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Alvo de uma investigação de caixa 2 pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pediu trégua à imprensa, irritou-se com perguntas dos jornalistas e abandonou uma entrevista coletiva após participar de um almoço com empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) nesta sexta-feira (7/12), na capital paulista.

O coordenador da transição demonstrou irritação com uma pergunta sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que mostra movimentações financeiras suspeitas de um ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Mais cedo, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, evitou comentar o relatório do Coaf, que ficará subordinado à sua pasta.

“Quero pedir para a imprensa que nos acompanha, por favor, uma trégua, em nome do Brasil”, disse Onyx, já no fim do discurso. Os empresários aplaudiram a fala. Na entrevista coletiva após o almoço, o futuro chefe da Casa Civil foi questionado por jornalistas sobre como seria a trégua.

“Algumas áreas da imprensa brasileira abriram francamente um terceiro turno. Temos nossas limitações, nossas dificuldades. Vamos fazer um grande pacto. Não ganhamos carta em branco. Sabemos que temos oposição. Temos tido todo respeito do ponto de vista do futuro do nosso país. A partir do dia 1° de janeiro, quando o governo assumir e tiver diretriz, aí sim, se estiver errado, [a imprensa] critica”, disse.

Em seguida, Onyx foi perguntado sobre o inquérito aberto a pedido da PGR para investigar o suposto uso de caixa 2 em suas campanhas. “Se tem um cara que é tranquilo, sou eu. Vim com Deus. Agora, com investigação autônoma, vou poder esclarecer. Nunca tive corrupção. Não pode ser hipócrita de querer misturar financiamento e não registro de recebimento de amigo. Esse erro eu cometi. Sou o único que tenho a coragem de assumir”, afirmou.

Sem medo da Bic
Onyx disse que “subscreve” à declaração do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de que usaria sua caneta Bic para exonerar um ministro que fosse alvo de uma “denúncia robusta”. “Gosto tanto da caneta Bic que subscrevo à declaração dele”, disse o futuro ministro da Casa Civil.

Onyx se esquivou da pergunta, afirmando que “setores tentam destruir a reputação de [Jair] Bolsonaro”. Ele também chegou a atacar o Coaf, questionando onde o conselho estava durante os processos do Mensalão e do Petrolão. “Foi feita uma aliança ideológica que faz com que vocês [jornalistas] queiram misturar um governo honesto com as lambanças do PT dos últimos 14 anos”, disparou.

Em seguida, diante da insistência dos jornalistas em pedir uma declaração sobre o caso do filho de Bolsonaro, Onyx perguntou a um dos repórteres quanto havia caído na sua conta neste mês, logo antes de abandonar a coletiva.