Um dia após a derrota do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a celeridade da admissibilidade da matéria. Ele prometeu se encontrar com líderes para discutir o calendário.

“Na minha opinião, a CCJ deveria funcionar a madrugada inteira, falar tudo que se tem para falar e votar logo. Temos clareza de que o Estado brasileiro vai quebrar se não fizermos a reforma da Previdência”, ressaltou.

O presidente da Casa cobrou celeridade. “Já disse aos líderes: essa questão de aprovar até amanhã ou na próxima segunda-feira é o ideal. Não faz sentido ter mais de 100 deputados inscritos. Um acordo razoável é que 30 ou 40 falem”, reclamou.

O presidente da Câmara subiu o tom. “Não acho razoável a gente deixar de votar amanhã a admissibilidade por que tem mais de 100 inscritos. Para 100 deputados falarem, a gente deveria discutir o mérito, não a admissibilidade”, completou.

Na prática, o grande volume de deputados inscritos para falar na CCJ é uma manobra para alongar a discussão da matéria. E a artimanha desagrada Maia. “Nossa responsabilidade é grande, entendo as dificuldades da CCJ, o governo não ter uma base organizada, mas, independentemente disso, temos que garantir aposentadoria para todos os brasileiros e o ajuste fiscal para todos os estados”, ressaltou.

Maia disse, ainda, que a responsabilidade da votação é coletiva. “Tem sempre um limite para obstruir, para atrasar. Não vou interferir, não sou presidente da CCJ, mas acho que deveríamos fazer um esforço”, completou.

Mudanças no texto
Maia admitiu que em algum momento a reforma da Previdência será mexida. Um dos principais pontos é o Benefício de Prestação Continuada (BPC) – pago a idosos carentes –, e a aposentadoria rural. “Provavelmente vai ser retirado. Agora, é ruim retirar no momento errado”, resumiu.

Apesar das dificuldades, Maia acredita que a reforma deve tramitar. “Nossa prioridade é a Previdência. Encerrar o debate pela madrugada. Temos a nossa responsabilidade. O que cabe ao Parlamento, precisamos tentar fazer”, encerrou.