Análise: pelo Twitter, Trump deu mais uma rasteira em Bolsonaro

Presidente dos EUA demonstra desprezo pelos gestos de Bolsonaro ao restabelecer tarifas sobre importação de aço e alumínio do Brasil

Mark Wilson/Getty ImagesMark Wilson/Getty Images

atualizado 02/12/2019 11:35

Isso não é coisa de amigo. Pelo Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a decisão de restabelecer tarifas sobre a importação de aço e alumínio do Brasil.

A medida representa mais uma rasteira de Trump no presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar da propalada amizade entre os dois, do ponto de vista comercial, o norte-americano age frontalmente contra os interesses do Brasil.

Desde a posse no Planalto, Bolsonaro fez gestos ostensivos de submissão às orientações de Washington. Alinhou-se à pauta internacional dos EUA, liberou os vistos de entrada no Brasil para os cidadãos do país e forçou a aproximação entre as famílias presidenciais. Deslumbrado, o capitão chegou a sonhar com os filhos trocados como embaixadores dos respectivos países.

Em uma ocasião, Bolsonaro declarou-se “apaixonado” por Trump. Teria até dito “eu te amo” em um dos encontros. A entrega foi total.   

Com a decisão sobre a tarifa, o presidente dos Estados Unidos deu mais uma demonstração de que, na prática, despreza os gestos de Bolsonaro. Do jeito que faz, chega a ser humilhante para o brasileiro.

Em outubro, os EUA desistiram de apoiar a entrada do Brasil na Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE). A negativa frustrou o governo Bolsonaro e teve o peso de uma traição.

A promessa de sustentação da reivindicação brasileira foi anunciada em março, pelos dois presidentes, durante visita do brasileiro aos Estados Unidos. Bolsonaro ficou com cara de tacho.

Outra demonstração do erro da estratégia diplomática do capitão – encampada pelo Itamaraty – foi recusa dos EUA a reabrir o mercado para a carne do Brasil. Há menos de um mês, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, regressou de Washington sem conseguir derrubar a barreira imposta aos produtores nacionais.

Com amigos assim, o Brasil não precisa de inimigos.

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