou aproximações com algumas siglas. A mais recente delas, com o Patriota. Em maio, Flávio Bolsonaro se filiou ao partido, com a promessa de levar o pai logo depois. Quatro meses depois, o presidente da legenda, Adilson Barroso, foi retirado definitivamente do comando da sigla, e Flávio Bolsonaro ficou a ver navios.

Graciela se reuniu na segunda-feira da semana passada (27/9) com Bolsonaro para tratar da possível filiação e disse estar confiante na ida do presidente, apesar de ele não ter dado um prazo para tomar a decisão. Na quarta-feira (29/9), ela pediu que todos os dirigentes estaduais do partido assinassem um documento pedindo a vinda da família Bolsonaro.

Como noticiou a coluna de Guilherme Amado, além de buscar se fortalecer na corrida por Bolsonaro, o PTB busca deixar claro que o clã não terá a mesma dor de cabeça que teve com o Patriota.

O PTB já conversa com deputados do PSL e do DEM em busca de trazer dissidentes que não queiram compor o novo partido decorrente da fusão dos dois. “Queremos reorganizar a nossa bancada federal”, diz Graciela.

Outros partidos

A dificuldade de Bolsonaro em encontrar um partido reside no fato de que ele quer ter o controle dos diretórios estaduais, demanda à qual as siglas tradicionais resistem. Além disso, partidos como o PP, PL, DEM e PSD, por exemplo, pretendem concentrar a maior parte dos seus recursos para fazer grandes bancadas no Congresso e não têm a intenção de focar na campanha à Presidência da República.

Depois de ter flertado com legendas nanicas, como PMB e PRTB, Bolsonaro segue conversando com grandes siglas do Centrão, como o PP. Para os partidos do bloco, a dificuldade reside nas lideranças locais, em especial do Nordeste, reduto eleitoral de Lula, que repelem uma aliança final com Bolsonaro. Já no caso dos nanicos, a filiação do presidente não seria interessante para seus aliados, que encontrariam parcos recursos para disputar as eleições em 2022.

Dado o caráter imprevisível do presidente, aliados admitiam que sua escolha partidária podia ficar para a última hora — o prazo limite é março do ano que vem, seis meses antes do pleito de outubro. No entanto, Bolsonaro pode surpreender e anunciar a escolha até o fim de 2021, a fim de garantir um planejamento de mais longo prazo.

“Falei para ele: você tem que pensar que tua base precisa que você tome uma decisão, a tua base está sofrente”, disse a presidente do PTB.

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